No dia 8 de maio deste ano, a Avenida Beira-Mar Norte, considerada uma das principais vias de Florianópolis, amanheceu com um trânsito caótico e filas que ultrapassaram quatro quilômetros. O motivo: furtos de fios que deixaram os semáforos inoperantes. Apesar da situação ter sido resolvida no mesmo dia, ela não é incomum na cidade: somente entre janeiro e junho deste ano, a Capital registrou 298 ocorrências do crime, de acordo com dados da Celesc, o que gera um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão por ano.

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No Estado, a região da Grande Florianópolis é a mais afetada por furtos de fios. Só no ano passado, foram 453 ocorrências. De acordo com Willian Carminattim, Gerente Regional da Celesc Florianópolis, entre os principais impactos sentidos pela população estão a interrupção no fornecimento de energia elétrica, prejuízos ao trânsito, aumento da sensação de insegurança pela falta de iluminação pública e impacto direto no comércio, com paralisação das atividades por falta de energia.

— É um crime que atrai muitas pessoas por ser considerado de execução relativamente fácil e por gerar retorno financeiro imediato. Os cabos furtados são vendidos a ferros-velhos, que muitas vezes compram esse material sem exigir procedência, alimentando o ciclo — detalha.

A Celesc não soube informar quantos metros foram furtados ao longo dos anos na Grande Florianópolis, pois o controle é feito com base na quantidade de ocorrências e nos locais afetados. Porém, o gerente salienta que, além do prejuízo financeiro, o crime também afeta o dia a dia das pessoas.

— Cada vez que uma equipe da Celesc precisa atuar para reparar um furto, ela deixa de atender outro chamado, ou seja, uma pessoa ou local que também precisa de energia acaba esperando mais. Esse impacto indireto é difícil de mensurar, mas causa prejuízo para toda a sociedade […]  Em alguns casos, os criminosos levam cerca de 60 metros (equivalente a um vão de rede monofásica). Em outros, a tentativa é frustrada e nada é levado. Também há situações em que o furto ocorre em cabos particulares, de responsabilidade do consumidor — exemplifica.

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Lei aumenta pena para crime de furto e roubo de fios no Brasil 

Para além de Santa Catarina, outros estados brasileiros também registraram casos durante o último ano. Segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), cerca de 100 toneladas de cabos e equipamentos foram furtados ou roubados no Brasil em 2024. Por isso, um projeto de lei, que aumenta a pena para quem furtar ou roubar cabos e equipamentos de energia e telefonia, foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 8 de julho e seguiu para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

A pena por furto, que atualmente é de um a quatro anos de reclusão, passará para dois a oito anos. No caso de roubo, ou seja, quando o crime envolver ameaça ou violência, a pena, que é de quatro a 10 anos de reclusão, será elevada entre um terço e metade. Se o roubo comprometer o funcionamento de órgãos que prestem serviços públicos essenciais, como saneamento básico e transporte, a pena passará a ser de seis a 12 anos.

Para a Celesc, a expectativa é de que haja uma redução desses crimes em Santa Catarina quando a lei for sancionada. 

— Especialmente com o reforço na atuação das forças de segurança pública sobre os receptadores desse material. O combate ao furto passa, necessariamente, pela fiscalização mais rigorosa dos locais que compram esse tipo de produto — diz Willian Carminattim, Gerente Regional da Celesc Florianópolis. 

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Os furtos de cabos, segundo a Celesc, são um problema multifatorial que envolvem não apenas a atuação da Celesc, mas também ações integradas de segurança pública, fiscalização comercial, políticas sociais e a participação ativa da sociedade. 

— Dentro de suas competências, a Celesc tem realizado parcerias com as forças de segurança, auxiliado na busca por possíveis receptadores e substituído os cabos de cobre por alumínio, um material de menor valor comercial, tornando os furtos menos atrativos. Além disso, a participação da comunidade é fundamental. Ao notar qualquer movimentação suspeita, denuncie. Acione a polícia pelo 190 e, em caso de falta de energia, contate a Celesc pelo 0800 048 0196, site ou aplicativo — conclui.

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