Entre tantos gestos universais, poucos causam reação imediata como o dedo do meio. Basta levantá-lo para que a mensagem seja compreendida, independentemente do idioma ou do lugar onde se está. A origem dessa força simbólica, porém, é antiga.
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Registros históricos mostram que o gesto já era usado como ofensa muito antes da era moderna. Filósofos, escritores e historiadores ajudam a entender por que ele atravessou o tempo quase sem perder impacto.
Ao se espalhar por diferentes culturas, o dedo do meio ganhou novos contextos. Ainda assim, manteve sua função central: expressar reprovação, desafio ou desprezo de forma direta e silenciosa. Exatamente como fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (13).
Quando o insulto virou linguagem
Na Grécia Antiga, o gesto já fazia parte do repertório de afrontas públicas. No século 4 a.C., em Atenas, o filósofo Diógenes recorreu ao dedo do meio para demonstrar seu desprezo por Demóstenes, conhecido por seus discursos eloquentes.
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A cena foi registrada por historiadores como um exemplo claro de insulto visual. O movimento do dedo médio erguido, acompanhado dos demais dedos recolhidos, era compreendido como uma mensagem ofensiva.
O antropólogo Desmond Morris explica, em entrevista à BBC, que o gesto carrega um simbolismo direto. Para ele, o dedo representa o órgão sexual masculino, enquanto os outros dedos reforçam a ideia, tornando o insulto explícito.
O gesto que atravessou impérios
Os romanos também incorporaram o sinal à vida cotidiana. Eles o chamavam de digitus impudicus, termo usado para definir o dedo indecente, frequentemente citado em textos e sátiras da época.
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No século 1º d.C., o poeta Marcial mencionou o gesto em seus escritos, associando-o a provocações e zombarias. Já o historiador Tácito descreveu seu uso por povos germânicos contra soldados romanos.
Com o avanço do tempo, surgiram variações regionais. Na França, a banana se consolidou como gesto ofensivo. No Reino Unido, o sinal em “V” com a palma voltada para dentro ganhou conotação semelhante.
Por que ele ainda provoca reação
Apesar das transformações culturais, o dedo do meio manteve sua presença. No século 19, registros fotográficos já mostram atletas usando o gesto para provocar adversários, sinal de que ele estava enraizado na cultura popular.
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Segundo Desmond Morris, há paralelos até no comportamento animal. Ele aponta que macacos-da-américa-do-sul exibem os genitais como forma de intimidação, reforçando o caráter instintivo do gesto humano.
Hoje, o significado pode variar conforme o contexto. Para o professor Ira Robbins, o dedo do meio deixou de ser apenas obsceno e passou a representar protesto, indignação ou confronto simbólico.
