Criada no interior, acostumada desde cedo com a simplicidade da vida no campo, Zelinda Inês Carnevalli jamais imaginou que, um dia, precisaria assumir sozinha toda a responsabilidade pela propriedade da família. Entre o medo, a insegurança e o preconceito, ela transformou a dor em força e encontrou na filha o principal motivo para continuar.

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Hoje, ao lado de Kamille Dallabetta, Zelinda segue à frente da propriedade rural da família, em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, onde trabalham com cerca de 30 vacas em lactação e 650 suínos em terminação. A trajetória das duas é marcada pela persistência, pela coragem e pelo papel cada vez mais forte da mulher no campo.

Zelinda nasceu no interior

A ligação de Zelinda com o meio rural começou ainda na infância. Nascida e criada no interior, ela viveu desde cedo a rotina da agricultura e da vida simples no campo.

Durante a juventude, foi morar na cidade para estudar, mas acabou retornando ao interior após o casamento. Foi no campo que construiu a família e passou a dividir a rotina da propriedade ao lado do esposo.

— Vivíamos uma vida simples, mas com grandes sonhos — relembra.

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Na época, a família já trabalhava com produção de leite e suinocultura. Segundo Zelinda, o marido era quem administrava a propriedade e tomava as principais decisões relacionadas à atividade.

A perda do marido e o início de uma nova realidade

A vida da família mudou completamente após a morte do esposo. Além do luto, Zelinda precisou assumir responsabilidades que até então nunca haviam sido suas.

— O que mais me marcou foi a falta de experiência, o medo e as condições financeiras — conta.

Ela passou a lidar diretamente com bancos, pagamentos, administração da propriedade e decisões financeiras. Também precisou aprender a dirigir para conseguir manter a rotina da atividade rural.

— Eu não sabia dirigir, não sabia lidar com banco. Precisei aprender tudo com medo e insegurança, mas sempre com propósito.

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Segundo ela, o início foi marcado pela insegurança e pela dificuldade de assumir sozinha a responsabilidade de manter a propriedade funcionando.

“Pensei em desistir várias vezes”

Em vários momentos, Zelinda cogitou deixar o campo e tentar uma nova vida na cidade. Mas a filha pequena foi determinante para que ela permanecesse no interior.

— Pensei em desistir várias vezes, mas queria continuar ao lado da minha filha. Se fosse para a cidade, precisaria deixar alguém cuidando dela. Então escolhi permanecer na agricultura.

A decisão fez com que ela precisasse aprender, na prática, a administrar a propriedade e enfrentar desafios diários ligados à atividade rural.

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Preconceito enfrentado pelas mulheres no campo

Além das dificuldades emocionais e financeiras, Zelinda também enfrentou o preconceito por ser mulher em um setor historicamente dominado pelos homens.

— Muitas pessoas pensavam que eu não daria conta ou que não seria capaz por ser mulher. Diziam que o serviço era pesado demais.

Mesmo diante dos julgamentos, ela afirma que nunca deixou de acreditar na própria capacidade.

— Nunca deixei isso me abalar. Sempre segui em frente e tinha convicção de que conseguiria.

Filha se tornou inspiração e motivação

Kamille cresceu acompanhando toda a trajetória da mãe e afirma que encontrou nela um exemplo de força e independência.

— Minha mãe é minha força diária. Ver ela crescer e continuar firme me inspira a ser uma pessoa forte, corajosa e independente.

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Hoje, mãe e filha dividem não apenas a rotina da propriedade, mas também o sentimento de pertencimento ao meio rural.

— A vida no campo representa minha essência, o amor pela vida no interior e a certeza de que fiz a escolha certa — afirma Kamille.

Antonietas

Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.

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