Se por fora ela impressiona, por dentro é possível constatar que o passar do tempo não foi suficiente para apagar detalhes trazidos com a construção em 1900. O casarão da Rua Alwin Schrader, na região central de Blumenau, está à venda por R$ 8 milhões e, para além do tamanho e da imponência do imóvel, carrega a história de gerações de uma família com sobrenomes até hoje conhecidos na região.
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Uma placa diante da casa tombada informa os curiosos: a propriedade pertenceu em 1920 a Joaquim Breves Filho, um engenheiro carioca que veio ao município para assumir o comando da construção da Estrada Ferroviária de Santa Catarina. Porém, cerca de dez anos depois, o dono já era outro. Oscar Barcellos, engenheiro e militar que também se mudou do Rio de Janeiro para atuar no planejamento da ferrovia catarinense, adquiriu o terreno de 19,6 mil metros quadrados.
Foi ele quem propôs o prolongamento da linha até Itajaí e em direção à Serra, mostram documentos. A importância do militar enquanto diretor foi tanta que a Estação Ferroviária de Rio do Sul fica na avenida que leva o nome dele. O sucesso do coronel, no entanto, não ficou restrito ao âmbito profissional. Casado, ele e Florence tiveram três filhas: Avany, Aracy e Iracema. Aracy morreu cedo. Já a primogênita teve o nome estampado no topo da casa, onde está escrito “Vila Iracema” (veja na galeria abaixo).
O estilo da casa, inclusive, é do tipo vila. Ou seja, uma residência bem aos fundos do terreno rodeada por jardins. Além do pátio com vagas para 100 carros, a área externa tem até lago privativo, construído pelo genro de Oscar, Oswaldo Moellmann. Por dentro, nos 220 metros quadrados construídos, estão sete salas, quatro quartos, três banheiros, cozinha e porão divididos em três andares.
Iracema se casou em 1932 com o empresário Oswaldo Arthur Moellmann e permaneceu morando no casarão com os pais. Da união vieram as filhas Aracy e Ignez. Avany também se casou e teve um filho. Dos três primos, apenas Ignez está viva. Aos 87 anos, ainda guarda boas lembranças do tempo em que morou na “Vila Iracema”:
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Veja fotos do casarão
— Lembro bem do meu avô. Ele era gentil, gostava muito da casa. Ela tinha um jardim muito bonito, com muita fruta — descreve.
Nos anos 1940, Ignez conta que a casa passou por uma grande reforma e mudou bastante. O tempo foi passando e, quem seguiu os passos da mãe foi a irmã dela, que permaneceu morando no local mesmo depois de casada. Aracy, o marido e os cinco filhos foram os últimos da família a permanecer no imóvel. Perto dos anos 1970, eles se mudaram para o Rio Grande do Sul. Àquela altura os pais dela já haviam falecido e Ignez havia ido embora para o Rio de Janeiro com o marido, com quem teve quatro herdeiros.
Vazio, o imóvel passou a ser alugado. Foi sede, inclusive, do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintex). Tanto a residência quanto o lago são tombados pelo patrimônio histórico do Estado, o que exige algumas exigências ao futuro dono, como preservá-lo. Ignez revela que a família tenta vendê-lo há mais de cinco anos, já que ela e os parentes não possuem mais ligação com Blumenau.
Apesar disso, têm carinho pela cidade onde nasceram. Mais informações sobre a venda da “vila Iracema”, que tem 421 metros quadrados de área construída, podem ser obtidas no site da imobiliária responsável.
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