Astrônomos da Universidade de Tóquio, no Japão, podem ter descoberto algo que vai revolucionar os estudos sobre o cosmos. Os cientistas acreditam que detectaram, pela primeira vez, evidências físicas e diretas da Matéria Escura, elemento invisível que forma quase 90% do Universo.

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Um dos maiores mistérios da física moderna, a Matéria Escura é uma substância que não interage com a luz ou com qualquer forma de radiação eletromagnética, o que a torna indetectável pelos telescópios convencionais. A existência desse elemento invisível só é detectada pelos poderosos efeitos gravitacionais, que agem como uma espécie de cola cósmica mantendo galáxias e aglomerados unidos, girando em velocidades que a massa visível (estrelas, planetas e gás) sozinha não conseguiria sustentar.

A detecção direta da Matéria Escura

Caso se confirme, a descoberta da equipe de Tóquio pode mudar a forma de estudos e análises da astrofísica. As observações anteriores sempre se basearam em evidências gravitacionais indiretas, como as curvas de rotação das galáxias e o desvio da luz (lente gravitacional). A nova evidência, classificada como física e direta, sugere que os astrônomos podem ter detectado o sinal real da interação ou aniquilação das partículas de Matéria Escura pela primeira vez.

Tal detecção, se concretizada, não apenas confirma a existência da Matéria Escura, como revela as propriedades e a natureza fundamental dessas partículas, abrindo caminho para uma nova era de compreensão da composição e evolução do cosmos.

O processo da possível descoberta

Liderada pelo professor Tomonori Totani, a equipe utilizou o telescópio espacial de raios gama Fermi, da NASA, para observar o centro da Via Láctea, região onde os cientistas acreditam que contenha a maior quantidade de Matéria Escura. O estudo foi publicado na Revista de Cosmologia e Física de Astropartículas (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics, em inglês).

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Analisando os dados das observações, os cientistas encontraram uma emissão de raios gama em forma de halo no centro da Via Láctea, com energia em torno de 20 giga-elétron-volts (GeV). Padrão que se assemelha aos modelos previstos para a matéria escura, especificamente para um tipo de partícula chamada WIMP (partículas massivas que interagem entre si).

Se confirmada, essa será a primeira vez que os cientistas detectam a matéria escura de forma física e direta, já que, até agora, essa substância invisível só tinha sido identificada pelos efeitos gravitacionais em galáxias e estrelas.

Cautela

Apesar da relevância dos estudos e dos dados obtidos e da empolgação com as recentes análises, a comunidade científica ainda adota cautela ao tratar do tema.

As possíveis descobertas precisam ser testadas e validadas, para descartar outras explicações astrofísicas convencionais já existentes.

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