Um enorme projetor e uma multidão atenta à tela – sentados em cadeiras, cangas ou dentro do carro.  Informais, charmosos e com um toque retrô, eles eram referência nos anos 50 e 60 e foram deixados de lado com o advento das salas de filmes em shoppings, mas voltaram com tudo para exibição de obras clássicas e modernas com a pandemia, numa forma de entretenimento mais segura. Hoje, eles ressignificam a inserção da arte cinematográfica em espaços públicos, como parques e praças.

Continua depois da publicidade

O cinema ao ar livre, no formato drive-in, se levar em conta o nome original, tem suas raízes difusas, com estruturas sendo criadas nos Estados Unidos, mas também na Austrália, com espaços para a plateia sentada ou em carros estacionados. Foram anos de testes e ajustes, antes da popularização. As projeções ficaram ainda mais famosas com o filme “Grease, nos tempos da brilhantina”, quando os personagens Danny e Sandy se encontram para aproveitar um filme nesse formato.

No Brasil, os autocines chegaram na década de 70, em municípios como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Como era preciso ter um carro e as sessões eram somente pela noite, eram considerados opção mais voltada à elite. Com a difusão e aprimoramento dessas áreas, os empreendedores começaram a disponibilizar alternativas para quem estivesse a pé.

Mais do que um cinema diferente, o autocine é uma grande atenção para ver os melhores filmes da cidade com visão panorâmica, “de dentro do carro, tomando refrigerante ou fumando um cigarro”, dizia a propaganda da Inauguração do Scorpions, em Campinas (SP). No caso do Snob’s autocine, que ficava na zona sul de São Paulo, os carros paravam ao redor de grandes auto-falantes parecidos com cogumelos, que serviam para chamar um garçom. Controles de volume podiam ser instalados dentro do automóvel, que era estacionado em ângulo inclinado, visando aumentar o conforto dos visitantes. O Auto Cine Chaparral também era ousado e obteve sucesso enquanto promovia suas atividades, próximo da Marginal Tietê. Lanchonete com pipoca, refrigerante, estrutura de cinema com som captado por meio de uma estação de rádio, o espaço marcou seu lugar na história.

Intervenções artísticas na paisagem urbana

Seja para ocasiões especiais, estreias e exibições diferenciadas, os cinemas ao ar livre eram mais restritos, pois precisam de infraestrutura mais robusta, com grandes telões e espaços alugados. Um pouco de saudosismo e outro tanto de busca pela arte em meio ao cinza da cidade tornam os cinemas ao ar livre tão enigmáticos – mas ainda com espaço no nosso cotidiano.

Continua depois da publicidade

Tanto o cinema na rua quanto outras manifestações culturais urbanas são uma forma de intervenção social. Desenhos nas paredes, artes no chão, poemas, estátuas vivas, painéis hiper-realistas, representações cênicas e colagens, grafites são possíveis intervenções urbanas, que podem ser vistas como uma forma de democratização da arte, inserção de maior número de pessoas em um projeto. A street art que teve seu início na década de 70, um período conturbado de ditadura, nada mais é do que uma forma de expressão. A preocupação não era estética, mas em passar uma mensagem, comunicar, fazer sentir.

A arte urbana faz migrar exposições, pinturas, mostras, de locais tido como consagrados, como cinemas, teatros e museus, aproximando as composições da população, muitas vezes em locais nada esperados e até inusitados.

Ainda que muitos dos exemplos citados tenham ocorrido em estabelecimentos privados, a relação da sala de cinema com o espaço urbano é instintivamente relacionada ao processo de formação das metrópoles, modificando o estilo de vida.

Criada por arquitetos, artistas ou quem desejar intervir no ambiente, as manifestações propõe um questionamento sobre as ações cotidianas, em forma de contestação, chamando atenção  de grandes públicos para as possibilidades existentes

Continua depois da publicidade

Por que não fazer uma intervenção no espaço urbano por meio da arte visual, no caso o cinema? Além de manifestação artística, o cinema de rua torna o espaço mais leve e divertido para reforçar os laços com amigos e com a família, além de colocar os espectadores, cinéfilos ou não, em contato com diversas culturas e narrativas.

Cinema no parque em Florianópolis

Em Florianópolis, a NSC se inspirou no formato para promover uma ação que deve reunir a população no mês de aniversário da cidade. No dia 25 de março, o Cinepark acontece no Parque da Luz, próximo da ponte Hercílio Luz, no Centro da cidade. 

Em parceria com a Quantum Engenharia e Crédito Real, a programação conta com a exibição de dois filmes, e está prevista para iniciar às 16h. 

Acompanhe o NSC Total para saber mais sobre o evento.