Uma rotina marcada por disciplina, longas horas de estudo e um objetivo bem definido levou a estudante Beatriz Decui, de 17 anos, de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a conquistar 980 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Aluna de escola pública durante toda a vida escolar, ela cursou o ensino médio na Escola de Educação Básica Bom Pastor e viu o resultado como a confirmação de que o esforço diário foi determinante para chegar a uma das notas mais altas do exame.

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Beatriz começou a se preparar de forma mais intensa para o Enem no início do ano passado, quando estava no terceiro ano do ensino médio. A organização da rotina era fundamental para dar conta de todas as atividades.

— Eu comecei a estudar para o Enem no início do ano passado. Estudava cerca de oito horas por dia. De manhã eu ia para a escola, das 7h45min às 11h45min. À tarde eu tinha meus momentos de estudo e, à noite, eu ia para o cursinho pré-vestibular, das 18h50min às 22h30min — relata.

Mesmo com a agenda cheia, a estudante mantinha um planejamento rígido, especialmente quando o assunto era redação. Segundo ela, a produção textual exigia constância e estudo direcionado.

— Eu fazia uma redação por semana e sempre deixava, pelo menos, duas horas da semana só para estudar repertórios, produção de texto e estrutura da redação — conta.

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O tema proposto pelo Enem, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, trouxe um desafio inesperado no momento da prova. Beatriz lembra que, apesar de já ter treinado diversos assuntos, nunca havia escrito especificamente sobre “perspectivas”.

— Foi um choque no início, porque eu poderia acabar escrevendo algo que não tivesse a ver com o tema. Fiquei com medo de errar, mas tentei manter a calma, porque eu sabia que as ideias iam surgir — lembra.

Com o passar do tempo e o desenvolvimento do texto, a insegurança deu lugar à confiança:

— No decorrer da prova, eu consegui desenvolver a redação e saí bem confiante.

Ainda assim, o resultado final superou qualquer expectativa. A nota foi descoberta de forma inesperada, durante a madrugada, quando acessou o sistema com os resultados.

— Foi uma surpresa muito grande. Eu estava confiante, mas não sabia que a nota ia ser tão alta. Quando eu entrei no site e vi o resultado, fui correndo acordar meus pais para contar. Foi uma explosão de alegria. Nem eu sabia que era capaz de tirar 980 pontos — relembra.

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Sonho de cursar medicina

Com o desempenho, Beatriz já utiliza as notas nos processos seletivos para ingresso no ensino superior. O principal objetivo é o curso de medicina na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). A segunda opção é a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mesmo diante da concorrência elevada, ela afirma que está preparada para continuar tentando, se necessário.

— Caso eu não consiga passar este ano, vou continuar estudando, levando tudo o que deu certo para 2026 e aprimorando os meus erros — afirma.

A escolha pela medicina surgiu ainda no segundo ano do ensino médio, motivada por experiências pessoais marcantes.

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— Foram acontecimentos pessoais, tanto com amigos quanto com familiares, que foram se acumulando. No segundo ano eu percebi que queria fazer medicina, porque acredito que o meu propósito é ajudar os outros, assim como ajudaram as pessoas ao meu redor — conclui.

Beatriz Decui
Aluna da Escola de Educação Básica Bom Pastor, Beatriz sonha em cursar medicina em universidade federal (Foto: Arquivo Pessoal, Divulgação)