Em Chapecó, um movimento simples, mas carregado de significado, começa a ganhar força: o “Garis São Bem-Vindos Aqui”. A iniciativa busca acolher, valorizar e respeitar os profissionais responsáveis pela limpeza das ruas, reconhecendo a importância de um trabalho essencial para a cidade.
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Ingrid Rodrigues e Dejanira de Fátima dos Santos começam cedo. Às 7h da manhã, já estão no centro da cidade realizando a limpeza de lixeiras, recolhimento de resíduos e organização dos espaços públicos. Um serviço cansativo, feito sob sol forte e altas temperaturas, mas indispensável para o bom funcionamento da cidade.
— Limpamos as lixeiras e todos os resíduos espalhados. Tudo o que interfere no ir e vir das pessoas precisa ser retirado — explica Ingrid.
— Procuramos manter tudo limpo e organizado. Quando alguém joga lixo fora da lixeira, orientamos também — completa Dejanira.
Apesar do pouco tempo na função — Ingrid atua há cerca de um mês e meio e Dejanira há dois meses — ambas já enfrentaram situações de preconceito. Durante as longas horas na rua, a água levada nas garrafinhas acaba rapidamente, e, em muitos momentos, elas precisam recorrer aos comércios para beber água ou usar o banheiro.
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É justamente aí que surge o problema.
— Fomos em três farmácias e disseram que o banheiro estava interditado. Fiquei magoada, chocada — relata Dejanira.
Ingrid reforça que, além das negativas, muitas vezes recebem tratamento desigual.
— Oferecem água da torneira, mesmo com bebedouro de água gelada à vista. Essas atitudes machucam como ser humano — desabafa.
A mudança começou quando Ingrid compartilhou a situação com Fábio Braga, empreendedor do ramo gastronômico. Sensibilizado, ele aderiu imediatamente à ideia e ajudou a transformar o desabafo em ação concreta.
O projeto é simples: uma plaquinha no estabelecimento indicando que garis são bem-vindos, com acesso à água e ao banheiro. Fábio divulgou a iniciativa nas redes sociais, e o alcance foi imediato.
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— Isso é um problema que a gente pode ajudar a resolver. Como empresário, é fazer o básico: um copo de água e permitir o uso do banheiro — afirmou.
Após a repercussão, outros comerciantes de Chapecó também aderiram ao movimento, passando a instalar as plaquinhas em seus estabelecimentos.
— Esperamos que isso se estenda para outras cidades. Somos garis, mas somos pessoas, usamos EPIs e merecemos respeito — destaca Dejanira.
Atualmente, Chapecó conta com cerca de 50 profissionais responsáveis pela limpeza urbana, que diariamente trabalham com dedicação, esforço e carinho para manter a cidade limpa. O movimento reforça que acolher é um gesto simples, mas que faz toda a diferença.
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