Foi em 1914 que a prática de adestrar pombos-correio ganhou status oficial no Brasil, com a criação do primeiro serviço das aves do Exército Brasileiro. Naquela época, os animais eram vitais para a comunicação em áreas remotas, sendo, inclusive, ferramentas essenciais nas expedições do Marechal Rondon, militar reconhecido por desbravar o interior do Brasil, instalar milhares de quilômetros de linhas telegráficas e criar o Serviço de Proteção ao Índio (SPI).

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A institucionalização do esporte ocorreu em 1932, com a fundação da Sociedade Columbófila Brasileira no Rio de Janeiro, e consolidou-se em 1942 quando o governo federal editou o Decreto-Lei nº 4.542, elevando o pombo-correio ao status de “servidor do Estado”. O decreto, contudo, foi revogado em 1991 pelo então presidente Fernando Collor de Melo.

Atualmente, essa prática evoluiu de uma ferramenta de comunicação para um esporte de alta performance, operado sob padrões de controle e segurança jurídica. O Brasil conta com 73 clubes oficiais registrados, coordenados pela Federação Columbófila Brasileira (FCB) e filiados à Federação Columbófila Internacional (FCI).

Em Santa Catarina, a columbofilia, arte e o desporto de criar, treinar e competir com pombos-correio, se mantém viva devido a alguns poucos criadores que, motivados pela paixão ao esporte, não o deixam cair no esquecimento. Ao menos é o que diz Paulo Roberto Eschberger, ex-piloto de avião que, aos 73 anos, cria cerca de 170 pombos-correio que leva para competir em várias cidades catarinenses.

O gaúcho vive há pouco mais de 30 anos na capital catarinense e é membro da Associação Amigos do Pombo-Correio (Assapoco), formalizada há pouco mais de dois anos. Fazem parte do grupo em Florianópolis outros 10 criadores, sendo que alguns não participam das competições.

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Na Ilha de Santa Catarina, as competições de pombos-correio já foram organizadas pela Federação Catarinense de Colombofilia (FCC), que chegou a ter sede própria no bairro Coloninha. Com o passar dos anos, porém, muitos criadores deixaram a atividade e o número de participantes diminuiu. Hoje, as provas são realizadas de forma mais enxuta, reunindo principalmente colombófilos da Grande Florianópolis.

Para manter o nível das disputas e ampliar o grupo, durante um período os criadores catarinenses chegaram a competir em parceria com o columbófilos de Curitiba. As solturas eram planejadas no sentido Oeste, em direção a cidades como São Miguel do Oeste e regiões próximas às divisas com Paraná e Rio Grande do Sul.

A escolha do trajeto tinha um objetivo técnico: garantir distâncias semelhantes entre o ponto de largada e os pombais no litoral, tornando a competição mais equilibrada.

Diferente das aves urbanas comuns, os pombos-correio brasileiros são atletas com rastreabilidade total, garantida pela conformidade com a Instrução Normativa nº 5/2018 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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Anualmente, são comercializadas em média 140 mil anilhas oficiais originais (FCB-BR/FCI), cujos números de série são gerados diretamente pelo sistema do Mapa. Essa integração tecnológica assegura que cada ave possua uma identidade única e rastreável desde o nascimento.

Como começaram as competições no Brasil

As primeiras competições, segundo Paulo Roberto Eschberger, começavam com a preparação da ave nos primeiros dias de vida. Com apenas uma semana, o filhote recebia uma anilha na pata — uma espécie de “RG” que traz número de identificação, ano de nascimento e país de origem do animal. É esse código que acompanhava o pombo por toda a vida esportiva e garantia o controle nas disputas.

Antes de cada prova, os criadores inscreviam seus animais informando o número da anilha, sexo e cor. Os pombos eram, então, acomodados em cestos e transportados de caminhão até a cidade definida no calendário da competição. A soltura só acontecia após conferência das condições climáticas. Um responsável avaliava o tempo no ponto de partida e ao longo da rota para autorizar ou não o início da prova, uma vez que vento e chuva podem alterar completamente o desempenho das aves.

