Uma opção de compra para quem quer trocar de celular e não pagar taxas de juros tão altas num financiamento tem ganhado espaço no Brasil. O consórcio de celular tem chamado a atenção de quem busca uma alternativa mais “leve” no bolso.

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O sistema é idêntico ao modelo de veículo ou imóvel, mas no caso de smartphones há algumas pegadinhas que devem deixar o consumidor alerta. Nesse modelo, o comprador entra em um grupo e paga parcelas mensais para formar um fundo comum. Ao longo do tempo, os participantes são contemplados por sorteio ou lance e recebem uma carta de crédito para comprar o aparelho.

O principal atrativo é justamente a promessa de não cobrar juros, algo que pesa na decisão de quem quer fugir das taxas do financiamento tradicional. Em vez disso, há uma taxa de administração diluída nas parcelas que pode chegar a 25% do total do bem, bem menor do que os 40% comuns em outras modalidades de crédito parcelado.

Outro ponto positivo é o incentivo ao planejamento financeiro, já que o consórcio exige disciplina mensal. Além disso, ao ser contemplado, o consumidor pode escolher o modelo de celular que quiser dentro do valor contratado. Em alguns casos ele pode adquirir uma carta de crédito para um celular específico. Em sua maioria, os usuários escolhem da linha iPhone, da Apple.

Mas é aqui que entra o alerta: o consórcio não é garantia de celular imediato. A contemplação pode demorar meses — ou até anos — caso o participante não dê um lance competitivo. E, mesmo sem juros, o custo final pode ficar mais alto do que parece por causa das taxas.

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Isso porque as administradoras diluem o custo de operação nas parcelas e uma carta de crédito de um aparelho de R$ 10 mil pode chegar a R$ 12 mil. Além disso, se a contemplação demorar muito, o consumidor pode se deparar com um aparelho de versão inferior, uma vez que as marcas lançam suas novidades anualmente.

Numa carta de crédito de 24 meses, se o consumidor for sorteado apenas no final e tiver escolhido um iPhone 17, por exemplo, ele pagará por um aparelho que não vale o valor original e ainda verá modelos mais modernos por um preço semelhante no mercado.

Antes de entrar, especialistas recomendam analisar o contrato com atenção, checar se a administradora é autorizada pelo Banco Central e comparar com outras opções. Em um mercado onde novos celulares são lançados o tempo todo, esperar demais pode significar pagar por um aparelho que já não é mais tão novo assim.