O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã iniciado há duas semanas já deixou mais de 1,2 mil mortos e impôs uma rotina de apreensão a moradores de países do Oriente Médio e familiares por todo o mundo, incluindo cidades de Santa Catarina. O confronto ainda abalou as relações entre países e trouxe diferentes ameaças econômicas, incluindo a SC e ao Brasil.
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Tabela de conteúdos
- O drama de familiares em SC
- Os reflexos para libaneses
- Veja fotos do conflito
- Guerra causa prejuízos em preços de combustíveis e alimentos
- Os impactos sobre alimentos
- Tensão ameaça exportações de SC ao Oriente Médio
- Juros e desdobramentos no dólar
- As motivações dos ataques
- Conflito no Irã pode virar guerra global?
- Linha do tempo do Irã pós-Segunda Guerra
- Veja mapa do conflito
O drama de familiares em SC
A dimensão humana é o principal drama da guerra no Irã. O empresário Maziyar Karimi, dono de um restaurante e rosto conhecido em Blumenau, tem pai, mãe, irmãs e mais familiares morando em Teerã, capital do Irã. Desde o início dos ataques, eles precisaram se mudar para um apartamento em outra cidade, alugado pela família para conseguirem fugir neste tipo de ocasião. A internet está cortada, como costuma ocorrer em situações de ataques no país, o que dificulta a comunicação com os familiares.
Como a família já passou por outros conflitos, como a guerra do Irã com o Iraque, costuma estocar mantimentos, o que tem evitado transtornos. Apesar disso, em mercados iranianos o conflito afeta o abastecimento, conforme os relatos dos familiares. Segundo Maziyar, os ataques trazem para ele um sentimento de tristeza em razão das mortes, mas também de esperança de uma possível derrubada do regime local, mudança defendida por ele.
— Antes mesmo desses ataques, enquanto o povo estava indo para as ruas, minha irmã relatou um clima de luto geral em virtude das mortes pelo governo. Todos conheciam alguém que tinha perdido a vida — conta.
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Também dono de restaurante com temática persa, mas em Florianópolis, o empresário Mohammad Nezhad, de 45 anos, permanece há duas semanas sem contato com pais, irmãos e amigos que moram no Irã após os primeiros ataques do dia 28 de fevereiro. Como a cidade em que a família mora fica um pouco distante das áreas de conflitos, ele ficou mais tranquilo
— O sentimento é complicado, de preocupação e medo pelo meu povo, minha família, meu país. Mas ao mesmo tempo estamos com esperança de que o regime caia e isso seja melhor para o povo — opina.
Além do abalo emocional com a falta de informações, Mohammad ainda sofre com as incertezas dos impactos da guerra com a exportação de ingredientes, já que há obstáculos logísticos para que os temperos e insumos usados no estabelecimento dele cheguem do país natal até Santa Catarina. Nesta semana, ele recorreu a uma distribuidora em Dubai, nos Emirados Árabes, para suprir a necessidade.
Mohammad começou a visitar o Brasil em 2018 e se mudou definitivamente em 2022. No ano passado, decidiu apostar em um restaurante de culinária iraniana.
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— Todos que estamos aqui, além de amigos que estão em outros países, estamos com o celular e sempre atualizamos as notícias para ver o que está acontecendo — afirmou.
Os reflexos para libaneses
Após os ataques ao Irã, o grupo Hezbollah, que atua a partir do Líbano e recebe apoio iraniano, atacou Israel como forma de retaliação. Em resposta, o governo israelense também fez disparos contra o Líbano. Os bombardeios que ganharam caráter regional no Oriente Médio impactaram também familiares do advogado e cientista político Ali Mustapha Ataya, morador de Gaspar, no Vale do Itajaí.
Tios e primos dele viviam da agricultura e moravam no Sul do Líbano, região que sofre com a tensão por ter áreas ocupadas por Israel. Tiveram que sair do território ainda em outubro de 2023, quando teve início a guerra com de Israel com Gaza e as ações contra a área utilizada pelo Hezbollah.

