Quando o BYD F3 chegou às ruas da China, em 2005, era difícil olhar para o sedã sem pensar em outro carro. Os faróis, as proporções da carroceria e boa parte do desenho remetiam diretamente ao Toyota Corolla vendido no começo dos anos 2000.
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A semelhança era tão evidente que o modelo ganhou fama de “Corolla chinês”. Naquele momento, porém, poucas pessoas imaginariam que a fabricante por trás daquela imitação se tornaria, duas décadas depois, uma das maiores ameaças ao domínio mundial da Toyota.
O F3 não era elétrico, não tinha uma plataforma revolucionária e tampouco tentava reinventar o automóvel. Sua fórmula era bem mais simples: oferecer o visual familiar de um sedã japonês por uma fração do preço.
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A estratégia funcionou. O carro deu à BYD aquilo que uma montadora novata mais precisava: volume de produção, presença nas ruas e dinheiro para continuar crescendo.
Antes dos carros, a BYD fabricava baterias
A história da BYD não começou sobre quatro rodas. Fundada em Shenzhen na década de 1990, a empresa construiu sua reputação produzindo baterias recarregáveis para aparelhos eletrônicos. Entre seus clientes estavam fabricantes como Motorola e Nokia.
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A entrada no setor automotivo aconteceu somente em 2003. A intenção de Wang Chuanfu, fundador da empresa, era unir a experiência acumulada com baterias à produção de veículos.
O problema era que desenvolver um carro completamente novo exigia tempo, dinheiro e conhecimento que a companhia ainda estava construindo. A saída encontrada foi estudar produtos consolidados e reproduzir algumas de suas soluções por um custo menor.
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O carro que colocou a BYD nas ruas
Lançado em 2005, o F3 tornou-se o primeiro grande sucesso comercial da divisão automotiva da BYD. Segundo a própria fabricante, o sedã ultrapassou a marca de 1 milhão de unidades vendidas somente na China.
Mais importante do que a aparência do carro foi o aprendizado proporcionado por sua produção em larga escala. A BYD passou a controlar melhor custos, fornecedores, fábricas e desenvolvimento de componentes.
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O F3 também ajudou a companhia a deixar de ser vista apenas como uma fabricante de baterias que tentava produzir automóveis. A BYD finalmente possuía um modelo conhecido pelo público e circulando em grandes números.
A empresa ainda estava distante da sofisticação de Toyota, Volkswagen e General Motors. Mas já havia encontrado uma porta de entrada para um dos maiores mercados de automóveis do mundo.
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A transformação começou com o próprio F3
Três anos depois do lançamento do sedã convencional, a BYD apresentou o F3DM. A versão combinava motor a combustão, propulsão elétrica e uma bateria que podia ser recarregada externamente.
A fabricante apresenta o F3DM, lançado em dezembro de 2008, como o primeiro automóvel híbrido plug-in do mundo disponibilizado comercialmente. Independentemente da disputa por esse pioneirismo, o modelo mostrava que a BYD começava a seguir um caminho próprio.
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A empresa que havia utilizado um carro da Toyota como referência passou a investir pesadamente em baterias, motores elétricos, semicondutores e plataformas próprias.
Quando a Toyota procurou a chinesa
A maior ironia dessa história surgiu anos depois. Em abril de 2020, Toyota e BYD criaram uma empresa conjunta para pesquisar e desenvolver veículos elétricos, plataformas e componentes.
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Batizada de BYD Toyota EV Technology, a companhia nasceu com participação dividida igualmente entre as duas fabricantes. Cada uma ficou com 50% do negócio.
O acordo mostrava o quanto a relação havia mudado. A BYD já não era somente a fabricante chinesa que produzia um sedã parecido com o Corolla. Ela havia se tornado dona de tecnologias que interessavam à maior montadora do planeta.
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Um dos resultados mais claros dessa aproximação foi o Toyota bZ3, sedã elétrico desenvolvido para o mercado chinês. O modelo combina uma bateria de lítio-ferro-fosfato fornecida pela BYD com sistemas de eletrificação e controle desenvolvidos pela Toyota.
De imitadora a concorrente global
O BYD F3 não transformou sozinho a empresa em uma potência. Mas o sedã permitiu que a companhia aprendesse a fabricar carros em grande escala enquanto desenvolvia as tecnologias que acabariam diferenciando seus produtos.
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A BYD absorveu referências de empresas tradicionais, reduziu custos e utilizou seu conhecimento em baterias para avançar justamente quando a indústria começou a migrar para os automóveis eletrificados.
A Toyota continua sendo maior, mais lucrativa e muito mais presente globalmente. A chinesa ainda precisa enfrentar barreiras comerciais, uma forte disputa de preços em seu país e a resistência de vários mercados aos automóveis vindos da China.
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