Com um trabalho voltado para o tratamento de resíduos, efluentes e mitigação de dióxido de carbono (CO2) para desacelerar as mudanças climáticas, e mais de quatro décadas de atuação, Regina de Fátima Peralta Muniz Moreira é uma pesquisadora premiada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Formada em engenharia química, ela é mestre e doutora em Química, e possui pós-doutorado na Universidade do Porto, em Portugal. No momento, atua como professora e pesquisadora da UFSC, além de já ter sido professora visitante na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Universidade de Málaga.

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Vinda do interior do Paraná, a trajetória de Regina na UFSC começou na década de 1980, quando ingressou na universidade como docente, logo após finalizar a graduação. O mestrado e o doutorado vieram logo em seguida, assim como a experiência de realizar o estágio do doutorado no exterior. Ao longo das últimas décadas, a professora tem atuado com pesquisa, desenvolvimento de projetos e de tecnologia em uma trajetória que relata com carinho e orgulho, seja pela formação de diversos profissionais ou pelas conquistas acadêmicas e linha de pesquisa desenvolvida.

— A minha área de pesquisa predominante é a área de processos químicos para remediação ambiental, mas muito mais voltado para processos industriais. Então, tratamento de resíduos, tratamentos de efluentes, mitigação de dióxido de carbono para evitar mudanças climáticas. Mais a proteção ambiental mesmo — destaca.

Entre as premiações que a pesquisadora já conquistou estão o Prêmio Internacional Green Project Award – GPA Brazil, Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação Professora Johanna Döbereiner, Prêmio Mulheres na Ciência, além de ter sido listada na Best Scientists in the World By Discipline 2025, no campo de Química. Regina afirma que o reconhecimento é resultado do trabalho da equipe, também composta por alunos de mestrado e doutorado, e destaca a importância da visibilidade para a pesquisa na área de proteção do meio ambiente.

— Esse reconhecimento não é só meu, eu divido com todos eles, que compraram as ideias e fizeram acontecer de modo a dar visibilidade para a pesquisa que a gente faz. Sem contar o grande orgulho que eu tenho de ser docente da UFSC, que é uma instituição muito vibrante — declara.

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A escolha pela ciência e pela própria engenharia química veio por vocação, conta. Contudo, as dificuldades existem, especialmente sendo mulher. Ela afirma que, com o passar do tempo, percebeu avanços em termos de políticas para fomento a bolsas, financiamento de pesquisa e participação. Porém, o preconceito persiste, e em como outros setores da sociedade ainda há questões para serem superadas, de forma geral, na academia, mas ainda mais intensamente nas áreas exatas, afirma a pesquisadora. Ela comanda o Laboratório de Energia e Meio Ambiente (Lema) da UFSC, que tem uma presença predominante de mulheres.

— Eu costumo dizer, porque eu tenho muitas alunas, que a questão da maternidade deve ser protegida. Na época que eu fui mãe não se tocava nesse assunto — afirma a pesquisadora.

Dobro de horas

Regina reforça ainda como o desafio de ser mulher é ainda maior se considerada, além do preconceito e oportunidades dentro do campo da pesquisa, a vida fora dela. Os cuidados com os filhos, afazeres domésticos e outras responsabilidades que recaem sobre as mulheres fazem com que o ambiente da ciência, que já é desafiador, seja ainda menos favorável à elas.

— Tem um número estatístico muito interessante que costuma se falar na área da ciência. As mulheres, professoras, pesquisadoras, normalmente usam o dobro do número de horas do seu dia em seus afazeres fora do trabalho — relata.

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A luta das pesquisadoras é para que o fato de ser mulher não seja visto como uma desvantagem dentro de um meio competitivo como a ciência. E para que o preconceito com a presença feminina nesses ambientes, muitas vezes ainda dominados por homens, não impeça outras mulheres de mostrarem seu potencial.

— O importante para mim é que nenhum talento se perca. Que nenhum talento seja perdido no meio dessa evolução e desse caminhar da sociedade, que está levando para a igualdade de gênero — reflete Regina.

Para o futuro, ela diz que a cabeça ainda “fervilha de ideias”, com foco nas questões ambientais e em como fomentar a pesquisa. E o recado que deixa para quem busca ingressar na área, é de encorajamento às mulheres.

— Vai firme, respira fundo e vai. Se a gente quer uma sociedade mais justa, a gente tem que fazer alguma coisa para isso também. Não desistir é a primeira delas — finaliza.

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Antonietas

Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.