Uma vulnerabilidade encontrada no sistema de uma fintech foi o que levou um hacker a desviar R$ 6 milhões de uma empresa localizada em Florianópolis em julho de 2024. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), o suspeito, de 22 anos, contava com a ajuda de “conteiros”, que emprestaram contas bancárias para o golpista depositar o dinheiro. As informações são da segunda fase da “Operação Ghosthunters”, deflagrada nesta quinta-feira (10), com o apoio das polícias civis dos outros estados e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

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Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, o delegado Osmar Carraro, titular da Delegacia de Combate a Estelionatos, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Capital, explicou que o hacker fez mais de 300 transações fraudulentas da conta da fintech e depositava quantias em valores diversificados em contas bancárias dos “conteiros”, que recebiam uma certa comissão pelo serviço. 

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— Cada “conteiro” recebia uma determinada quantia e uma comissão por esse valor.  Teve “conteiro” que recebeu R$ 100 mil, R$ 40 mil. As quantias variavam. Não existia um padrão de transferência, pois se tivesse um padrão facilitaria a identificação pelos bancos — explica o delegado.

Após as transferências, os “conteiros” retiravam rapidamente o dinheiro da conta bancária. O movimento dos suspeitos, segundo o delegado, dificulta a recuperação do patrimônio perdido pela fintech. 

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Ainda segundo o delegado, parte do dinheiro desviado foi usado em compras de criptomoedas. No total, Foram expedidos 23 mandados de prisão temporária nesta quinta-feira, sendo cumpridos, até o momento, 17 prisões e quatro de busca e apreensão domiciliar pelas Polícias Civis em 15 municípios de oito estados brasileiros. O hacker, um jovem de 22 anos, está preso preventivamente. 

Vejas as cidades onde a operação ocorreu

  • Rio Preto da Eva – Amazonas;
  • Salvador – Bahia;
  • Caucaia – Ceará;
  • Caruaru – Pernambuco;
  • Belo Horizonte – Minas Gerais;
  • Betim – Minas Gerais;
  • São Francisco do Sul – Santa Catarina;
  • São Bernardo do Campo – São Paulo;
  • Colorado – Paraná;
  • Ponta Grossa – Paraná;
  • Santa Helena – Paraná;
  • Bauru – São Paulo;
  • Cubatão – São Paulo;
  • Itu – São Paulo;
  • Valparaíso – São Paulo.

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Veja fotos das prisões feitas na segunda fase da operação

Recuperação do patrimônio 

A primeira fase da operação recuperou aproximadamente US$ 40.000,00 em criptoativos, apreendeu um veículo avaliado em cerca de R$ 120 mil e fez um bloqueio judicial de até R$ 4,5 milhões. De acordo com a PCSC, aproximadamente R$ 1,5 milhão foi recuperado por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e outros procedimentos similares após a detecção da fraude.

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Os criminosos são investigados pelos crimes de furto mediante fraude praticado por meio eletrônico/informático, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas podem atingir até 21 anos de prisão e multa.

Operação Ghosthunters

“Ghosthunters” em inglês significa “caçadores de fantasmas”. No contexto policial, o termo faz referência à atuação das Polícias Civis na identificação e prisão de criminosos que praticam fraudes virtuais, por meio de identidades ocultas, e realizam transações financeiras digitais (como criptoativos), ou à própria natureza invisível dos crimes cibernéticos.

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