No dia 23 de março é aniversário da capital catarinense, mas também é tempo de celebrar um vocabulário que atravessa gerações e segue vivo nos bairros, nas praias, nas conversas de calçada, no Mercado Público e dentro de casa. Por isso, preparamos este pequeno dicionário de palavras e expressões para quem nasceu na Ilha, para quem escolheu viver aqui e também para quem ainda está tentando descobrir o verdadeiro significado de ouvir um “ô, seu istepô” dito no tom certo.

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Abobado

Pessoa tida como boba, distraída ou um pouco ‘’sem noção’’. Pode ser usada como uma bronca leve ou de forma bem-humorada entre pessoas próximas. Em Florianópolis, nem sempre tem peso ofensivo e muitas vezes aparece em tom de intimidade e brincadeira.

Arrombassi

Expressão de aprovação, usada para elogiar alguém que se destacou, acertou em cheio ou simplesmente “mandou bem”. Funciona como um “parabéns”. Mas, como acontece com muitas palavras do manezês, também pode aparecer em tom irônico, dizendo justamente o contrário.

Cabreiro

Pessoa desconfiada, ressabiada, que percebe que há algo estranho no ar e prefere observar antes de se envolver. A palavra costuma traduzir bem esse estado de atenção e cautela diante de uma situação.

Coza másh quirida

Jeito manezinho e carinhoso de elogiar algo ou alguém. Pode se referir a uma pessoa, a uma paisagem, a uma comida ou até a uma cena do dia a dia. A expressão carrega delicadeza, entusiasmo e esse orgulho ilhéu tão presente no falar da Ilha.

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Dazumbanho

Forma de elogio usada para dizer que alguém se saiu muito bem em alguma coisa. Equivale a um “arrasou” ou “deu um show”. Costuma aparecer em contextos descontraídos, marcando aprovação de um jeito leve, bem-humorado e cheio de identidade local.

Istepô

Uma das palavras mais versáteis do vocabulário manezinho. Pode expressar irritação, deboche ou impaciência, além de ser usada para se referir a alguém inconveniente, chato ou atrapalhado. Como acontece com tantas expressões da Ilha, tudo depende do contexto e, sobretudo, da entonação.

Manezinho

Mais do que um gentílico popular para quem nasceu em Floripa, a palavra também se tornou uma marca de identidade cultural. Ela traduz um jeito próprio de falar, de brincar, de enxergar a cidade e de se reconhecer nela. 

Mofas com a pomba na balaia

Expressão clássica usada para dizer que alguém vai esperar à toa. Indica que algo prometido ou desejado dificilmente vai se concretizar. É também um dos exemplos mais marcantes do humor imagético e bem-humorado presente no vocabulário manezinho.

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Na casa do chapéu

Lugar muito distante, afastado de tudo, difícil de chegar. A expressão é usada para exagerar distâncias e reforçar a ideia de que certo endereço ou destino fica longe demais.

Raça

No falar popular de Florianópolis, pode se referir a um grupo de pessoas, uma turma ou um conjunto de amigos e conhecidos. 

Segue reto toda a vida

Mais do que uma simples orientação, a expressão funciona quase como uma filosofia informal de deslocamento. É usada para indicar que o caminho segue em linha reta, quase sempre com a segurança de quem acredita ter explicado tudo. Nem sempre explicou.

Tanso

Normalmente não é um insulto pesado. Muitas vezes aparece em tom de brincadeira, entre amigos ou familiares, para falar de alguém que fez algo meio sem pensar ou que demorou a perceber alguma coisa.

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Este pequeno dicionário está longe de dar conta de toda a riqueza do falar manezinho. Florianópolis guarda muito mais palavras, variações, entonações e sentidos do que caberia em qualquer lista. Mas basta prestar atenção para perceber que a cidade também vive na fala de quem a habita.