Santa Catarina viveu neste domingo (1º) o maior simulado de preparação para desastres já realizado no Brasil. Coordenada pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SPDC), a mobilização reuniu 294 municípios, que testaram, ao longo do dia, protocolos de resposta a enchentes, deslizamentos, enxurradas, acidentes com produtos perigosos e até rompimentos fictícios de barragens.
Continua depois da publicidade
Desde as 8h, o Estado operou em modo de resposta plena. As primeiras ocorrências simuladas começaram a ser registradas e enviadas à estrutura estadual ainda pela manhã. Às 9h20min, um alerta de emergência foi disparado por tecnologia Cell Broadcast, alcançando celulares conectados às redes 4G e 5G em todo o território catarinense.
Ao longo do dia, equipes municipais e estaduais colocaram em prática planos de contingência, com evacuação de áreas de risco, abertura de abrigos temporários, resgates e reuniões estratégicas para avaliar impactos simulados.
— O simulado cumpriu plenamente seus objetivos e demonstrou a capacidade de articulação do nosso sistema estadual de proteção e defesa civil. Conseguimos testar protocolos, validar fluxos de informação e integrar Estado e municípios em um cenário complexo — afirmou o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt.
Veja como foi o primeiro simulado
Continua depois da publicidade
Cenários críticos em todas as regiões
Cada município trabalhou com ocorrências previamente definidas, de acordo com os principais riscos mapeados na região. Em Morro da Fumaça, por exemplo, o exercício incluiu protocolos para proteção de animais de estimação em situações de emergência. Já Planalto Alegre simulou resposta a chuvas de granizo.
Ocorrências com produtos perigosos também foram testadas. Em Barra Velha, o cenário envolveu um acidente de trânsito com múltiplas vítimas. Já em Maravilha, a simulação ocorreu em uma agroindústria, com aplicação de protocolos de isolamento e atendimento especializado.
A abertura e gestão de abrigos temporários foram trabalhadas em cidades como São José do Cerrito, que realizou resgates e estruturou atendimento a famílias desalojadas.
Em Tubarão, o cenário simulou o soterramento de uma vítima em área de difícil acesso, com operações de salvamento em altura e atuação integrada das forças de segurança e da Defesa Civil. O município também reforçou a divulgação do plano de contingência e dos locais de abrigo.
Continua depois da publicidade
Teste estratégico nas barragens do Alto Vale
Uma das etapas mais estratégicas do simulado foi o fechamento monitorado das comportas das barragens de contenção de cheias no Alto Vale do Itajaí.
Na barragem de Ituporanga, a operação foi realizada de forma remota, diretamente da sede da Defesa Civil estadual. Após reforma e modernização recentes, a estrutura passou a operar por sistema remoto, permitindo controle à distância, com maior precisão e segurança.
Já em Taió, a manobra foi executada presencialmente pelas equipes técnicas durante o exercício. A barragem de José Boiteux também deve passar por reforma e modernização ao longo do ano, com previsão de adoção do sistema remoto após a conclusão das intervenções.
Segundo o secretário Mário Hildebrandt, o fechamento total das comportas durante o simulado comprovou a capacidade operacional das estruturas e o nível de prontidão das equipes. A ação envolveu monitoramento em tempo real, registros técnicos e comunicação permanente entre os centros de comando.
Continua depois da publicidade
Integração e próximos passos
Além das atividades em campo, o exercício incluiu reuniões setoriais, regionais e mesorregionais com representantes dos Grupos de Ações Coordenadas (GRACs), coordenadorias regionais, Corpo de Bombeiros Militar, polícias, secretarias municipais e a Rede Estadual de Emergência de Radioamadores.
O simulado também contou com observadores de órgãos estaduais e federais, como o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que acompanharam as ações para alinhar procedimentos e trocar experiências.
Encerradas as atividades às 17h, os dados encaminhados pelos municípios serão consolidados pela equipe técnica da SPDC em um relatório oficial, que deve reunir aprendizados, boas práticas e pontos de aprimoramento nos planos de contingência.
A próxima edição do Simulado Geral de Gestão de Desastres já tem data marcada para o dia 7 de março de 2027. A expectativa do governo estadual é ampliar ainda mais a participação e consolidar o exercício como referência nacional em preparação para eventos extremos.
Continua depois da publicidade













