O cerco parlamentar ao Banco Master ganhou contornos de impasse institucional nesta semana. Embora os requerimentos para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tenham superado o quórum necessário na Câmara, no Senado e em formato misto (CPMI), a instalação dos colegiados entrou em um período de latência, o que parlamentares já classificam como um “limbo” político. O fator das Eleições 2026 surge no horizonte como uma espécie de “freio de mão” natural do Congresso, podendo impactar o ritmo do Caso Master.
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Inércia e obstrução burocrática
No Senado, o foco de tensão recai sobre o presidente Davi Alcolumbre (União-AP). Apesar da pressão crescente de blocos parlamentares, Alcolumbre mantém uma postura reservada sobre o protocolo da investigação, sem dar sinais de quando fará a leitura oficial do requerimento em plenário. A ausência de movimentação imediata gerou reações na oposição, que aponta inércia no processo.
Já na Câmara dos Deputados, o cenário é de contenção burocrática. O pedido liderado por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) já conta com 200 assinaturas — margem superior às 171 exigidas. O deputado sustenta que o tema transbordou as paredes do Congresso:
— Eu entendo que a sociedade brasileira merece e quer explicações e esclarecimentos sobre tudo o que aconteceu em relação ao Banco Master, em relação ao BRB e em relação aos fundos de previdência do Rio de Janeiro. A população tem o direito de saber — afirmou o deputado, referindo-se às supostas irregularidades que motivam o pedido.
Diferente da postura de Alcolumbre, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adotou um tom pragmático. Motta sinalizou que o pedido envolvendo o Caso Master deverá seguir o rito da “fila” de comissões, decisão que foi recebida como um entrave por quem esperava a instalação imediata de um colegiado.
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Ano eleitoral: o maior aliado do Caso Master no Congresso
A articulação para uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), encabeçada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), surge como a alternativa para unificar os esforços de deputados e senadores. O objetivo é apurar indícios de irregularidades administrativas e eventuais prejuízos ao erário que, segundo as representações, poderiam alcançar cifras bilionárias.
Entretanto, o calendário joga contra a celeridade do processo. Com a proximidade das Eleições 2026, o receio nos gabinetes é que a investigação seja impactada pelo esvaziamento do Congresso durante o período de convenções partidárias e campanhas.
Enquanto o protocolo aguarda o rito das presidências, o Congresso vive um momento de definição sobre seus próprios limites de fiscalização. O desfecho dessa queda de braço entre a base parlamentar e a cúpula do Legislativo determinará não apenas a transparência sobre os valores em questão, mas também a força do controle institucional em um ano em que as atenções políticas se voltam para as urnas. O silêncio das lideranças, por ora, é o maior ruído de Brasília.

