A decisão entre assinar a carteira de trabalho ou abrir um CNPJ virou o centro das discussões econômicas e jurídicas no país. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que 5,5 milhões de profissionais migraram para o regime PJ entre 2022 e 2025. Essa mudança gerou um impacto imediato de R$ 61,42 bilhões em déficit previdenciário e menos R$ 24,2 bilhões no FGTS.
Continua depois da publicidade
O cenário acendeu um alerta no governo federal e motivou a realização de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o debate, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, manifestou forte preocupação com o avanço da contratação por pessoas jurídicas:
— O que está em jogo é o futuro do trabalho no Brasil. Os riscos da contratação por pessoas jurídicas afetam diretamente a proteção social, o FGTS e a Previdência.
Diante do impasse, o STF suspendeu o andamento nacional dos processos sobre o tema até o julgamento definitivo do Tema 1.389, que vai definir a regra geral para o país.
PJ x CLT: qual a diferença entre os modelos?
Continua depois da publicidade
Tendências nas vagas
As oportunidades acompanham as transformações de cada setor. Segundo a plataforma Catho, as vagas para PJ subiram 19% no primeiro trimestre de 2026. Porém, o mercado tradicional resiste. O InfoJobs indica alta de 16% em postos CLT, superando 530 mil anúncios. Além disso, uma pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), aponta um dado curioso: 56% das pessoas contratadas como empresa confessam o desejo de retornar à carteira assinada em busca de estabilidade.
O cenário muda conforme a profissão. O modelo PJ domina a Tecnologia da Informação (90,3% do setor) e cresce fortemente na Comunicação, representando 68% das vagas criativas, 54,1% em redações e 61,5% em agências de publicidade. Já setores de base, como comércio, logística e transporte público, mantêm o predomínio absoluto da CLT. Os dados são da Global Worker.
Realidade em SC
Neste cenário nacional, Santa Catarina desponta como um dos estados mais dinâmicos e equilibrados. O estado registrou uma alta de 16% nas vagas de carteira assinada e fechou o ano de 2025 com 59.184 novos postos de trabalho formais.
A força do mercado de trabalho catarinense se traduz em números expressivos: foram mais de 1,72 milhão de admissões ao longo do ano, garantindo ao estado a menor taxa de desemprego do Brasil, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Entre janeiro e abril de 2025, o saldo já mostrava a abertura de 74.671 novos empregos, consolidando um acumulado de 100.343 postos formais em 12 meses.
Continua depois da publicidade
A prestação de serviços também acompanha esse ritmo aquecido em solo catarinense. Foram abertas 1.700 oportunidades para profissionais PJ, o que coloca Santa Catarina na terceira posição do ranking nacional de contratações por CNPJ, empatada com Minas Gerais e atrás apenas de potências como São Paulo (15 mil) e Rio Grande do Sul (2,5 mil).
A conta final no bolso
Para o profissional, a escolha exige planejamento e contas na ponta do lápis. No regime CLT, embora os descontos ocorram direto na folha de pagamento (com alíquotas de Imposto de Renda de até 27,5%), o trabalhador tem garantidos por lei o 13º salário, férias remuneradas acrescidas de um terço, seguro-desemprego e o depósito mensal de 8% do FGTS. Inclusive, a partir de 2026, quem ganha até R$ 5.000 mensais fica isento do Imposto de Renda.
Já o modelo PJ funciona como uma empresa individual. Optando pelo Simples Nacional, os impostos são menores (variando de 6% a 15% sobre a receita bruta), mas o prestador precisa arcar sozinho com os custos de contador e com a taxa do DAS.
Como todos os benefícios dependem exclusivamente de negociação contratual, especialistas calculam que, para compensar a ausência desses direitos e igualar o ganho líquido da carteira assinada, a remuneração bruta oferecida ao PJ precisa ser entre 30% e 50% superior ao salário formal equivalente.
Continua depois da publicidade





