No dicionário manezês, ô no di!  significa “eu não dei”. Ninguém sabe ao certo como a expressão surgiu, mas Onodi inspirou o nome de um dos blocos mais concorridos do Carnaval da Ilha de Santa Catarina. Contam os nativos que se trata de uma homenagem ao cachorrinho do Tirelli, personagem da cidade que, ao ser questionado sobre qual era o nome que tinha dado ao cachorro que ganhara de presente de um amigo, respondeu: “ô no di!”. O animalzinho é símbolo oficial do bloco.

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Nestes dias, as ruas do Campeche são tomadas pela irreverência do bloco. Famílias inteiras se fantasiam para brincar. A origem do Onodi está centrada nesse objetivo: fazer com que os moradores possam se divertir na própria comunidade sem a necessidade de se deslocar para o Centro de Florianópolis.

O ponto alto do Onodi é o desfile de domingo (11). Nos abadás deste ano estão as figuras dos personagens do Boi de Mamão. A concentração está marcada para às 16h, nas imediações da Capela São Sebastião. O percurso será o mesmo do circuito do ano passado: os foliões seguem pela Rua da Capela e a dispersão será no Pacuca (Parque Cultural do Campeche), próximo à Avenida Pequeno Príncipe, onde foi montada a arena.

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Com uma história de quase 25 anos, o Onodi acompanha o crescimento do bairro do Campeche, no sul da Ilha, e agora conta com esse espaço organizado pela Associação Recreativa, Cultural e Ecológica Onodi e prefeitura.

— A realidade do bairro mudou muito e cresceu o número de foliões. O espaço delimitado ajuda na proteção e controle, evitando invasões de pessoas que nem estão no bloco — explica a presidente Mariah Vieira Garcia, da segunda geração de fundadores do Onodi, filha do homenageado na edição do ano passado, seu Pedro Garcia, um dos fundadores, e que faleceu em 2022.

Programação de 2024

A programação na arena este ano inclui bandas locais, DJs e artistas de outros estados. A estrutura foi ampliada com banheiros químicos, postes de iluminação, gradis e palco. Polícia Militar e Guarda Municipal prometem apoio.

Como a montagem estava feita, diz Mariah, a diretoria pensou em aproveitar para todos os dias de folia: noites de sexta-feira, sábado e segunda-feira, das 18h às 2h. Na noite de sábado (10), a Banda manezinha Dazaranha estará na arena. Na terça-feira (13) está previsto um baile infantil, no período da tarde, encerrando as atividades do bloco.

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“O novo causa estranhamento, mas a tradição está mantida”

Acerca das críticas de que o Onodi está perdendo a identidade e o conceito de ‘bloco raiz’, a presidente responde:

— O Onodi sempre teve venda de camisetas e de bebidas. O que nós fizemos foi organizar esse processo junto à prefeitura. O novo sempre causa estranhamento, mas a tradição do desfile de domingo está mantida e de forma gratuita para todos da comunidade.

O passar dos anos também virou irreverência no Onodi, que é apontado pela prefeitura como o maior bloco de rua de Florianópolis: o carro alegórico, por exemplo, é uma sátira ao primeiro que participou dos desfiles, uma carrocinha, puxada por moradores. Atualmente, o cavalo estilizado remonta ao velho veículo.

Em média, o público estimado é de 40 mil nos quatro dias de Carnaval. Quem quiser pode conferir mais detalhes no Instagram.

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