Um avanço da tecnologia médica promete impactar a vida dos pacientes idosos e acaba de colocar a ortopedia brasileira em destaque. O Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), realizou a primeira cirurgia no país com o uso da haste retrógrada RFNA para tratar uma fratura periprotética de fêmur, lesão delicada que acontece ao redor de próteses de joelho e exige soluções especializadas.

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Com o passar da idade, é normal que o corpo sofra mudanças que afetam a força muscular e as articulações, especialmente dos joelhos. A perda de força reduz a estabilidade e o suporte muscular. Essa combinação faz com que atividades simples do dia a dia, como caminhar e subir escadas, se tornem mais difíceis e dolorosas. Quando há prótese de joelho instalada e ocorre uma fratura ao redor dela, o desafio se multiplica: é preciso tratar a fratura sem comprometer a articulação artificial existente.

A chegada de tecnologias como a RFNA é considerada um marco no tratamento desse tipo de fratura, especialmente em pacientes idosos. Com um design moderno, a haste permite cirurgias menos invasivas e contribui para a recuperação mais rápida da mobilidade do paciente.

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Como funciona a nova tecnologia RFNA

A haste RFNA, sigla para Retrograde Femoral Nail Advanced, é um implante usado para estabilizar fraturas do fêmur por meio de uma técnica chamada fixação intramedular. Ela é inserida dentro do canal central do osso, geralmente pela região do joelho, em movimento de baixo para cima, o que caracteriza o método retrógrado.

Após posicionada, a haste é fixada com parafusos nas duas extremidades, impedindo movimentos indesejados e mantendo o alinhamento correto do osso durante a cicatrização. Esse sistema funciona como uma estrutura de sustentação, oferecendo maior estabilidade e uma recuperação mais segura.

“A haste pode ser aplicada em diferentes angulações, o que aumenta a estabilidade, principalmente em ossos mais frágeis ou porosos, comum em pacientes idosos ou que já possuem próteses. Isso faz toda a diferença em casos de fratura periprotética, onde a fixação costuma ser mais desafiadora”, explica o ortopedista Rodrigo Ortiz, do Vera Cruz Hospital.

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Já o ortopedista Wilson Mello, que conduziu o procedimento, ressalta que esse tipo de fratura, embora menos conhecido pelo público em geral, pode ser bastante grave e exige tratamento ágil para evitar complicações.

O caso da paciente

A cirurgia foi realizada em uma paciente de 77 anos, que havia passado por uma artroplastia total de joelho oito anos antes, procedimento em que a articulação desgastada é substituída por uma prótese. Após uma queda dentro de casa, ela sofreu a fratura e precisou de uma intervenção que resolvesse o problema sem comprometer a prótese já implantada. Foi nesse cenário que a haste RFNA foi escolhida.

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Esse cuidado impacta diretamente na recuperação. Com mais estabilidade logo após a cirurgia, o paciente consegue iniciar mais cedo a movimentação e a descarga de peso sobre o membro operado, o que reduz complicações e acelera o retorno à rotina.

A evolução da paciente é destacada pela equipe médica como exemplo do potencial da técnica: a recuperação segue positiva, com estabilidade do joelho e boas perspectivas de reabilitação. Em muitos casos, o uso da haste RFNA pode evitar a substituição da prótese, o que reduz riscos cirúrgicos, custos e tempo de internação.

Por que o caso é relevante

Mais do que um avanço técnico isolado, o procedimento marca a entrada do Brasil em um padrão de tratamento já consolidado em hospitais dos Estados Unidos e da Europa para fraturas periprotéticas. Com o envelhecimento da população brasileira e o crescimento contínuo do número de cirurgias de prótese de joelho realizadas no país, casos como esse tendem a se tornar mais frequentes e a disponibilidade de técnicas menos invasivas e mais eficazes ganha peso clínico e social.

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O Vera Cruz Hospital, fundado há mais de 75 anos no centro de Campinas, é certificado pela Joint Commission International (JCI), selo internacional de qualidade hospitalar e tem acumulado, ao longo dos últimos anos, registros de procedimentos pioneiros em diferentes especialidades, incluindo urologia e ortopedia.