— Se ficassem ali, morreriam. Tive primos do meu pai que eram socorristas e morreram em bombardeios — conta.
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Agora, mesmo instalados em Tiro, região no litoral Sul do Líbano e até então livre de ataques, tiveram que se mudar novamente e partir para a região de Monte Líbano, a cerca de 100 quilômetros, alugando moradias em uma área de menor risco de ataques israelenses.
— Para quem tinha reserva financeira, ela já se esgotou. Eles se ajudam entre eles. A gente consegue ajudar vez ou outra, enviando algum auxílio. É uma situação bem calamitosa. O contato com eles é muito parcial, às vezes eles estão em região que não tem acesso, é uma situação tensa. A gente vive em estado de tensão, de notícia sobre mortes de conhecidos — conta.
O advogado nasceu no Brasil, mas integra um grupo de famílias que vieram em grande número para cidades como Gaspar e Itajaí até a década de 1990. Com a crise no setor têxtil, atividade profissional principal em solo catarinense, alguns familiares se mudaram para o Paraná e outros voltaram para o Líbano. Ali afirma não ver horizonte de que o conflito se resolva no curto prazo. Apesar disso, torce para que na esteira da negociação para dar fim ao confronto o Líbano consiga mais garantias com o vizinho Israel.
— A esperança é conseguir alguma vantagem em futura negociação, para que Israel recue e respeito o cessar-fogo — avalia.
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Veja fotos do conflito
Guerra causa prejuízos em preços de combustíveis e alimentos
O novo conflito desencadeado no Oriente Médio pelo embate de Estados Unidos e Israel contra o Irã resultou na morte de lideranças iranianas, como o ex-líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia de bombardeio, retaliações iranianas, como ataques a bases americanas em países vizinhos e navios petroleiros do Golfo Pérsico, além de perdas e aflição a moradores locais e familiares. Mas os efeitos dos ataques, assim como a angústia, vão além das fronteiras e ameaçam atingir a vida real de catarinenses e brasileiros também na economia.
Uma das consequências do conflito já sentida nas duas primeiras semanas ocorre no custo do combustível. O preço do barril do petróleo disparou no mercado internacional e passou da faixa de 80 dólares antes dos ataques para atingir 120 dólares na segunda-feira (9) — o maior valor desde abril de 2022, quando teve início a guerra na Ucrânia. O valor diminuiu ao longo da semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra terminaria “em breve”, mas voltou a passar de 100 dólares na quinta-feira (12) após ataques a navios de petróleo.
Os principais motivos para o impacto nos preços são a queda na produção de petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz, canal estratégico para transporte do óleo e praticamente fechado desde 28 de fevereiro, quando ocorreram os primeiros ataques contra os iranianos.
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Por enquanto, a alta no preço do petróleo ainda não se refletiu em aumento direto na gasolina para motoristas de SC, mas já teve impacto no diesel. A pesquisa mais recente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgada no início da semana, revelou o preço médio da gasolina em R$ 6,51 em SC, mesmo patamar desde o início do ano. Já o diesel teve elevação, passando de R$ 6,11 para R$ 6,17 na primeira semana de março. Ao longo desta semana, no entanto, postos visitados pela reportagem em Blumenau e Florianópolis já mostravam o preço do diesel comum acima de R$ 7,50, um aumento-relâmpago que é resultado direto do conflito no Oriente Médio.
A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) informou em evento do setor nesta semana em Florianópolis que o diesel já subiu entre R$ 2 e R$ 3 por litro nas bombas de sete estados brasileiros.
O motivo da alta repentina seria o fato de que algumas distribuidoras já estariam recebendo quantidades menores em razão da escassez do produto e, por isso, teria equilibrado as vendas aos postos. Para quem acompanha o setor, a avaliação é de que uma continuação do conflito deve resultar em aumentos em um curto prazo.
— Eu tenho certeza absoluta de que se a guerra não terminar logo, nós vamos ter falta de produto. Mas eu estou esperançoso que ela vá acabar — afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sinpeb), Júlio César Zimmermann.
