Antes de ser a cidade conhecida como “fábrica de bilionários” por conta da sede da empresa WEG, Jaraguá do Sul foi um pequeno povoado ligado à Colônia Dona Francisca. Com terras que ficavam entre os rios Itapocu e Jaraguá, a cidade chegou a fazer parte do município de Paraty, atual Araquari, na década de 1870, e quase se tornou uma única cidade unida a Barra Velha.

Continua depois da publicidade

Tudo começou em 1851 quando iniciou-se a colonização do Domínio Dona Francisca, tendo por limite o lado esquerdo do rio Itapocu. No ano de 1875, Emílio Carlos Jourdan, engenheiro e coronel honorário do Exército Brasileiro, foi convidado para fazer a medição e tombamento de 25 léguas quadradas no Vale do Itapocu e Rio Negro. Na mesma época, assinou instrumento particular de arrendamento de 430 hectares das terras com a Princesa Isabel. 

Começou então a colonização dos lotes com auxílio de 60 trabalhadores que cultivam a cana-de-açúcar, constituindo-se um engenho de cana, serraria, olaria, engenho de fubá e mandioca. O Estabelecimento Jaraguá, em tupi-guarani Senhor do Vale, ficava entre os rios Itapocu e Jaraguá e a região pertencia ao município de Paraty. Em 17 de abril de 1883 foi anexada por Joinville. Diante da impossibilidade de reverter a situação, Jourdan, em 1888, desiste deste empreendimento, que foi depredado em 1893, conforme informações da prefeitura da cidade.

Com a Proclamação da República em 1889 as terras que eram de um dote passam para o domínio da União, e em 1893 para a jurisdição dos Estados. As terras devolutas na região, à margem direita do Rio Jaraguá, passam a ser colonizadas pelo Estado através do Departamento de Terras e Colonização, sediado em Blumenau. Essa colonização se dá, a partir de 1891, na região de Garibaldi e Jaraguá Alto, com imigrantes húngaros; na região do Rio da Luz e Rio Cerro com colonizadores alemães e neste último também com italianos.

Após sua participação na Revolução de 1893 ao lado do Marechal Floriano Peixoto, Emílio Carlos Jourdan retorna a região e solicita ao Governador do Estado de Santa Catarina, Hercílio Pedro da Luz, a concessão de 10.000 hectares de terras para a Colônia Jaraguá, o que ocorre em 15 de maio de 1895, com escritura lavrada em 4 de fevereiro de 1896. Devido a problemas de demarcação da concessão e desavenças políticas, Emílio Carlos Jourdan vende a concessão  em 1898 para Pecher & Cia e retira-se para o Rio de Janeiro.

Continua depois da publicidade

Jaraguá do Sul quase se uniu a Barra Velha

No ano de 1895, Joinville institui Jaraguá como o segundo Distrito. Entretanto, no ano seguinte, a região volta a pertencer a Paraty. Houve ainda a possibilidade de formar com Barra Velha um município com o nome de Glória. Foram realizadas consultas populares em 1897: Georg Czerniewicz e Roberto Buhler lideravam o grupo que defendia a emancipação; Rosemberg, Butschardt e Koch eram do grupo que queriam ser anexados a Joinville. Venceu o segundo grupo e Jaraguá passou, efetivamente, a ser o segundo Distrito de Joinville.

Crescimento da cidade que abriga a WEG

Após alguns anos, de um simples povoado, Jaraguá se tornou uma vila economicamente ativa, principalmente após a construção da ferrovia, inaugurada em 1910. A cidade cresceu ao seu redor e neste burburinho chegavam as notícias, os produtos, os visitantes e, escoava-se a produção local.

Assim, por volta de 1930, o movimento pró-emancipação se formou por um decreto estadual de 26 de março de 1934, o Interventor Federal Aristiliano Ramos, desmembrou Jaraguá de Joinville, tornando-o município e nomeando para prefeito, o então Intendente, José Bauer. 

Em 1943, o município passa a ser Jaraguá do Sul. Por sua vez, o Distrito de Hansa também buscava sua emancipação, o que aconteceu em junho de 1958, tornando-se a atual Corupá.

Continua depois da publicidade

Cidade hoje

Jaraguá do Sul, uma das principais cidades de Santa Catarina, é um vale verde cercado por montanhas cobertas de matas, onde se sobressai o Morro Boa Vista, com 923 metros de altura, estrategicamente situado como um exuberante pano de fundo e cartão-postal da cidade.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada da cidade em 2025 era de 199,5 mil pessoas. Hoje, a cidade é um dos principais parques fabris de Santa Catarina, importante polo econômico e de exportação. São mais de mil indústrias de pequeno, médio e grande porte, que fabricam os mais variados produtos, principalmente dos setores de metalmecânica, malhas, confecções, móveis, chapéus, gêneros alimentícios, essências, cosméticos, além de componentes eletrônicos e informática.

De acordo com a prefeitura da cidade, a descendência de sua população se forma por alemães, afrodescendentes, italianos, húngaros e poloneses, com forte contribuição na formação cultural da cidade.