Um dos grandes desafios das montadoras é desenvolver um carro que ofereça desempenho, economia, conforto e tecnologia aos usuários mas que, em meio a tudo isso, diminuam os impactos no meio ambiente. Nessa incessante corrida, a Hyundai deu um grande passo recentemente com o lançamento do Nexo, um SUV futurista que inverte a lógica da combustão: um carro de emissão zero, movido inteiramente por eletricidade gerada por células de combustível a hidrogênio (FCEV). Além disso, o novo modelo também promove a purificação do ar enquanto funciona.
Continua depois da publicidade
A missão do Hyundai Nexo é clara: limpar o ambiente, aspirando o ar e removendo até 99,9% das micropartículas poluentes durante o trajeto, liberando apenas vapor de água pelo “escapamento”. O segredo por trás dessa funcionalidade é sistema de filtragem de ar acoplado à sua unidade de células de combustível.
Diferente dos carros elétricos a bateria ou os movidos a combustão, o Nexo gera sua própria energia a bordo, utilizando hidrogênio armazenado em tanques de alta pressão. Para que o processo químico de geração de eletricidade aconteça, o sistema utiliza o ar atmosférico, que primeiro passa por filtros de alta performance.
Dessa forma, o veículo transforma o problema da poluição urbana em parte da solução energética, garantindo uma condução potente e uma autonomia competitiva (superior a 600 km), com a praticidade de um reabastecimento de hidrogênio em apenas cinco minutos.
Como o hidrogênio vira eletricidade?
A energia do novo Nexo é gerada em tempo real por meio da Célula de Combustível, uma espécie de mini-usina elétrica que funciona sob o capô. Dentro dela, o hidrogênio (H2) armazenado nos tanques é introduzido em um lado, enquanto o oxigênio (O2) é puxado do ar (previamente filtrado) no outro. Através de um catalisador, o hidrogênio é dividido em prótons e elétrons. O fluxo desses elétrons por um circuito externo é o que produz a eletricidade que move o motor do SUV.
Continua depois da publicidade
O processo se completa quando, na outra extremidade da célula, os prótons de hidrogênio se recombinam com os elétrons e o oxigênio atmosférico. O resultado final dessa reação eletroquímica é a formação de água pura (H2O) e calor, que são expelidos pelo sistema de exaustão. Assim, o Nexo opera sem jamais emitir dióxido de carbono (CO2) ou outros gases poluentes. Em essência, o carro transforma hidrogênio e ar limpo em energia elétrica, liberando apenas vapor de água.
Hyundai Nexo e o hidrogênio verde no Brasil
No Brasil, o Hyundai Nexo é pioneiro em um projeto de pesquisa que em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). O foco desses testes é a avaliação da viabilidade do hidrogênio renovável, ou “hidrogênio verde”, produzido a partir do etanol, matéria-prima na qual o Brasil possui uma vantagem competitiva global.
Essa iniciativa busca consolidar uma cadeia de suprimentos sustentável, utilizando a infraestrutura já estabelecida do etanol para gerar um combustível limpo, com o Nexo atuando como o primeiro veículo de passeio a rodar utilizando essa fonte de energia.
Chegada do Hyundai Nexo ao mercado
Apesar dos testes avançados, a chegada do Nexo para venda ao consumidor brasileiro ainda não tem uma previsão ou data definida. O principal desafio para a comercialização de veículos FCEV no país reside na ausência de uma rede de abastecimento de hidrogênio (os chamados hubs ou postos). Atualmente, a unidade da USP com conversor de etanol é um ponto isolado de abastecimento.
Continua depois da publicidade
A Hyundai está usando o Nexo como uma vitrine tecnológica e um catalisador para o debate, indicando que a massificação da tecnologia dependerá do apoio governamental e da iniciativa privada para construir a infraestrutura necessária que torne o hidrogênio um combustível viável e acessível, a exemplo de mercados como a Califórnia e a Coreia do Sul.





