Uma aranha que brilha sob luz ultravioleta, novas espécies de libélulas, gafanhotos e dezenas de borboletas e mariposas até então desconhecidas pela ciência estão entre as descobertas feitas por pesquisadores em uma das áreas mais inexploradas da África.
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Os achados ocorreram no Planalto de Lisima, em Angola, considerado um importante hotspot de biodiversidade e responsável por abastecer alguns dos maiores sistemas fluviais do continente.

Uma descoberta que chamou a atenção dos cientistas
A expedição científica reuniu especialistas de diferentes países e revelou um cenário que surpreendeu até mesmo os pesquisadores mais experientes. Entre os destaques está uma aranha-caranguejo-coroada que apresenta fluorescência quando exposta à luz ultravioleta, característica rara e ainda pouco compreendida pela ciência.
Mas ela está longe de ser a única novidade encontrada na região. O levantamento identificou oito novas espécies de libélulas, três de gafanhotos e cerca de 60 espécies de mariposas e borboletas que podem ser inéditas para a ciência. Também foram registrados insetos, anfíbios, répteis, morcegos e centenas de espécies vegetais, evidenciando a riqueza biológica do local.
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Um território pouco explorado por décadas
Apesar de sua importância ecológica, o Planalto de Lisima permaneceu pouco estudado durante décadas. Conflitos armados, a presença de minas terrestres e o difícil acesso à região mantiveram pesquisadores afastados por muito tempo. Somente recentemente expedições científicas passaram a explorar de forma mais detalhada esse território remoto de Angola.
A dificuldade de acesso acabou contribuindo para a preservação de ecossistemas que permanecem praticamente intactos, tornando a região uma das mais promissoras para novas descobertas científicas no continente africano.

Região abastece alguns dos maiores rios da África
A área abriga as nascentes que alimentam quatro dos principais sistemas fluviais africanos: Congo, Okavango, Zambeze e Cuanza. Por isso, além de seu valor para a biodiversidade, o planalto desempenha um papel fundamental na manutenção dos recursos hídricos de grande parte do continente.
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A preservação da região é considerada estratégica não apenas para a fauna e a flora locais, mas também para milhões de pessoas que dependem desses rios para abastecimento, agricultura e geração de energia.

Cientistas alertam para ameaças ao ecossistema
Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, a descoberta de novas espécies reforça a urgência de proteger ambientes ainda pouco conhecidos. A região enfrenta pressões crescentes causadas pela mineração, expansão agrícola, extração de madeira e ocupação humana.
Para os cientistas, documentar essa biodiversidade é uma corrida contra o tempo. Muitas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem oficialmente descritas, o que tornaria impossível compreender seu papel nos ecossistemas e seu potencial valor para a ciência.
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