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Em nota, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis) afirmou que “vê com preocupação os desdobramentos do conflito nos preços dos combustíveis no mercado interno”, justamente porque um quinto do mercado vem de produto importado.
Os impactos sobre alimentos
A pressão sobre os combustíveis não é o único reflexo econômico do conflito. O aumento no diesel encarece serviços como frete e custo da produção agrícola. O custo médio de matérias-primas para fertilizantes importadas da região em conflito também teria aumentado de 15% a 20%, o que encarece os adubos e pressiona os preços do agronegócio como um todo.
— Tem matéria-prima que custava 400 dólares por tonelada e, na média, aumentou em 100 dólares em uma semana. Isso significa aumento do custo de produção para o agricultor — destacou o presidente da Federação das Cooperativas de SC (Fecoagro) Ivan Ramos, à colunista da NSC, Estela Benetti.
O resultado desses custos maiores pode ser aumento de preços de alimentos, o que consequentemente pode implicar alta na inflação.
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— Em resumo, quando petróleo e alimentos sobem, a inflação tende a sentir. E isso chega direto ao bolso das pessoas. A intensidade desse impacto, no entanto, vai depender muito da duração e da escala do conflito — explica o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme.
A alta do frete marítimo também é uma preocupação do agro. Segundo informações da Epagri, a interrupção de rotas no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho impacta a operação dos portos de Navegantes, Itapoá e São Francisco do Sul porque reduz a disponibilidade de contêineres refrigerados de retorno das zonas de conflito. Eles são considerados essenciais às exportações de proteínas animais e a baixa oferta deles resulta em aumento no valor do frete dos navios.
Tensão ameaça exportações de SC ao Oriente Médio

O Irã responde por apenas 0,32% das exportações de produtos de Santa Catarina e por 0,08% dos produtos importados no Estado. Por conta disso, o impacto direto do conflito no país iraniano nas vendas externas catarinenses é considerado limitado. Os principais produtos vendidos por SC ao Irã no ano passado foram milho e soja, que responderam por tudo que foi negociado com o país, ao valor de R$ 38,4 milhões. Nas importações, o destaque foram justamente os fertilizantes.
Apesar disso, a continuação do conflito preocupa a indústria catarinense por conta do comércio com o Oriente Médio como um todo, já que toda a região vem sendo afetada pelos ataques. Dados do Observatório Agro Catarinense indicam que, em 2025, as exportações do agronegócio catarinense para países direta e indiretamente afetados pelo conflito somaram cerca de 915 milhões de dólares — volume superior ao destinado à União Europeia no mesmo período. Países como Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Israel tiveram crescimento dos embarques físicos.
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— A região responde por cerca de 8% das exportações catarinenses, com mercados importantes como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, especialmente em produtos relevantes da pauta exportadora estadual, como carnes de aves, madeira serrada e motores elétricos. Se o conflito se ampliar e afetar rotas comerciais estratégicas, como o Estreito de Hormuz, isso pode trazer efeitos mais amplos para nossas exportações e para o abastecimento de insumos, especialmente fertilizantes — detalha o presidente da Fiesc.
No Brasil, o comércio exterior tem ainda uma curiosidade na relação com os países do Oriente Médio. O pistache, semente que virou moda na culinária brasileira nos últimos anos, é o produto mais importado do Irã e pode ter o abastecimento também prejudicado em caso de continuação do conflito.
Juros e desdobramentos no dólar
Outro tema que pode ter impacto da guerra no Irã é a taxa de juros. Com a alta do petróleo e temor da inflação, o novo corte na taxa Selic, aguardado para a próxima semana no Brasil, virou dúvida. Analistas passaram a apostar na manutenção da taxa atual de 15%, para tentar evitar mais pressão sobre os preços. Caso os Estados Unidos decidam aumentar os juros, isso pode levar a uma fuga de investimentos em dólar para os Estados Unidos, por oferecer taxas mais vantajosas a investidores. E com menos moeda norte-americana aportada e disponível no Brasil, pode haver alta na cotação do dólar no Brasil, o que criaria mais uma condição agravante para a inflação.
