Notebooks, tablets e smartphones se tornaram os principais suportes para o estudo e o lazer nos últimos, mas estudos coordenados por pesquisadores europeus indicam que o hábito de trocar as telas por livros físicos provoca um estímulo neurológico e ergonômico completamente diferente, favorecendo a memória e a interpretação de textos complexos.

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O fenômeno é alvo de uma rede de pesquisa internacional chamada E-READ (Evolution of Reading in the Age of Digitisation), liderada pelos acadêmicos Anne Mangen e Adriaan van der Weel. O grupo estuda as consequências de longo prazo da digitalização e defende que o cérebro humano processa a informação de maneira distinta dependendo do material em que ela é apresentada.

O cérebro lê com o corpo inteiro

Segundo os pesquisadores, ao contrário do que se imagina, o ato de ler não envolve apenas a visão e a neurociência cognitiva demonstra que a leitura é um processo corporificado (embodied cognition). Ou seja, isso significa que o peso do volume nas mãos, a textura das folhas e o ato físico de virar as páginas dão ao cérebro pistas cruciais.

COm essas pistas, o leitor sabe exatamente em que ponto da narrativa está, facilitando a fixação cronológica dos fatos e a retenção do conhecimento na memória de longo prazo. Quando o leitor migra para o ambiente digital, onde o texto é infinito e desliza pela tela verticalmente, essa referência física se perde, o que pode tornar a absorção do conteúdo mais superficial, de acordo com os pesquisadores.

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O resgate da “leitura profunda”

Especialistas apontam que a leitura em dispositivos digitais frequentemente disputa a atenção com notificações, hiperlinks e outros estímulos visuais e as pessoas que utilizam esses dispositivos para ler correm o risco de perder a habilitade de analisar criticamente um argumento longo, refletir sobre metáforas e fazer conexões intelectuais complexas.

Por outro lado, o livro físico faz que a leitura fique em um ambiente isolado de distrações. Cientistas como Maryanne Wolf e Naomi Baron, citados na literatura da área, alertam que o resgate do papel é fundamental para preservar a capacidade humana de realizar a chamada “leitura profunda”.

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