Talvez você já tenha tido uma crise de coceira só de encostar na pele, talvez esteja tendo uma agora que leu isso, mas você sabe por que isso acontece? Pesquisadores encontraram uma rede de pelos quase invisíveis que pode estar por trás disso.

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Em testes iniciais com camundongos, eles descobriram essa rede de pelos finos e neurônios que, quando desligada, reduzia fortemente a coceira. Apesar de ainda precisar de mais testes em humanos, a descoberta possui alto potencial para estudar a coceira crônica, eczema, um problema que está aos poucos sendo tratado com mais seriedade.

Rede invisível

A penugem de pelos finos que recobre grande parte do corpo não funciona apenas como revestimento. Cada pequeno movimento pode dobrar o pelo e ativar terminações nervosas na pele, permitindo que o organismo perceba contatos delicados.

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O estudo publicado na revista Neuron identificou, em camundongos, pelos incomuns chamados de “semelhantes aos velos”. Eles aparecem com maior frequência atrás das orelhas e perto das patas traseiras.

Esses pelos estavam ligados a um grupo específico de fibras nervosas sensíveis ao toque (Foto: Wikimedia Commons)

Os pesquisadores observaram que elas carregam os marcadores TLR5 e Calbindin1, além do canal mecânico Piezo2, que funciona como um sensor microscópico. Quando o pelo é estimulado, o canal envia um sinal elétrico para o cérebro.

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A equipe estimulou os pelos com um pequeno laço de linha. Em seguida, eliminou ou silenciou geneticamente as fibras conectadas a eles. Sem essa ligação, os animais deixaram de reagir ao toque com movimentos de coçar.

Ao realizar o caminho inverso, a conclusão foi reforçada. Ao ativar as mesmas fibras com luz azul, técnica conhecida como optogenética, os cientistas provocaram o comportamento de coceira mesmo sem mover os pelos.

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“Um camundongo não consegue dizer que está com coceira. Mas ele vai se coçar”, afirmou Bo Duan, professor associado da Universidade de Michigan e autor sênior da pesquisa, em comunicado oficial da Universidade de Michigan.

Qual a importância do estudo?

O trabalho foi feito principalmente em animais, portanto ainda será necessário confirmar a rota em pessoas e avaliar se bloqueá-la seria seguro.

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Mesmo assim, a pesquisa aponta alvos mais específicos, como o canal Piezo2 ou a população de fibras TLR5-Calbindin1. Uma terapia futura poderia tentar reduzir sinais exagerados sem eliminar toda a sensibilidade ao toque.

“Precisamos de uma nova via para atingir, se quisermos tratar a coceira crônica”, afirmou Duan. “Nossa pesquisa sugere que essa população de neurônios pode ser um alvo no futuro.”

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Os pesquisadores encontraram em humanos os genes necessários para produzir neurônios semelhantes. Células nervosas humanas cultivadas em laboratório também responderam às proteínas envolvidas na transmissão do sinal.

A evidência é promissora, mas ainda não prova que a rede funcione da mesma maneira no corpo humano. Ensaios clínicos serão necessários antes que o mecanismo possa orientar tratamentos contra eczema ou outras doenças.

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Por enquanto, o principal avanço está na identificação de uma rota antes pouco compreendida

Por que a pele não coça o tempo todo?

Os pelos finos cobrem boa parte da pele humana, com exceções como as palmas das mãos. Ainda assim, o simples contato com o ar ou com uma roupa não costuma causar coceira.

A razão disso são os circuitos inibidores da medula espinhal. Eles funcionam como uma espécie de portão, bloqueando sinais sem importância antes que a informação avance pelas vias ligadas à coceira.

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Isso é útil para ignorar estímulos comuns, mas também parece perder eficiência de sensibilização. Nesses casos, um toque antes neutro passa a ser interpretado como incômodo ou coceira (Foto: Towfiqu Barbhuiya / Pexels)

Esse fenômeno recebe o nome de alocinese. Ele ocorre quando um estímulo que normalmente não provocaria coceira, como o contato suave de um tecido, passa a desencadear o sintoma em uma pele já sensibilizada ou inflamada.