— O que tem sido mais típico, no entanto, é muita cautela e conservadorismo do Banco Central. É mais provável que esse gap se mantenha ou até se amplie, o que favoreceria o sentido oposto, de entrada de dólares no país e até diminuição da taxa de câmbio — avalia o economista Daniel da Cunda Corrêa da Silva, mestre em Relações Internacionais e professor da Univali e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
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O comportamento do dólar e eventual efeito do conflito no Irã na moeda norte-americana é importante também porque interfere nos preços e alimentos e até mesmo no turismo, outro motor importante da economia de SC.
As motivações dos ataques
O principal argumento para os ataques ao Irã iniciados em 28 de fevereiro foi o projeto nuclear de enriquecimento de urânio conduzido pelo país persa. O economista e professor de Relações Internacionais da Univali e da UFSC, Daniel da Cunda Corrêa da Silva, explica que havia uma negociação entre países para garantir pontos como inspeções às bases de enriquecimento de urânio e que o país alegava que exercia a atividade para fins pacíficos. Além disso, ele lembra que o próprio presidente norte-americano Donald Trump afirmou que o país tinha “obliterado” o programa nuclear iraniano, nos ataques de junho de 2025.
Segundo o professor, são outros interesses de Estados Unidos e Israel que motivam os ataques à nação persa. Um deles seria ampliar o controle sobre a produção e exportação do petróleo na região, traço comum com outros locais atacados recentemente pelos EUA, como a Venezuela.
Outra motivação seria o domínio dos minerais críticos, as chamadas “terras raras”, que permitem materiais para produção de baterias de lítio, por exemplo, e vêm sendo descobertas no Irã. Por fim, uma intenção de afetar objetivos estratégicos da China também são citados pelo especialista. Isso porque o Irã é considerado um ponto de conexão estratégico no Oriente Médio, ligando a Europa à Ásia e interessando aos chineses para construções e projetos de transportes de mercadorias entre os continentes.
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Segundo ele, apesar dos interesses que levaram aos ataques, o saldo até o momento é negativo para os Estados Unidos. Uma mudança de regime, como desejo manifestado pelos norte-americanos, é considerada mais difícil pelo especialista porque o aiatolá assassinado é um líder político e também religioso, o que faz a morte soar como um atentado contra uma grande liderança espiritual.
O quadro atual, na avaliação do professor, poderia motivar um aumento na ofensiva, já que o próprio Trump ameaçou atacar com impacto “20 vezes maior” se o país bloquear totalmente o Estreito de Ormuz, ou mesmo um recuo do país, como sinalizado pelo presidente dos EUA ao dizer que a guerra podia acabar “em breve” e que o país havia “vencido a guerra”.
— Não dá para tirar do horizonte que a popularidade dele [Trump] já não era alta antes do início dos ataques e o preço dos combustíveis gera ainda mais pressão doméstica. Então, por mais que a gente possa tomar a declaração como uma tentativa de acalmar o mercado, esse impacto sobre os preços vai fazendo com que Trump faça o cálculo do quanto vale a pena continuar com os bombardeios, ainda mais em um cenário em que Irã escolhe como novo líder o filho do Khamenei, um sujeito que é mais radical e antiestadounidense que o pai. Se pegar o saldo político até agora, ele está deixando o Irã pior do que quando entrou — avalia Corrêa da Silva.
Conflito no Irã pode virar guerra global?
O conflito entre Estados Unidos e Irã tem origem no contexto pós-Segunda Guerra Mundial e nas mudanças de regime de poder que o país persa viveu (confira linha do tempo abaixo). Desde 1979, com a Revolução Iraniana, o país reverteu o domínio estrangeiro sobre o petróleo e passou a ter controle sobre a operação do óleo. Em razão disso, no entanto, sofreu com sanções internacionais, que dificultam o acesso a produtos e tecnologia, tendo como uma das consequências o impacto na inflação local.