Quando eram soltos, todos os pombos partiam ao mesmo tempo e seguiam sozinhos até seus respectivos pombais, na casa de seus criadores. Vencia não necessariamente o primeiro que chegava, mas o que apresentava a maior velocidade média, calculada a partir da distância percorrida e do tempo gasto no trajeto.

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Em provas de velocidade, os percursos costumam chegar a 350 quilômetros. No meio-fundo, alcançam cerca de 500 quilômetros. Já nas provas de fundo, que são as mais exigentes, as distâncias podem ultrapassar 800 quilômetros. Esses critérios continuam valendo até os dias atuais.

A forma de registrar a chegada evoluiu ao longo do tempo. No passado, utilizava-se o chamado método da borracha: cada pombo recebia uma pequena peça numerada presa à pata antes da largada. Ao retornar, o criador precisava capturá-lo rapidamente, retirar a borracha e inseri-la em um relógio mecânico lacrado que vinha da Alemanha ou da Suécia. O dispositivo registrava a hora, minuto e o segundo da chegada. Era um processo manual e que exigia agilidade.

E assim se fazia com os cinco, seis ou sete primeiros pombos que chegavam aos seus pombais. Depois, à noite, todos os criadores iam para a sociedade ou para a federação para fazer a apuração da corrida.

Tecnologia é aliada das competições atuais

Hoje, o sistema é eletrônico. Os pombos utilizam um chip preso à pata, vinculado à anilha de identificação. Ao cruzar a entrada do pombal, o dispositivo registra automaticamente o horário, sem necessidade de manusear a ave no momento da chegada. A apuração é feita de forma digital, com base no tempo registrado e na distância percorrida.

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As competições são divididas por categorias. Há campeonatos destinados a pombos jovens, geralmente com menos de um ano de idade, que disputam distâncias menores, entre 150 e 350 quilômetros. Já a categoria livre reúne aves adultas, que participam das provas de velocidade, meio-fundo e fundo ao longo da temporada, normalmente realizada entre os meses de junho e outubro no Brasil. Entre uma prova e outra, especialmente nas distâncias mais longas, os animais têm períodos de descanso que podem chegar a três semanas, garantindo a recuperação física.

Em Santa Catarina, as disputas costumam envolver criadores da mesma região, como é o caso daqueles estão na Grande Florianópolis. A proximidade entre os pombais é estratégica: grandes variações de localização poderiam favorecer determinados competidores, já que o vento influencia diretamente o desempenho das aves. A média de velocidade de um pombo-correio gira em torno de 70 a 75 quilômetros por hora, mas, com vento favorável, pode ultrapassar os 100 km/h.

Apesar da organização e do rigor técnico, a colombofilia brasileira não envolve grandes premiações em dinheiro. Os próprios criadores dividem os custos de transporte, combustível e pedágios, e os vencedores recebem medalhas e troféus pagos coletivamente. Diferentemente de países europeus, onde milhares de aves participam de uma única prova e as taxas de inscrição permitem premiações elevadas, no Brasil o que sustenta o esporte é, sobretudo, a paixão.

Infográfico mostra a competição e o treinamento das aves

Paixão que nasceu na infância

Ao NSC Total, Paulo contou que começou a criar pombos aos 11 anos, quando morava em Porto Alegre.

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— Quando eu era pequeno eu ganhei um pombo-correio do meu pai, que nunca criou pombo-correio, mas que colocou a sementinha em mim. E de lá para cá, eu não consegui me livrar mais dos pombos, virou paixão — diz ele, com carinho.

Depois de deixar Porto Alegre, Paulo morou por muito tempo em São Paulo, onde também participava de competições envolvendo pombos-correio. Lá, diz ele, há muitos criadores.

