A venda de e milho e churros, assim como o aluguel de cadeiras de praia e guarda-sóis na orla de Balneário Camboriú, foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do município por meio da Lei nº 5.201/2026. Sancionada pela prefeita Juliana Pavan, a legislação valoriza a atividade econômica e reconhece os profissionais que se dedicam ao setor há mais de meio século.

Segundo registros históricos, os pontos de milho e churros já existiam antes mesmo da emancipação de Balneário Camboriú, há 61 anos. São mais de 120 locais de venda e cerca de 20 mil espigas de milho vendidas por dia na orla da Praia Central e praias agrestes durante a alta temporada.

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O ato de reconhecimento do patrimônio foi realizado na última quinta-feira (22), na presença da Associação dos Pontos de Milho e Churros e Aluguel de Cadeiras (ASPMIC). O presidente da associação, Edimar dos Santos Souza, celebrou a sanção da lei e destacou a importância histórica da atividade.

— Foi uma conquista muito grande construída através da ideia da então vereadora e hoje prefeita, Juliana Pavan. A associação ajudou a construir este projeto e agora aconteceu a sanção. Ficamos muito felizes, pois os pontos de milho tem dez anos a mais que a cidade, com início das atividades quando ainda era tudo Camboriú — conta.

Patrimônio que muda vidas

Além de ser patrimônio histórico e cultural, os churros e as espigas de milho carregam a história de quem trabalha na orla de Balneário Camboriú e traz o sabor tradicional de um dia ao sol nas areias da Praia Central. Para a Betina Maslowski, sócia-proprietária da Barraca 100, que fica na altura da rua 2300, fazer parte de um setor tão especial na história da cidade é sinônimo de gratidão.

Alan, Betina e Dirce trabalham diariamente na Praia Central (Foto: Betina Maslowski, Arquivo Pessoal)

— Trabalhar com algo tão tradicional e que hoje se torna patrimônio da cidade é um sentimento de orgulho, gratidão, realização e dever cumprido. A Barraca 100 nunca foi apenas um comércio; sempre foi um lar. Muitas vezes, passávamos mais tempo ali do que na nossa própria casa. Foi por meio da Barraca 100 que tivemos a oportunidade de investir em nossos estudos: eu me formei em Medicina e hoje faço residência em Ortopedia e Traumatologia, e meu noivo se formou em Direito, atuando atualmente como advogado na área do Direito Previdenciário — conta Betina.

O trabalho na Barraca 100 é fruto do trabalho familiar: Betina trabalha com o noivo, Alan, e a mãe, Dirce. Eles atuam juntos no ponto há mais de dez anos e buscam, além de atender, estreitar laços com clientes, que acabam virando amigos, muitas vezes:

— Sempre tratamos esse espaço como nossa segunda casa, onde construímos a família 100. Clientes deixaram de ser apenas clientes e passaram a ser nossos amigos. Vimos bebês ainda na barriga das mães que hoje já chegam abrindo suas próprias continhas para comer churros na temporada.

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Sabor e criatividade

O carro-chefe na barraca 100 é o churros, e além dos sabores tradicionais de doce de leite e chocolate, existe uma grande variedade de combinações que agradam moradores e turistas. A massa é uma herança de família, criada pela sogra de Betina e exclusividade da casa.

Entre as opções, os mais famosos são os sabores gourmet, como pistache, whey, bala de gelatina, biscoito recheado, churros no estilo espanhol e até mesmo variações salgadas, como o “chubacon”, que como o próprio nome já revela, leva queijo e bacon.

Para a família que faz a Barraca 100 acontecer, o ponto de vendas vai além da comercialização de alimentos, é uma extensão do ambiente familiar.

— Ano após ano, férias de verão e de inverno, dias de semana e feriados, sempre aqui, atendendo moradores e turistas. Sempre tratamos esse espaço como nossa segunda casa, onde construímos a família 100 — ressalta a sócia proprietária.

Com o reconhecimento como Patrimônio Cultural e Imaterial, o município oficializa uma atividade que atravessa gerações e faz parte do cotidiano da orla de Balneário Camboriú. A medida reforça a preservação da identidade local e valoriza os profissionais que, há décadas, mantêm viva uma das tradições mais antigas da cidade.

Ao comentar a sanção da lei, a prefeita Juliana Pavan, ressaltou que a iniciativa valoriza o trabalho dos milheiros e preserva uma tradição histórica da cidade.

— Eu trabalho por esse reconhecimento desde que eu era vereadora, sempre buscando garantir isso para eles e para a nossa cidade, pois isso faz parte da identidade de Balneário Camboriú. Sancionei com muito orgulho essa lei que é fruto da luta, do trabalho, do comprometimento e do esforço de cada um dos milheiros — afirma.

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