Menor do que muitos bairros de grandes cidades catarinenses, Pinheiro Preto, no Meio-Oeste de Santa Catarina, tem pouco mais de 3,5 mil habitantes, população inferior à de bairros como o Ingleses, em Florianópolis, ou a Velha, em Blumenau. Ainda assim, o pequeno município carrega um título de peso: é reconhecido como a “Capital Catarinense do Vinho” e concentra mais da metade da produção vinícola do estado.
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A relação da cidade com a uva e o vinho começou ainda no início do século passado, impulsionada pela chegada dos imigrantes italianos que se instalaram na região entre os anos de 1917 e 1921. Eles trouxeram na bagagem não apenas os costumes e a cultura, mas também as primeiras mudas de videiras e o conhecimento artesanal da produção vinícola.
Foi justamente nesse período que surgiram os primeiros parreirais da cidade. Um dos registros históricos mais conhecidos aponta que, em 1921, um imigrante italiano iniciou o cultivo da uva em Pinheiro Preto, atividade que rapidamente se espalhou entre as famílias da comunidade rural.
A produção inicialmente era artesanal e voltada ao consumo familiar, mas não demorou para ganhar escala. Um dos casos mais emblemáticos é o da família De Costa, que começou o plantio de uvas em 1919. Poucos anos depois, em 1925, os primeiros barris de vinho passaram a ser vendidos ao longo da estrada de ferro que ligava Santa Catarina a São Paulo, ajudando a abrir mercado para a bebida produzida no município.
Com o passar das décadas, a cultura da uva deixou de ser apenas uma tradição familiar e se consolidou como uma das principais bases econômicas da cidade. Atualmente, Pinheiro Preto concentra mais de 20 vinícolas e responde por mais de 50% da produção de vinho de Santa Catarina, índice que em alguns levantamentos chega próximo de 70% da produção estadual.
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Setor vive período de expansão histórica
Dados recentes divulgados com base em registros da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) mostram que o setor vitivinícola catarinense vive um período de expansão histórica. O número de vinícolas em Santa Catarina cresceu 29% desde 2020, fortalecendo ainda mais municípios tradicionais como Pinheiro Preto, que segue como uma das principais referências do segmento no estado.
O crescimento da produção ajudou a movimentar toda a economia local. Além da vitivinicultura, Pinheiro Preto também se destaca no cultivo de frutas de clima temperado, como ameixa, pêssego e maçã, além da bovinocultura de leite, suinocultura e empresas ligadas ao setor industrial, especialmente papel e celulose.
Mas o vinho continua sendo o maior símbolo cultural da cidade. Em muitas propriedades, a produção permanece familiar, passando de pais para filhos, mantendo técnicas tradicionais que atravessaram gerações. O município também vem fortalecendo o turismo ligado ao vinho, apostando no chamado enoturismo, com visitas a vinícolas, degustações e eventos temáticos ligados à colheita da uva.
Celebração da colheita da uva
Em 2026, Pinheiro Preto realizou sua primeira vindima oficial, transformando a colheita da uva em um grande evento cultural e turístico. A celebração marcou mais um capítulo da história construída pelos descendentes de italianos que, há mais de um século, encontraram no solo catarinense um lugar ideal para cultivar videiras e transformar a cidade em referência estadual na produção de vinhos.
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Além da força econômica, o município preserva um patrimônio histórico ligado à colonização e à antiga estrada de ferro São Paulo–Rio Grande. O próprio nome “Pinheiro Preto” surgiu durante a construção da ferrovia, quando trabalhadores identificaram uma araucária escurecida pelo fogo às margens do trajeto ferroviário.