— Nós tínhamos cinco sociedades de criadores de pombo na Grande São Paulo. Então, quando era o campeonato com as provas mais longas, que se chamava Campeonato Paulistano, eram mais de 50 columbófilos participando juntos. Então, era muito bom. Meus grandes amigos eu fiz lá — relembra.

Paulo conta que já chegou a participar de competições com mais de quatro mil pombos-correio. Na cidade do Sudeste, ele conheceu criadores com mais de 500 pombos. Já em Porto Alegre, havia um idoso que possuía mais de 700 animais.

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A diferença do pombo competidor do pombo “de rua”

Os pombos, tanto os que participam das competições quanto os que vivem nas ruas, são todos indivíduos da mesma espécie, a Columba livia, segundo o ornitólogo, especialista no estudo das aves e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Guilherme Renzo Rocha Brito.

— A principal diferença é que animais de competição são de raças selecionadas há muitos anos por humanos, algo semelhante ao que fazemos com cachorros, gatos ou cavalos. Eles possuem certas características desejáveis para as competições, como velocidade e melhor capacidade de orientação — explica.

O especialista diz que, como esses animais são criados em ambientes controlados, eles possuem maior segurança biossanitária, uma vez que não é desejável para criadores e competidores que os animais estejam doentes ou mal cuidados.

— Eles são muito saudáveis. Existe um risco, mas como em qualquer outra espécie — diz ele.

Os maiores riscos estão ligados ao acúmulo das fezes e excrementos, que são propícios à proliferação de fungos e bactérias que podem causar infecções graves como salmoneloses (intoxicação alimentar), psitacose (febre dos papagaios), histoplasmose (infecção fúngica) e a criptococose (infecção pulmonar), além de doenças alérgicas.

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Por isso, os criadores tomam muito cuidado com a limpeza dos pombais. É o que explica Elias Santana, de 60 anos, que é tesoureiro da Federação Columbófila Brasileira (FCB). O criador tem em média 200 pombos-correio em Aracaju, divididos em três pombais.

Para ele, a limpeza é diária: poleiros, grades, piso e corredores são lavados com frequência, e os bebedouros e comedouros passam por higienização todos os dias, com bucha e detergente, para evitar o acúmulo de limo. Enquanto um conjunto seca ao sol, outro é utilizado, em sistema de revezamento. A ração também é armazenada em recipientes fechados, protegida contra umidade, mofo e traças.

Além da limpeza, os cuidados incluem vacinação e medicação preventiva contra doenças como tricomoníase, salmonelose e paramixovirose, esta última descrita por ele como uma das mais severas para os plantéis. Quando uma ave apresenta qualquer sinal de enfermidade, é imediatamente separada do grupo e mantida em gaiola isolada até a recuperação completa. O objetivo, segundo o criador, é evitar contaminações e preservar o desempenho dos animais nas competições.

A rotina, no entanto, é exigente. A manutenção constante demanda tempo e esforço físico — fator que, segundo ele, leva muitos criadores mais velhos a abandonar a atividade. Entre lavar estruturas, trocar utensílios, armazenar corretamente a alimentação e monitorar a saúde das aves, a colombofilia se sustenta menos na improvisação e mais na disciplina diária.

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— Há muitas desinformações sobre os pombos, e a gente combate elas direto. As pessoas dizem que pombos são “ratos de asa”, que causam doenças, causam “aquilo, aquele e outro”. Eu crio pombo há mais de 20 anos. Todos os dias, eu vou no pombal de manhã e à tarde. Tem pessoas que criam pombos há 50, 60 anos, e nunca um colombófilo adoeceu. É só cuidar. Pombo doente transmite doenças, sim, mas assim como um ser humano. Vá para um hospital, fique lá dentro com os doentes para ver se você não pega uma doença. O gato doente transmite doença, o cão doente transmite doença. Qualquer animal — defende ele.

