O ataque hacker que afetou a infraestrutura da C&M Software, prestadora de serviços de tecnologia para instituições financeiras, já é considerado o maior ataque cibernético da história do sistema financeiro brasileiro. Os prejuízos ainda estão sendo contabilizados e podem chegar a R$ 1 bilhão.

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Os recursos foram desviados de contas reservas de clientes da C&M. Entre as empresas afetadas, segundo a Exame, estão a BMP, o Banco Paulista, Credsystem e Banco Carrefour, que confirmaram que foram atingidos pelo ataque. Alguns seguem com as operações de Pix suspensas, sem especificar se perderam dinheiro com a ação.

A Igreja evangélica Bola de Neve também estaria entre as instituições afetadas e está com as operações financeiras restritas, de acordo com a Exame. A Igreja foi procurada e não se manifestou sobre o caso.

Como ataque hacker ocorreu

A C&M Software, empresa brasileira de tecnologia da informação voltada para o mercado financeiro, reportou ao Banco Central um ataque às suas infraestruturas digitais.

Hackers teriam acessado de forma indevida contas de reserva de ao menos seis instituições financeiras que estavam conectadas à companhia. Ainda não há confirmação oficial sobre o valor desviado no ataque, porém estima-se que esse valor possa chegar a R$ 1 bilhão.

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“O ataque foi executado a partir de uma simulação fraudulenta de integração, utilizando-se de credenciais legítimas de um cliente para acessar os serviços como se fosse uma instituição financeira autorizada”, explica a empresa.

“Não houve invasão direta aos sistemas da CMSW. Os sistemas críticos seguem íntegros e operacionais. O que houve foi o uso indevido de integrações legítimas, por meio de credenciais comprometidas de terceiros”, complementa a C&M.

Empresa perdeu sozinha meio milhão

De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, a BMP, uma das instituições afetadas pelo ataque hacker, perdeu, sozinha, R$ 541 milhões. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) afirmou que a empresa registrou um boletim de ocorrência na última segunda-feira (30), no qual indicou um esquema de furto por meio de operações fraudulentas via PIX.

As investigações indicaram que um funcionário da C&M Software, empresa que sofreu o ataque que permitiu o acesso às contas reservas das instituições financeiras, seria o responsável por dar acesso à sua máquina para que os hackers agissem.

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O suspeito de facilitar o ataque foi preso nesta quinta-feira (3). O operador de TI afirmou em depoimento à Polícia Civil que vendeu a sua senha para os hackers por R$ 15 mil. Ele revelou ainda que trocava de celular com frequência para não ser rastreado.

O homem, de 48 anos, trabalhava na empresa C&M Software há cerca de três anos, e foi abordado por um homem que já sabia que ele trabalhava numa empresa de sistemas de pagamentos ao sair de um bar em São Paulo, no mês de março.

A partir daí, os hackers ofereceram valores para conhecer o sistema da empresa, executar comandos na plataforma e ter acesso ao sistema.

*Com informações de Exame e g1

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