Em pouco mais de uma década, uma pequena propriedade rural de Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, passou por uma transformação que parecia improvável. O que antes era uma atividade de baixa produtividade, com apenas oito vacas e muitas dificuldades estruturais, tornou-se uma referência estadual em produção leiteira, reunindo tecnologia, gestão, sustentabilidade e sucessão familiar.
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A virada começou em 2016, quando a família Siqueira passou a receber assistência técnica da Epagri. Até então, a realidade era outra.
As vacas precisavam caminhar cerca de dois quilômetros entre a pastagem e a sala de ordenha, o que comprometia o bem-estar dos animais e a rotina da família. A produção era modesta, entre oito e dez litros por vaca ao dia, enquanto as pastagens anuais exigiam novos investimentos todos os anos e aumentavam o custo da atividade.
Quase dez anos depois, o cenário é completamente diferente. Hoje, Jaime e Darvilete Siqueira administram um rebanho de 100 animais, sendo 52 vacas em produção. Em 2025, a propriedade alcançou quase 300 mil litros de leite produzidos ao longo do ano, com faturamento bruto próximo de R$ 750 mil.
Mas a mudança não aconteceu de uma vez.
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A decisão que mudou o rumo da propriedade
A principal transformação ocorreu quando a família abandonou o modelo tradicional e adotou um sistema de produção baseado em pastagens perenes e manejo rotacionado.
Em vez de replantar o pasto todos os anos, os produtores passaram a investir em áreas permanentes, divididas em piquetes, onde as vacas fazem rodízio entre os locais de pastejo. O sistema garante alimento de melhor qualidade durante praticamente todo o ano, melhora o aproveitamento das áreas e reduz custos.
Ao mesmo tempo, a família passou a adotar controle leiteiro, planejamento nutricional, melhoramento genético e um sistema mais eficiente de criação das bezerras. O conjunto de mudanças elevou a produtividade e ainda reduziu em cerca de 10% os custos de produção nos últimos cinco anos.
Investimentos foram acontecendo etapa por etapa
Ao longo da transformação, a família acessou diferentes programas públicos de incentivo, sempre com projetos elaborados pela Epagri. O primeiro investimento foi a construção de uma nova sala de ordenha próxima às áreas de pastagem, eliminando o longo deslocamento diário dos animais.
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Na sequência vieram a implantação dos piquetes, o sistema de abastecimento de água para todas as áreas de pastejo, um barracão para alimentação do rebanho, o plantio de eucaliptos para fornecer sombra aos animais, uma cisterna com capacidade para armazenar 300 mil litros de água da chuva, um poço artesiano e um sistema de geração de energia solar.
Mais recentemente, a propriedade também recebeu uma sala de espera para as vacas e novos silos destinados à produção de silagem.
Ao todo, foram mais de 100 atendimentos técnicos e oito acessos a políticas públicas, somando cerca de R$ 125 mil em apoio financeiro para investimentos.

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Estiagem colocou produção de leite em perigo
Nem mesmo a forte estiagem registrada na região interrompeu a evolução da propriedade. Durante o período mais crítico, a falta de água obrigou a prefeitura a abastecer a fazenda com caminhões-pipa para atender tanto o rebanho quanto a limpeza das instalações.
A experiência fez a família acelerar investimentos em segurança hídrica, construindo uma grande cisterna para captação da água da chuva e perfurando um poço artesiano, garantindo maior independência para enfrentar novos períodos de seca.

Gestão familiar virou um diferencial
Além das mudanças no campo, a profissionalização da gestão também contribuiu para a evolução da propriedade. Formada em Processos Gerenciais, Darvilete assumiu o controle financeiro da atividade, participando do planejamento dos investimentos e do acompanhamento dos resultados.
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Na rotina da família, todos conhecem cada etapa da produção e participam das decisões, permitindo que o trabalho seja dividido e planejado de forma conjunta.
O futuro já está sendo preparado
A sucessão familiar também deixou de ser uma preocupação. O filho mais velho, Jacson Siqueira, de 21 anos, decidiu permanecer no campo e já participa ativamente da gestão da propriedade. Depois de concluir o curso Ação Jovem Rural, da Epagri, também fez formação técnica em Zootecnia e hoje responde por parte do manejo do rebanho, alimentação dos animais, manejo das pastagens e manutenção da estrutura da fazenda.
O objetivo é dar continuidade ao trabalho iniciado pelos pais e ampliar ainda mais os índices de produtividade.
Referência para outros produtores
O desempenho fez com que a propriedade fosse transformada em uma Unidade de Referência Técnica da Epagri, recebendo visitas frequentes de agricultores interessados em conhecer o modelo adotado pela família.
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Para Jaime e Darvilete, a maior conquista não está apenas no crescimento da produção, mas na qualidade de vida conquistada ao longo dos últimos anos.
Agora, o próximo sonho é construir uma casa dentro da própria propriedade, onde ainda não moram e aumentar a produtividade dos atuais 12,5 mil litros por hectare para cerca de 18 mil litros.




