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    Ciro Gomes diz que Tabata Amaral faz dupla militância

    Deputada pelo PDT votou contra a orientação da sigla na reforma da Previdência

    14/07/2019 - 09h44 - Atualizada em: 15/07/2019 - 21h48

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    Por Folhapress
    (Foto: )

    O ex-governador do Ceará Ciro Gomes disse neste sábado (13) que a deputada Tabata Amaral (PDT-SP), que votou contra a orientação da sigla na reforma da Previdência, fez "dupla militância", e afirmou considerar grave a atuação do movimento do qual ela participa - que ele chamou de "partido clandestino".

    — Todo mundo pode participar de qualquer movimento, mas, se você tem um partido clandestino para burlar a legislação que proíbe financiamento empresarial, isso é uma coisa muito mais grave — afirmou Ciro em evento em São Paulo.

    — Você pega um partido clandestino, que tem suas regras próprias, seu programa próprio, você se infiltra nos outros partidos e usa os outros partidos, fundo partidário, tempo de TV, coeficiente eleitoral para se eleger e fazer o serviço do outro partido? Aí é um problema de dupla militância, não tem nada a ver com a compreensão de reforma da Previdência que nós temos — completou.

    Tabata faz parte do Acredito, fundado em 2017 com a bandeira da renovação política, assim como Felipe Rigoni (PSB-ES), que também contrariou seu partido e votou a favor da reforma da Previdência.

    Esse é tema prioritário do movimento, do qual Tabata é co-fundadora. Entre as principais bandeiras do Acredito estão ainda combater a desigualdade e a rejeição à polarização.

    No próprio PDT houve outros sete que votaram contra a orientação da legenda. O partido abriu processo na comissão de ética para avaliação de punição aos dissidentes.

    Candidato derrotado do PDT à Presidência da República em 2018, Ciro ressaltou ter estimulado a entrada de Tabata na política e afirmou ser quem mais está sofrendo com a situação.

    — Eu não sirvo a dois senhores. Se tem alguém que está sofrendo com essa questão da Tabata, sou eu. Sabe quem recrutou a Tabata? Quem estimulou a Tabata a entrar na política? Quem assinou a filiação dela? Fui eu — disse Ciro.

    "Atitude cirúrgia"

    O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo na quinta-feira (11) que está avaliando o caso para tomar uma "atitude cirúrgica" contra os dissidentes. Ele vem defendendo que os deputados que votaram a favor da reforma deixem o partido. Na sexta (12), em evento em Belo Horizonte, Ciro disse que Tabata "deveria ter a dignidade de sair" da legenda.

    Após a votação da Previdência, Alexandre Frota (PSL-SP), em sua conta no Twitter, afirmou que o PSL estaria "de braços abertos" para a deputada do PDT. Em uma postagem no Instagram, o Movimento Brasil Livre também se posicionou: "o Brasil só tem a ganhar com uma esquerda e uma direita que enxergam além do prisma ideológico."

    Para o governador de São Paulo, João Doria, Tabata tem "rosto, alma e coração do novo PSDB".

    Samuel Emílio, 23, coordenador nacional do Acredito, disse nesta semana à reportagem que não se pode afirmar que Tabata e Rigoni erraram na escolha do partido.

    — Tanto eles [Tabata e Rigoni] sabiam os partidos em que estavam entrando quanto os partidos sabiam quem estavam recebendo — afirma, em relação à participação deles no movimento.

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