nsc
    dc

    Mercado financeiro

    Corte da produção de petróleo na Arábia Saudita é o maior da história em números absolutos

    Cerca de 6% da produção mundial será afetada. Forte valorização da Petrobras impactou o Ibovespa, que fechou o dia com leve alta de 0,17%, a 103.680 pontos 

    16/09/2019 - 18h29 - Atualizada em: 16/09/2019 - 18h37

    Compartilhe

    Por Folhapress
    Arábia Saudita
    Petroleira na Arábia Saudita foi atacada por drones no sábado (14), o que levou ao incêndio de duas instalações da Aramco
    (Foto: )

    *Júlia Moura e Nicola Pamplona

    Os ataques à estatal Saudi Aramco, na Arábia Saudita, representam a maior queda na produção de petróleo da história. Serão 5,7 milhões de barris a menos por dia, cerca de 6% de toda a produção mundial.

    As maiores paralisações anteriores haviam acontecido na revolução islâmica de 1979 no Irã (-5,6 milhões de barris por dia) e no embargo do petróleo com a guerra árabe-israelense de 1973 (-4,3 milhões de barris por dia). Entretanto, como a produção aumentou (de 2,83 milhões de toneladas por ano em 1973 para 3,97 bilhões de toneladas por ano em 2017), o impacto tende a ser menor.

    A petroleira foi atacada por drones no sábado (14), o que levou ao incêndio de duas instalações da Aramco. Rebeldes houthis, do Iêmen, reivindicaram a autoria dos ataques, mas o secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Mike Pompeo, culpou exclusivamente o Irã.

    — Teerã fez um ataque sem precedentes contra o fornecimento mundial de energia — afirmou.

    O incidente levou a um corte de mais de metade da produção de petróleo da Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo.

    Tamanha queda na produção levou o preço do barril a maior alta percentual em 11 anos. Nesta segunda, a commodity fechou em alta de 13%, a US$ 68 (R$ 278,12), maior cotação desde 29 de maio.

    A alta percentual é a maior desde 2008, quando a cotação disparou 13,55% em 31 de dezembro. No período, o preço do barril estava em trajetória de queda, marcada por grandes oscilações diárias, após o pico histórico de US$ 146, em julho do mesmo ano.

    A elevação do preço também reflete o receio de uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã, o que traria mais volatilidade ao mercado.

    — Há um risco geopolítico com as tensões entre EUA, Arábia e Irã, que pode levar o episódio a virar uma crise maior — afirma George Wachsmann, sócio da gestora digital Vitreo.

    O economista aponta também que há o risco oferta-demanda.

    — Em quanto tempo a Arábia Saudita vai conseguir retomar a produção? Precisamos analisar a velocidade em que o mercado consegue se adaptar — diz Wachsmann.

    O presidente americano Donald Trump autorizou, no domingo (15), o uso de estoques de emergência dos Estados Unidos para assegurar a estabilidade do suprimento. Os preços do petróleo vinham em queda nos últimos meses, com o aumento dos estoques americanos e queda na produção industrial, com a guerra comercial entre EUA e China.

    A alta do petróleo refletiu no preço da Petrobras, que teve forte avanço na bolsa brasileira. As ações preferenciais, mais negociadas, da companhia subiram 4,39%, a R$ 27,95. As ordinárias, com direito a voto, tiveram alta de 4,52%, a R$ 30,98. Analistas esperam que a empresa repasse a alta da commodity para os combustíveis.

    A valorização da empresa levou o Ibovespa, maior índice acionário do país, a uma leve alta de 0,17%, a 103.680 pontos. As demais companhias de maior peso no índice fecharam em queda, com aversão global ao risco após os ataques na Arábia.

    As maiores desvalorizações do pregão ficaram por conta das companhias aéreas, que tem sua base de custos ancorada nos preços do petróleo. A Azul despencou 8,45%, a R$ 47. A Gol teve queda de 7,77%, a R$ 32,05. Apesar do temor de investidores quanto aos desdobramentos dos ataques, o dólar fechou estável, a R$ 4,0900.

    Ainda não é assinante? Assine e tenha acesso ilimitado ao NSC Total, leia as edições digitais dos jornais e aproveite os descontos do Clube NSC.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Economia

    Colunistas