Conheça os pombais e os prêmios acumulados pelos columbófilos

O cenário das competições no Brasil e no mundo

Se em Santa Catarina a colombofilia reúne somente alguns competidores, em Minas Gerais o cenário ganha outra escala. Segundo Paulo Roberto Eschberger, morador de Florianópolis e entusiasta do assunto, o estado mineiro concentra hoje o maior número de colombófilos do país.

— Tu vai em qualquer cidadezinha e encontra criador — afirma.

Em Conselheiro Lafaiete, região central de Minas Gerais, por exemplo, o volume de participantes é tão grande que as competições precisaram ser divididas em categorias equivalentes à primeira e à segunda divisão do futebol.

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A comparação não é por acaso. Lá, os resultados de uma temporada determinam o acesso ou o rebaixamento no ano seguinte. Os últimos colocados da primeira divisão descem, enquanto os melhores da segunda sobem. A divisão não é apenas simbólica: em algumas provas, sequer há espaço suficiente nos caminhões para transportar todos os pombos de uma só vez. A solução foi organizar o campeonato em níveis, profissionalizando ainda mais a disputa.

Para Paulo, o que acontece em Minas se aproxima do que já é tradição na Europa. Países como Bélgica, Portugal e Holanda realizam provas com 20 mil, 30 mil pombos soltos simultaneamente. Entre todas, uma se destaca como a mais emblemática do mundo: a corrida internacional com largada em Barcelona. A prova reúne aves da Bélgica, Inglaterra, Holanda, Alemanha, Luxemburgo e do norte da França. Todos partem juntos da cidade espanhola e seguem, cada um, rumo ao seu país de origem.

As distâncias variam de acordo com o destino final. Para alguns pombais, o trajeto gira em torno de 700 quilômetros; para outros, pode ultrapassar 1.200. Os holandeses, conta ele, são conhecidos pela preferência por aves de grande fundo, especializadas em maratonas aéreas acima de mil quilômetros.

Foi atrás dessa genética que o criador brasileiro atravessou fronteiras. Na época em que trabalhava como piloto de avião e fazia escala em Bruxelas, aproveitava as pernoites para visitar colombófilos da Bélgica e da Holanda. Em uma dessas viagens, foi até a casa de um competidor holandês reconhecido pelo desempenho em provas de longa distância. Voltou ao Brasil com um reforço: um pombo descendente de linhagens acostumadas a percorrer 1.100 ou 1.200 quilômetros. A ideia era fortalecer o sangue das suas aves.

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As táticas dos competidores

Durante a temporada de competições, machos e fêmeas disputam em igualdade. O desempenho, no entanto, pode ser influenciado pelo chamado “método de jogo”, estratégias adotadas pelos criadores para aumentar a motivação das aves. Há quem mantenha machos e fêmeas separados, no chamado celibato, e há quem utilize o método natural, com os casais juntos, acasalando e criando filhotes. Nesse sistema, o instinto reprodutivo vira estímulo competitivo: quando a fêmea está prestes a botar ou quando os filhotes estão para nascer, muitos criadores escolhem esse momento para inscrever o pombo na prova. A pressa de voltar ao ninho pode significar minutos preciosos no relógio.

Antes disso, porém, há um longo preparo. Após o período de muda das penas — fase em que os pombos descansam mais, voam menos e recebem alimentação reforçada com sementes oleaginosas — começa o ciclo de treinos. As aves passam a ser soltas diariamente, quase sempre no mesmo horário, para ganhar ritmo. No início, permanecem 30 ou 40 minutos no ar; à medida que adquirem forma física, podem voar por mais de uma hora. A alimentação também muda conforme o objetivo: mistura-se milho, ervilha, trigo, sorgo e outras sementes em proporções ajustadas ao tipo de prova, além do uso de suplementos naturais como alho, mel, limão e vinagre de maçã.

