A queda de uma das maiores araucárias do Brasil mobilizou pesquisadores da Embrapa Florestas em uma operação para preservar o material genético da árvore em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina.
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Conhecida como “Pinheirão”, a araucária ficava na Estação Experimental da Embrapa e era considerada a quarta maior da espécie no país, com cerca de 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro.
Segundo a Embrapa, a árvore tombou nas últimas semanas, embora não haja confirmação sobre a data exata da queda. Após a constatação, equipes técnicas iniciaram uma força-tarefa para coletar brotações ainda viáveis e tentar a clonagem do exemplar histórico.
De acordo com o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas, o material genético foi encontrado mesmo após o período considerado ideal para coleta.
— O ideal é que a coleta seja feita entre cinco e dez dias após a queda. No entanto, ainda observamos brotações viáveis — explicou.
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O material recolhido foi encaminhado para enxertia em laboratório. O processo deve levar cerca de cem dias até a confirmação do sucesso da clonagem.
A iniciativa busca preservar características genéticas raras da espécie, como altura excepcional, resistência e longevidade.
Árvore era referência em pesquisas
O Pinheirão era considerado um símbolo científico e ambiental da região. Desde 2003, pesquisadores da Embrapa, universidades brasileiras e instituições internacionais visitavam a árvore durante estudos e atividades de campo.
Por causa do tronco oco e da fragilidade estrutural, nunca foi possível determinar com precisão a idade da araucária. Ainda assim, especialistas acreditam que o exemplar era centenário.
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Nos próximos dias, pesquisadores devem retirar discos de madeira de uma parte íntegra do tronco para tentar estimar uma idade mínima da árvore por meio da contagem dos anéis de crescimento.
A pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot destacou a importância histórica do exemplar.
— Certamente essa árvore serviu de inspiração para muitos de nossos trabalhos — afirmou.
Mudanças climáticas podem ter influenciado queda
O professor Marcelo Callegari Scipioni, responsável por um dos maiores levantamentos de árvores gigantes do Sul do Brasil, afirma que eventos climáticos extremos podem estar relacionados ao aumento da queda de árvores monumentais.
Segundo o pesquisador, o excesso de chuva provocado por fenômenos climáticos, como o El Niño, causa saturação do solo e reduz a sustentação das raízes.
— O fator determinante para o tombamento não é o vento, mas sim a saturação do solo — explicou.
Ainda conforme os estudos, árvores gigantes possuem maior vulnerabilidade devido ao peso elevado e às copas amplas.
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Últimos registros serão exibidos em exposição
Os últimos registros oficiais do Pinheirão ainda em pé foram feitos em novembro de 2025 pelo fotógrafo Zé Paiva e pelo cinegrafista Gustavo Fonseca, durante a produção do projeto “Reinvenção da Natureza”, desenvolvido pelo Sesc.
As imagens devem integrar uma exposição multimídia sobre árvores gigantes e a Floresta Ombrófila Mista, prevista para acontecer ainda neste ano em unidades do Sesc de Santa Catarina.








