Bonito, cidade do interior do Mato Grosso do Sul, não desperta o fascínio dos turistas apenas por suas belezas naturais mas também por ser lar de uma espécie de serpente muito conhecida e temida: as sucuris. Considerada a maior espécie de serpente do mundo quando se analisa a massa do animal, o Instituto Butantan diz que os rios de águas cristalinas da região oferecem as condições ideais para o avistamento dessas cobras gigantes. A cidade virou referência mundial em estudos e turismo ligado à espécie por ser muito fácil encontrá-las em seu habitat natural.

Continua depois da publicidade

Nos últimos anos, três sucuris em especial se destacaram: uma delas já falecida e outras duas ainda circulando pelas águas.

Bonito passou a ser considerado um laboratório a céu aberto para a observação e preservação desses animais, graças à combinação rara entre visibilidade subaquática e uma fauna rica.

Como vivem as sucuris no Brasil

Das quatro espécies de sucuri existentes no mundo, três vivem no Brasil e duas delas em Mato Grosso do Sul.

Continua depois da publicidade

A sucuri-verde (Eunectes murinus), considerada a maior e mais pesada serpente do mundo, podendo pesar até 200 kg e chegar a 7 metros de comprimento.

A sucuri-amarela (Eunectes notaeus) tem fundo amarelado, considerada de grande porte com fêmeas chegando a 4 metros e comum no Pantanal (MS e MT).

A sucuri-malhada (Eunectes deschauenseei) é possivelmente a menor das quatro espécies, as fêmeas medem cerca de 3 metros e machos menos de 2 metros. Encontrada no Pará (Ilha de Marajó) e Amapá.

Continua depois da publicidade

Sucuris atacam humanos?

Segundo especialistas, é possível ser atacado por uma sucuri, mas é considerado um evento “raríssimo”. São animais tranquilos que geralmente fogem da presença humana.

Não existe nenhum relato oficial que uma sucuri tenha engolido um homem adulto. As presas naturais desta serpente são capivaras, jacarés, aves e roedores.

O bote é rápido e serve para segurar a presa. Depois vem a constrição, que é quando a cobra se enrola no corpo da presa, e em alguns casos o animal é arrastado para a água.

Continua depois da publicidade

Uma sucuri pode demorar até um mês para digerir a presa e por isso ficam debaixo da água para nãos serem atacadas. São ótimas nadadoras e as fêmeas são maiores que os machos.

As sucuris de Bonito

A região de Bonito segue como uma das que mais acontecem flagras e registros de sucuris. Em abril de 2026, o guia Ronis Souza Nunes flagrou uma cena rara durante um passeio no Rio Sucuri: uma serpente de grande porte predando um porco-do-mato diante de turistas portugueses.

Em março, também em Bonito, o guia de pesca Isaque Uchoa flagrou uma sucuri de grande porte tomando sol sobre um galho no Rio Miranda, durante um passeio de barco. Ele contou ainda que avistou outra serpente no mesmo rio, mas não conseguiu filmar o momento.

Continua depois da publicidade

Ana Júlia, uma das sucuris mais conhecidas de Bonito, entrou para a história por seu tamanho e longevidade. Medindo 6,36 metros e pesando cerca de 200 kg, ela foi encontrada morta em 2024, no Rio Formoso, por causas naturais. Sua morte teve grande repercussão entre pesquisadores e guias locais.

Durante anos, Ana Júlia foi monitorada por biólogos e se tornou objeto de estudo importante para compreender o comportamento e o ciclo de vida das sucuris. Sua presença reforçou a imagem de Bonito como ponto-chave para a pesquisa de grandes répteis na América do Sul.

Além de Ana Júlia, duas sucuris vivas seguem encantando visitantes em Bonito. Mãezona, com aproximadamente 6 metros, é frequentemente registrada por guias e turistas. Já Queixinho, uma fêmea com uma deformação na mandíbula, ganhou esse apelido curioso e mede cerca de 5 metros.

Continua depois da publicidade

As duas serpentes ajudam a reforçar o vínculo entre turismo ecológico e preservação ambiental. Com suas aparições recorrentes, tornaram-se verdadeiras embaixadoras da fauna local, contribuindo para a educação ambiental e a valorização da biodiversidade.