Com a forma física consolidada, começam os treinos externos. Os pombos são colocados em cestos e soltos a pequenas distâncias, como cinco, 10 ou 20 quilômetros em diferentes pontos da cidade e da região, para que se orientem por múltiplas rotas. Conforme a competição se aproxima, os treinos passam a seguir a mesma linha geográfica das futuras provas. Se a corrida oficial será rumo ao Sul do Estado, segundo Paulo, as solturas preparatórias são feitas nesse eixo, aumentando gradualmente a distância.

Paixão é o que motiva os criadores de pombos-correio

Para Paulo, a colombofilia começa e se trata também da liberdade. Diferentemente de um pássaro em gaiola, as aves passam o dia soltas.

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— A paixão é que o pombo-correio tu não precisa manter preso. Eu tenho dó de passarinho preso. Os meus, eu vou ali, solto, e o meu prazer é ver eles voarem — diz.

Os momentos mais simples são também os mais divertidos. Quando há filhotes aprendendo a voar, o espetáculo ganha improviso.

— Eles começam a fazer acrobacia no ar, um monte de pirueta. Eu fico dando risada sozinho aqui — descreve ele.

A cena, descrita com leveza por Paulo, mostra que o esporte não se resume a planilhas de tempo e velocidade, mas que há encantamento no “voo pelo voo”, paixão antiga do ex-piloto de avião. Para ele, contudo, nada se compara ao instante da chegada. Ele guarda na memória uma prova de cerca de 500 quilômetros, em disputa com criadores de Curitiba. O vento não era favorável naquele dia e ele esperava em casa, atento ao horizonte.

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— Eu vi dois pontinhos no céu mergulhando aqui para casa. Quando eles fecharam as asas e desceram em linha reta para a entrada do pombal, eu arrepiei os braços — conta ele.

Saber que aqueles pombos vinham de centenas de quilômetros de distância, guiados pelo treinamento e pelo vínculo com o ninho, transformou o pouso em vitória íntima, segundo ele:

— Depois eu ganhei essa prova, foi uma emoção muito boa.

É o mesmo instinto de retorno que aparece no relato de Elias Santana, membro da FCB em Aracaju. Para ele, não há dúvida:

— Se a intenção do pombo é vir para casa, ele vem. Tem filhote que a gente dá de presente e, quando pensa que não, é o filhote de volta.

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Foi assim com uma pombinha que ele havia dado a um amigo oito anos antes. O colega deixou de criar e repassou a ave a outra pessoa, que a perdeu. Oito anos depois, ela reapareceu no telhado do antigo dono. O episódio ocorreu na última semana. A ave tinha deixado para trás o macho e filhotes ainda dependentes.

— Ela que tinha que dar comida junto com o macho. Mas veio embora — comenta, em meio à risadas.

Ao ver a foto divulgada pelo atual criador que a procurava em grupos de columbófilos, ele reconheceu a antiga companheira na hora. Quando ela pousou no telhado do morador de Aracaju, primeiro se assustou com o cachorro da família e subiu para a caixa d’água da casa. Foi aí que Elias retirou o cão, abriu o pombal e assobiou, com o mesmo chamado de anos atrás.

— Demorou um pouquinho, e lá vem ela. Entrou no pombal e foi comer. Estava com fome e com sede — relembra.

No dia seguinte, devolvida ao dono atual, a pombinha escapou outra vez e retornou à casa de Elias.

— Se não prender, ela volta — avisou ele ao dono atual.

O bairro era próximo, mas a distância mais impressionante era o tempo. Oito anos depois, ela ainda sabia exatamente onde era casa do criador. Após retornar pela segunda vez, a esposa de Elias “amoleceu” o seu coração e pediu para que ele ficasse com a pombinha.

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— Ela me disse: “Não devolva, ela veio para cá, e gostou aqui. Dê outra pomba de presente para ele, e fica com ela”. Aí minha mulher me balançou. Eu já até olhei aqui na lista dos meus reprodutores, para ver uma ou outra pomba que eu tenho para quando ele vier, eu doar para ele. Ela vai ficar aqui — afirma convicto.