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    Adaptação

    Coronavírus muda a rotina e transforma hábitos de catarinenses  

    Mudança para quem vive em Santa Catarina foi ainda mais brusca após o decreto de situação de emergência pelo governo do Estado  

    20/03/2020 - 15h50 - Atualizada em: 20/03/2020 - 15h55

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    Por Carolina Marasco
    Stefani andou de máscara quando ainda o decreto não proíbia circulação
    Stefani andou de máscara quando ainda o decreto não proíbia circulação
    (Foto: )

    O tema está pelas ruas, nos pontos de ônibus, nas conversas entre familiares, nos grupos de WhatsApp. Você até pode tentar fugir, mas se ligar a televisão, entrar na internet ou prestar atenção nas conversas de alguém, vai perceber. A prevenção ao coronavírus, após a escalada de casos no Brasil, tornou-se o foco dos diálogos e invadiu a rotina da população. Para os catarinenses, não é diferente: o dia a dia ganhou novos companheiros, como o álcool gel, o isolamento voluntário ou a máscara de proteção.

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    A mudança na rotina de quem vive em Santa Catarina foi ainda mais brusca após o decreto de situação de emergência pelo governo do Estado. Sem ônibus, sem comércio aberto, sem restaurante, sem bancos, sem escolas. É assim que a vida do catarinense será, pelo menos, até a próxima quinta-feira.

    Para observar e – tentar - descrever alguns aspectos de como está a vida dos moradores do Estado, a reportagem foi até as ruas um dia antes do governador Carlos Moisés (PSL) anunciar o decreto de emergência. E mesmo sem as medidas mais drásticas, a diferença no cotidiano do Centro de Florianópolis já era perceptível. Calçadas mais vazias, comerciantes vendendo pouco, ônibus com menos passageiros e uma mesma palavra rondando o bate-papo pelas ruas: coronavírus.

    Preocupada em contaminar quem recebe os panfletos que distribui, Andreia Moraes, de 46 anos, inseriu o álcool gel na sua rotina de trabalho. A preocupação também é compartilhada pela empresa que a contrata. Por isso, todos os trabalhadores receberam um grande frasco do material para higienização e também sensibilização de quem passa por eles sem pegar os papéis.

    — É uma tática para as pessoas sentirem-se mais seguras. Recebo pelo que entrego e já perdi dinheiro desde a semana passada. Se eu ficar de quarentena em casa, eu morro de fome — disse sobre o dilema de precisar trabalhar na rua, mas ainda tentando manter a segurança.

    Em dias sem impactos na rotina de entregas, Andreia recebe cerca de R$ 70,00 após os dois turnos de trabalho. Na segunda-feira antes do decreto, ganhou apenas R$ 20,00. Com a recomendação para todos ficarem em casa, ela e milhares de trabalhadores informais possuem a mesma preocupação: não ter como pagar todas as contas no fim do mês ou ainda, não ter como garantir a sobrevivência em tempos difíceis.

    Andreia tinha inserido álcool gel na rotina de entregas
    Andreia tinha inserido álcool gel na rotina de entregas
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    A vendedora Maria Alves da Silva, de 53 anos, também teme pela situação financeira com os impactos das medidas de prevenção ao coronavírus. Mesmo com temor, compreende que é necessário fazer a sua parte no combate ao vírus. Para a comerciante, é importante garantir o sustento assim como frear a proliferação do covid-19.

    — Se eu estou preocupada? Claro que estou, você não está? — respondeu e questionou sobre a propagação do vírus. — Tenho dívidas e preciso pagá-las. Se não tivesse, não estaria aqui — comentou a ambulante.

    Prevenção como palavra-chave

    Já sabemos que vírus chegou ao Brasil e precisamos conter a propagação. Mas, quem são os maiores responsáveis por frear a propagação, além dos governos e empresas? Sim, essa pergunta precisa ser respondida com a necessidade de cada um assumir a sua responsabilidade. Para isso, algumas pessoas apostam até nas máscaras de proteção. Uma delas é a haitiana Stefani Gabriel, de 23 anos.

    Após sentir alguns sintomas de gripe, como o nariz congestionado, a cozinheira não hesitou em usar a máscara pra circular pelas ruas de Florianópolis. Ao tomar a decisão, esperava que receberia alguns olhares estranhos, mas jamais esperaria pela reação que teve. — As pessoas estão é fugindo de mim — comentou ao falar que recebeu olhares estranhos e até o afastamento de quem estava andando perto de Stefani foram algumas das reações.

    Mesmo agindo pela prevenção, é necessário ter cuidado no uso da máscara. Segundo o médico infectologista, Antônio Miranda, a máscara só é necessária para os profissionais de saúde, para quem pretende fazer viagens longas ou ainda para quem está com diversos sintomas do novo coronavírus. Inclusive, caso seja usada sem necessidade, pode até piorar os casos e fazer com o vírus fique concentrado no mesmo local.

    Além dos profissionais de saúde, os responsáveis pela limpeza do Terminal de Integração do Centro (TICEN), em Florianópolis, estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Com o decreto, eles agora podem sentir-se mais aliviados. Um dia antes do decreto, eles afirmaram estar preocupados com a falta de equipamentos de segurança durante as limpezas.

    — A gente aqui está sem máscara, isso preocupa — disse Genildo de Aguiar, de 39 anos. Porém, mesmo sem todos os equipamentos, eles não mediram esforços na limpeza do transporte coletivo. Com uma garrafa de álcool e um pano, foram responsáveis por encontrar cada cantinho dos ônibus de Florianópolis - enquanto eles ainda circulavam – e higienizar todos que podiam.

    Sem pânico, mas com responsabilidade

    O médico infectologista Antônio Miranda é um ponto de calmaria no meio de tanto pânico com a proliferação do novo coronavírus. Para ele, é necessário seguir todas as recomendações, frear a disseminação, mas seguir sem alarmar a população. As consequências, caso haja desespero, podem ser ainda mais prejudiciais.

    — É só tomo mundo fazer a sua parte, lavar as mãos direitinho e cuidar para não visitar os idosos, por exemplo — analisou o infectologista.

    O espírito coletivo, para o médico, pode ser uma das maiores armas contra o novo coronavírus. Ou seja, se você pode ficar em casa, sem contaminar ou adquirir o vírus, fique. Se pode manter tudo higienizado, mantenha. Se pode não estocar comida para que todos tenham, não vá ao supermercado. Precisamos, ainda conforme Miranda, entender que o ponto mais importante para evitar a propagação é o cumprimento da etiqueta da tosse e espirro.

    — Sempre que for tossir ou espirrar, fazê-lo no antebraço, nunca nas mãos. Porque você ao tossir ou espirrar nas mãos e ao depositar as mãos em algumas superfícies, você está depositando o vírus naquele local e outras pessoas pegam o vírus. Essa etiqueta da tosse é fundamental. Sempre que tiver que usar um lenço, no nariz ou nas vias aéreas, use um lenço descartável e jogue no lixo — explica o infectologista.

    Até porque, de acordo com o infectologista, “vírus não possui asas” e não fica “voando” por aí. O covid-19 é transmitido através do contato com superfícies, ou seja, entramos em contato com o organismo quando alguém espirra ou tosse e o vírus fica depositado em algum local. Mais do que nunca, é necessário respeitar as recomendações para que a nossa negligência não contribuía com a pandemia mundial.

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