Florianópolis recebe, a partir do dia 17 de abril, a turnê de “Remix”, novo espetáculo da Deborah Colker que revisita mais de três décadas de trajetória da companhia que leva seu nome. Em curta temporada no Teatro Ademir Rosa (CIC), a montagem propõe um mergulho sensível no tempo por meio de cenas icônicas recriadas sob um novo olhar.
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Mais do que uma retrospectiva, “Remix” nasce de um momento íntimo. Após a estreia de “Sagração”, em 2024, e de uma trilogia intensa que marcou a companhia, a coreógrafa se viu diante da necessidade de olhar para dentro.
— Era um momento importante para a gente falar do nosso legado, trazer essa assinatura de quem a gente é — comentou ela ao NSC Total.
Veja em fotos um breve “spoiler” de “Remix”
“Trabalhos que precisam ser dançados de novo”
A decisão de revisitar obras como “Vulcão” (1994), “Rota” (1997), “4×4” (2002) e “Belle” (2014) partiu também de um impulso geracional. Bailarinos mais jovens, muitos deles com pouco mais de 20 anos, não haviam vivido criações marcantes do repertório, segundo Deborah Colker.
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— A gente tem muitos trabalhos incríveis que precisam ser dançados de novo.
O resultado é um espetáculo inédito, estruturado em dois atos que dialogam entre si. No primeiro, a densidade: movimentos mais próximos do chão, atravessados por força, risco e visceralidade — como na coreografia com cerca de 90 vasos, onde a delicadeza convive com a tensão. No segundo, a leveza: a suspensão, a roda gigante de sete metros, o corpo em estado de voo.
— A gente criou uma linha poética, uma dramaturgia. Não é uma remontagem, é uma nova obra — explica ela.
Ao revisitar essas criações, Deborah também redescobriu sentidos. A aproximação entre “Paixão”, de 1994, e “Belle”, de 2014, por exemplo, trouxe novas camadas sobre desejo, feminino e instinto.
— A paixão não é sobre o amor, é sobre ímpeto, descontrole. Ela é patética e sublime. E isso continua muito presente hoje — reflete.
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Para ela, conectar obras tão distantes no tempo é também repensar valores e afetos que atravessam gerações. Essa travessia pessoal e artística, inclusive, está diretamente ligada ao momento que a artista vive.
— Tudo que a gente vive atravessa o trabalho. É um espetáculo com muito amor, muita dor, muita resiliência — diz.
Com mais de 30 anos de carreira, o que move Deborah continua sendo o risco e a experimentação, de acordo com ela.
— É sobre buscar caminhos desconhecidos, colocar luz onde ainda está escuro. A gente traz para o corpo os questionamentos do nosso tempo; as guerras, o meio ambiente, o que significa estar vivo hoje — afirma.
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“Florianópolis é um lugar de praia, sim, mas também de arte”
A relação com o público, aliás, é parte essencial desse processo, e tem um capítulo especial em Florianópolis. Deborah lembra das primeiras apresentações na cidade, ainda nos anos 1990, quando a plateia era pequena.
— Na época, diziam que aqui não tinha público, que todo mundo só queria praia. Mas a gente foi insistindo. De 40 pessoas, depois 100, até lotar. Hoje é um público fiel. Florianópolis é um lugar de praia e de arte — diz, com carinho.
Agora, ao retornar com “Remix”, a companhia reencontra esse público já transformado.
— Quem ainda não viu, vem. É um espetáculo que começa pelo Sul com muita energia.
Com 16 bailarinos em cena e uma estrutura considerada a mais ousada já montada pela companhia, a produção reúne diferentes tecnologias, cenários e desafios físicos em um mesmo espetáculo.
— É quase uma ópera — resume a coreógrafa.
Para o público, a promessa é de uma experiência intensa.
— Vai ficar com o coração na boca, vai se emocionar, mas também vai ter momentos de leveza, de delicadeza — antecipa.
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“Remix” será apresentado nos dias 17, 18 e 19 de abril, com sessões no CIC. Os ingressos estão à venda online, com valores a partir de R$ 25, via Disk Ingressos.
Confira a ficha técnica do espetáculo
Criação e Direção
DEBORAH COLKER
Direção Executiva e Dramaturgia
JOÃO ELIAS
Direção Musical
BERNA CEPPAS
Direção de Arte
GRINGO CARDIA
Figurinos
CLAUDIA KOPKE (figurinista)
YAMÊ REIS (criação original)
SAMUEL CIRNANSCK (criação original)
Desenho de Luz
JORGINHO DE CARVALHO
Antonietas
Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.












