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Após a Revolução Islâmica, o Irã passou a ser governador pelo líder supremo Ruhollah Khomeini e, após a morte dele, em 1989, pelo novo líder supremo Ali Khamenei, morto no ataque dos Estados Unidos no último dia 28.
O historiador Sidnei J. Munhoz, professor da pós-graduação em História da UFSC, pondera explica que o processo que derrubou o xá (monarca pró-Ocidente que governava o país) em 1979 começou como uma ampla frente contra o regime, reunindo liberais, grupos de esquerda e religiosos. Segundo analistas, porém, a posterior consolidação do poder pelo aiatolá Ruhollah Khomeini após a Revolução Islâmica transformou a revolução em um segundo movimento que substituiu a proposta plural por uma república islâmica teocrática.
— Assim, a revolução islâmica não foi simplesmente a fase final de um processo único, mas uma segunda revolução que suplantou a primeira e transformou uma insurreição nacional e plural em um regime teocrático que persiste até hoje — detalha o professor.
Munhoz aponta que, embora possua economia dezenas de vezes menor do que a dos Estados Unidos, o Irã teve reação acima do esperado pelo Ocidente, diferente do que ocorreu na invasão à Venezuela, por exemplo. As retaliações fizeram o conflito escalar e se estender.
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Na avaliação dele, essa resposta mais gradual vista do Irã faz parte da estratégia do país para tentar prolongar e ampliar o conflito apostando no desgaste dos Estados Unidos com pressões em razão da disparada do preço do petróleo, por exemplo. Ele também considera que a pressão doméstica sobre Trump, e também o risco de as cobranças sobre a inflação e os gastos da guerra fazerem seu partido perder as eleições de meio de mandato, previstas para outubro e com renovação do parlamento dos EUA, possa fazer o presidente norte-americano repensar a continuidade dos ataques.
O historiador critica o fato de os ataques de Estados Unidos e Israel terem ocorrido durante negociação com o Irã, que visava definição das atividades com urânio e um monitoramento internacional do programa nuclear. Apesar disso, o professor chama a atenção para o risco de o embate se tornar um conflito global.
— As guerras não começam mundiais. As que conhecemos levaram anos até se tornarem globais. Esses atores acham que têm o controle da situação, mas se algo sair do script, se algum ator retaliar em um nível mais elevado, isso pode resultar em um conflito global — apontou Munhoz. (Colaboraram Alexia Elias e Bianca Bertoli).
Linha do tempo do Irã pós-Segunda Guerra
- 1945-1951: Xá Mohammad Reza Pahlavi, diferentes chefes de governo subordinados ao Xá, com petróleo sob domínio estrangeiro (monarquia constitucional)
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- 1951-1953: Xá Mohammad Reza Pahlavi, Mohammad Mossadegh alçado ao governo após ascensão popular, com nacionalização do petróleo, mas derrubado por golpe de CIA/MI6 (monarquia constitucional)
- 1953-1979: Xá Mohammad Reza Pahlavi, diferentes chefes de governo subordinados ao Xá, com petróleo novamente sob operação internacional, via consórcio, sobretudo de EUA e Reino Unido (monarquia autocrática)
- 1979-1989: Líder Supremo Ruhollah Khomeini assume após Revolução Islâmica/Aiatolá, com diferentes chefes de governo subotrdinados ao Líder Supremo, que reúne autoriade política e religiosa, e com a renacionalização do petróleo (teocracia islâmica)
- 1989-2026: Líder Supremo Ali Khamenei, com diferentes chefes de governo subotrdinados ao Líder Supremo, que reúne autoriade política e religiosa, e continuação do petróleo nacionalizado, usado como forma de resistência, mas sob sanções internacionais (teocracia islâmica)
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- 2026: Líder Supremo Mojtaba Khamenei, escolhido após morte do pai e líder anterior Ali Khamenei em ataques dos EUA e Israel, com presidente Masoud Pezeshkian, e ameaça de possível domínio externo do petróleo após ataques de EUA e Israel. (teocracia islâmica)





