Candidatos mais seletivos e ampla oferta de vagas podem explicar o momento único que Joinville, a cidade com o maior Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina, passa atualmente. Empresas enfrentam desafios para contratar funcionários, o que levou algumas a olhar para outros municípios e estados em busca de novos talentos.

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A Tupy, por exemplo, além de realizar um feirão de empregos em Joinville, precisou ampliar a busca por funcionários e realizar um processo seletivo no Pará. Para atrair profissionais, a multinacional joinvilense ainda prometeu contribuir com o deslocamento dos que forem contratados.

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Processo migratório a SC

Conforme o Censo 2022, na última década 115,1 mil pessoas — nascidas fora de Joinville — passaram a residir na cidade. O economista chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, afirma que o fluxo migratório existe há décadas e deve ser visto como algo positivo.

— As empresas em Santa Catarina estão demandando bastante trabalho, tanto que a nossa taxa de desemprego está muito baixa (2,2%). Faz todo sentido uma migração de mão de obra de outras regiões para virem para cá atender a essa demanda por trabalho — detalha.

Bittencout, no entanto, relata que o fluxo migratório costumava ser voluntário, ou seja, as pessoas se mudavam para outras regiões por desejo próprio. Em Santa Catarina, as cidades próximas ao litoral sempre foram as mais visadas.

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— Muita pessoas têm vindo viver em Santa Catarina mais na parte final da vida. Depois da aposentadoria vem para morar em Camboriú, em Itapema. E isso tem impulsionado a atividade de construção civil, com reverberações na própria economia do Estado, à medida que de um lado incentiva os encadeamentos produtivos, como a metalurgia, a produção de minerais não metálicos, cerâmica. Tudo isso acaba sendo incentivado por esse processo de migração — explica.

Muitas pessoas buscam SC para viver, o que impulsiona a economia diversos setores (Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú, Divulgação)

O que leva empresas a “importar” funcionários

Com a alta produção, vem a alta oferta de emprego. Mas, conforme o economista, a baixa taxa de desemprego, tanto no Estado quanto no país, leva a uma grande dificuldade para encontrar mão de obra.

— Como esse fluxo que antes era natural, agora as empresas estão tendo que lançar estratégias para revelar em outros locais, em outros estados, o benefício de vir morar e trabalhar em Santa Catarina — afirma.

O gerente de Recrutamento e Seleção do RH Brasil, Joanir Schadeck, explica que nos últimos anos as pessoas passaram a analisar diversos quesitos de uma vaga antes de aceitá-la, como benefícios, localização, horário de trabalho, estabilidade, qualidade de vida e possibilidade de crescimento.

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— Existe um grande número de vagas abertas ao mesmo tempo, o que faz com que o candidato tenha mais opções e se torne mais seletivo. Não é apenas uma questão de falta de interesse ou qualificação. Além disso, em algumas vagas mais técnicas ou com exigências muito específicas, realmente existe uma dificuldade maior em encontrar mão de obra aderente ao perfil solicitado — afirma o gerente.

O economista chefe da Fiesc ainda analisa que as gerações mais novas dão preferências a trabalhos que ofertem benefícios mais amplos, como a possibilidade de home office.

— [Os jovens] têm dado muita preferência a trabalhos em que, por exemplo, não precisa estar os cinco dias da semana dentro da empresa. Também dá preferência por viver em cidades que tenham opções de lazer, de esportes e convívio, ao mesmo tempo que tenham segurança para isso. Então, Joinville é uma cidade competitiva. De maneira que, talvez, exista aí uma necessidade de mostrar um pouco melhor para os jovens a vantagem de se trabalhar para empresas catarinenses inseridas em cidades de médio porte, como Joinville e Jaraguá do Sul, por exemplo — diz.

Empregos em Joinville

Joinville teve uma reação nos empregos em março deste ano e março registrou 2,5 mil vagas criadas, em saldo entre contratações e demissões. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) ainda mostram que, com o resultado, a cidade chegou a 6,6 mil empregos criados no primeiro trimestre de 2026.

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No último ano, foram abertas 6,4 mil vagas no primeiro trimestre. Desde 2020, quando começou a nova série do Caged, o resultado do município em 2026 é o segundo melhor do intervalo para o primeiro trimestre — sendo superado apenas pelos primeiros três meses de 2021, quando foram 8 mil vagas.

O desempenho de 2026 é uma reação, porque Joinville teve queda na geração de empregos no ano passado, em comparação com anos anteriores.

O gerente de Recrutamento e Seleção do RH Brasil, Joanir Schadeck, confirma o cenário e afirma que Joinville vive um mercado aquecido, principalmente nas áreas industriais, operacionais e logísticas, assim como passa por crescimento nas área de prestação de serviço e comércio.

Schadeck também afirma que a agilidade do processo seletivo pode influenciar na decisão de um candidato. Caso o retorno demore, o candidato pode ter recebido outra proposta e acaba optando por uma empresa que foi mais rápida no processo.

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— Hoje, trabalhamos com estratégias diversificadas para ampliar a captação de candidatos, como divulgação em redes sociais, por meio de anúncios por tráfego pago e rede orgânica, plataformas de emprego, busca ativa, feirões de vagas utilizando nossa unidade móvel e processos seletivos presenciais — afirma.

O gerente ainda afirma que muitas empresas atendidas pelo RH Brasil passaram a investir na oferta de transporte fretado, auxílio deslocamento e ações externas para atrair profissionais.

— A busca em cidades vizinhas tem sido uma alternativa cada vez mais utilizada pelas empresas de Joinville para conseguir atender a alta demanda de contratações. Hoje, ampliamos os processos seletivos para cidades próximas como Araquari e Garuva, e até outras regiões dependendo da necessidade da vaga. Mesmo assim, fatores como distância, custo de locomoção e horários de turno ainda impactam bastante na decisão dos candidatos — revela.