Além do senador e líder do governo Lula no Senado Jaques Wagner (PT-BA), o banqueiro Augusto Ferreira Lima foi outro alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeita de fraude ligada ao Banco Master. O empresário é apontado como aliado de lideranças do PT na Bahia e teve uma espécie de carreira meteórica no setor financeiro e bancário.
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Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Augusto se formou em Economia em uma universidade particular baiana em 2002, chegou a trabalhar com venda de abadás para o Carnaval, mas nos anos seguintes fundou associações de servidores que prestavam serviços financeiros a funcionários públicos da Bahia.
A atividade o teria levado a uma aproximação de lideranças estaduais do PT — partido que governa o Estado desde 2006 — como os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner.
Veja nomes citados em conversas de Vorcaro
A ascensão de Augusto Lima, no entanto, começaria em 2018, quando ele teria participado da aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que era dona de uma rede de supermercados chamada Cesta do Povo. O negócio possuía um cartão de compras, o Credcesta, que permitia a aquisição de alimentos a servidores com desconto em folha de pagamento.
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O Credcesta foi o ativo de maior interesse de Augusto Lima na aquisição da estatal. Mais do que um cartão de compras, ele seria transformado em uma espécie de cartão consignado mais amplo, permitindo inclusive saques e serviços financeiros de empréstimo. O acesso ao desconto na folha de pagamentos seria um dos principais atrativos — e é também alvo de suspeitas que envolvem possível favorecimento por parte de agentes públicos baianos na compra da estatal que permitiu as negociações futuras.
Sociedade com Banco Master
Foi a busca por bancos que permitissem ampliar o alcance do Credcesta pelo país que teria aproximado Augusto Lima do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O Master teria se interessado no modelo de negócio do empresário baiano e ajudado a expandir o Credcesta com oferta de consignados e serviços financeiros em todo o país. A expansão do negócio deu certo a ponto de Lima se tornar sócio de Vorcaro no Banco Master. Em 2025, os dois romperam a sociedade.
No distrato, coube a Lima ficar com o Banco Voiter, que fazia parte do ecossistema do Master e foi transformado pelo empresário baiano em Banco Pleno, já em junho de 2025. O Pleno foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro deste ano, por suposta falta de liquidez para honrar compromissos firmados e descumprimento de normas do sistema financeiro.
Augusto Lima já havia sido preso preventivamente na mesma operação em novembro do ano passado, mas foi solto semanas depois mediante o compromisso de uso de tornozeleira eletrônica.
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O que diz a defesa
A defesa de Augusto Lima divulgou nota após a operação desta quinta-feira (18) afirmando que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.
Também defendeu que “os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos” e que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
* Com informações de portal g1 e Folha de S.Paulo








