Conhecida nacionalmente como uma das cidades mais frias do Brasil, São Joaquim, na Serra Catarinense, está mostrando aos visitantes que seu encanto vai muito além da neve e das baixas temperaturas. O município vem se posicionando como um destino turístico completo, reunindo natureza preservada, cultura, patrimônio histórico, arte e práticas voltadas à sustentabilidade.
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A paisagem típica da região permanece inconfundível, com araucárias centenárias, fazendas históricas e os tradicionais corredores de taipa. Mas a proposta é transformar esse patrimônio em experiências turísticas enriquecedoras, mantendo viva a identidade local e incentivando um turismo que valorize a comunidade e respeite o meio ambiente.
O guardião verde da Serra
Entre os símbolos mais marcantes dessa nova fase está o Pinheirão de São Joaquim, a maior araucária do Brasil. Estima-se que a árvore tenha 900 anos de idade, impondo-se como testemunha silenciosa da história local e guardando em seu tronco a memória de séculos.
O Pinheirão está na Fazenda e Pousada Pinheirão, a cerca de 5 km do distrito de Pericó. Suas dimensões impressionam: 3,25 metros de diâmetro, 10,21 metros de circunferência, 39,2 metros de altura e um volume de 106,6 metros cúbicos. O acesso se dá por uma trilha cercada por xaxins centenários, um cenário que convida à contemplação e à reflexão sobre a importância da preservação ambiental.
— Não se trata apenas de visitar uma árvore gigante. É um mergulho na nossa própria história natural e um exemplo de como o turismo pode ser um aliado na conservação — reforça a Diretora de Turismo e Eventos, Ana Paula Lemos.
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Patrimônio vivo: fazendas, taipa e saberes manuais
São Joaquim guarda um patrimônio imaterial valioso, que vai além das belezas naturais. As fazendas centenárias contam histórias de tropeiros, da agricultura de altitude e do cotidiano rural serrano. Os corredores de taipa, muros de pedra erguidos manualmente para demarcar terras, continuam firmes como herança da colonização.
Entre os saberes tradicionais preservados, a tecelagem artesanal se destaca. Produzida com técnicas transmitidas de geração em geração, mantém viva a estética e a utilidade das peças, além de representar um modo de vida que resiste ao tempo.
Turismo sustentável e roteiros de experiência
O município vem trabalhando para oferecer um turismo de experiência que vá além da contemplação. A proposta é que o visitante participe ativamente.
Essa abordagem estimula a chamada economia circular, na qual o turismo gera renda sem esgotar recursos naturais, e ainda fortalece o sentimento de pertencimento dos moradores. Dessa forma, São Joaquim consegue conciliar desenvolvimento e preservação, criando um modelo turístico duradouro e atrativo durante todo o ano.
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Arte como motor de desenvolvimento
A arte também tem papel central nessa transformação. A cidade mantém a Escola Municipal de Arte, Cultura, Dança e Música, que oferece oficinas gratuitas para cerca de 250 alunos. O município abriga ainda a Casa da Cultura, o Museu de Arte e o Museu Histórico, e mantém sua própria orquestra.
A agenda cultural inclui eventos que levam a arte para as ruas, como o festival “É Tudo na Praça”, que ocupa o centro da cidade com música, teatro, dança e exposições. A proposta é transformar os espaços públicos em verdadeiros palcos a céu aberto, aproximando moradores e turistas.
— Arte e cultura não são apenas atrativos. Elas geram conexão, mexem com o imaginário e convidam o turista a viver a cidade com outro olhar — , destaca a Secretária de Turismo, Indústria e Comércio, Noeli Thome.
O futuro: turismo o ano todo
A nova estratégia coloca São Joaquim no caminho para ser reconhecida como um destino de inverno, mas também como uma cidade viva e criativa, capaz de receber visitantes em qualquer estação. Ao valorizar sua história, proteger seus recursos naturais e investir em cultura, o município constrói uma imagem que une tradição e inovação.
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Assim, a terra do frio se aquece no acolhimento e na riqueza das experiências que oferece. Seja para admirar a imponência do Pinheirão, caminhar por corredores de taipa, aprender técnicas centenárias de tecelagem ou se encantar com um concerto ao ar livre, São Joaquim convida o visitante a viver um turismo que é, ao mesmo tempo, encontro com a natureza, imersão cultural e preservação da identidade local.

