Em 2022, a Síndrome de burnout, conhecida também como a síndrome do esgotamento profissional, foi incluída na lista de doenças ocupacionais reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso possibilitou que as pessoas diagnosticadas com a síndrome, inclusive no Brasil, tenham as mesmas garantias trabalhistas e previdenciárias que as demais doenças consequentes do trabalho. A síndrome, que afeta aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), tem uma “prima”, que ainda não é reconhecida pela OMS: a Síndrome de burnon.

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Enquanto o burnout acontece devido ao excesso de trabalho atribuído ao indivíduo em ambientes de muita competitividade e responsabilidades, o burnon é decorrente da demanda excessiva de trabalho que o próprio trabalhador se impõe, segundo a psicóloga e especialista em Psicologia Organizacional do Trabalho, Suzana da Rosa Tolfo.

O termo foi criado em 2021 pelos psicólogos alemães Timo Schiele e Bert te Wildt, da clínica psicossomática em Kloster Dießen, que oferece tratamento a pacientes com síndrome de burnout. Para os dois, o burnon afeta o profissional que se envolve excessivamente com o trabalho, utilizando do tempo livre e fins de semana para concluir demandas da atividade profissional, por exemplo.

Principais causas do burnon

Para o psicoterapeuta Bruno Paiva, a síndrome de burnon acontece com pessoas que associam o emprego a uma válvula de escape.

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— O profissional tem satisfação pelo que ele faz, porém, ele usa o trabalho como uma forma de fuga de um conflito, de uma dor, ou da própria realidade e vida pessoal — ressalta.

Também especialista em neurociência e comportamento humano, Bruno diz que este fenômeno explica as pessoas que permanecem no trabalho por cargas horárias extensas. Para elas, o ambiente profissional se torna o lugar que elas usam para fugir de algum conflito, interno ou externo.

A baixa autoestima e a sensação de inferioridade, por exemplo, também podem levar as pessoas a buscarem reconhecimento no trabalho, de acordo com Bruno.

Já para a psicóloga Suzana, a síndrome de burnon não tem a ver somente com o profissional, e sim com o ambiente de trabalho. O quadro aparece quando a pessoa exige muito dela mesma esperando atender às expectativas que são relacionadas ao ofício.

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— O burnon acontece quando a pessoa sente que deve estar sempre de prontidão para se manter num mercado altamente exigente, competitivo e restritivo em relação a emprego — pontua.

Sintomas

O psicoterapeuta Bruno lista alguns dos principais sintomas da Síndrome de burnon. Confira:

  • Cansaço físico;
  • Estresse;
  • Dificuldades para dormir;
  • Dificuldades nas relações sociais;
  • Alterações viscerais, ou seja, anormalidades de órgãos como o estômago, rim, bexiga, vesícula biliar, intestinos ou outros.

Como tratar o burnon

O tratamento para pessoas que apresentam Síndrome de burnon se assemelharia ao das pessoas que trazem sintomas de depressão, fobia, ansiedade, síndrome do pânico, e o burnout, para Bruno.

— A intervenção terapêutica é a mesma: identifica-se o que mantém a pessoa presa em cargas extensas de trabalho, no excesso de tarefas, e o que está dificultando que aquela pessoa desacelere e saia daquele processo. A partir daí, se inicia o processo terapêutico — diz.

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*Sob supervisão de Andréa da Luz

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