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Tensão na América do Sul

"Defenderei com a minha vida o país", diz Nicolás Maduro, em discurso a apoiadores 

Presidente venezuelano chamou oposicionistas de "fantoches do imperialismo" e traidores da pátria e anunciou rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia 

23/02/2019 - 16h34

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Por GaúchaZH
Chavista mandou recado ao Brasil: está disposto a comprar toda a carne e arroz vindo de Roraima
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O presidente venezuelano Nicolás Maduro declarou que está disposto a morrer para defender a Constituição da Venezuela. O discurso foi feito para uma multidão de centenas de milhares de seguidores em Caracas, na tarde deste sábado (23). O pronunciamento é uma resposta à oposição política, que organizou atos de repúdio ao chavismo venezuelano e pró-recebimento de ajuda humanitária de outros países - auxílio esse recusado por Maduro.

— Defenderei com a minha vida o país e a Constituição — disse Maduro.

No discurso, Maduro anunciou o rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia, que não mais o reconhece como presidente do país — em favor de Juan Guaidó, líder da Assembleia Nacional.

— Eu decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com o governo fascista da Colômbia e todos os seus embaixadores e cônsules devem partir em 24 horas da Venezuela. Saia daqui, oligarquia! — afirmou Maduro.

Maduro desdenhou da ajuda humanitária e disse que é um truque do imperialismo norte-americano, "apoiado pela oligarquia colombiana de Iván Duque" (o presidente da Colômbia). O presidente venezuelano chamou de "fantoches e palhaços" os organizadores do ato contra a fome e pelo envio de alimentos à Venezuela.

— Ora, ajuda humanitária...a quem Donald Trump (presidente norte-americano) ajudou na vida? Querem enganar a quem? Ao povo venezuelano que não — desafiou Maduro.

As piores palavras de Maduro foram dirigidas a Juan Guaidó — oposicionista que se autoproclamou presidente legítimo da Venezuela — e outros organizadores das manifestações por ajuda humanitária.

— Palhaços, fantoches do imperialismo! Vocês queimaram ônibus, atropelaram uma policial, intimidaram jornalistas, nesses atos de hoje. Tudo para alcançar ao povo uma comida podre, vencida, vinda do Exército ianque. Comida que já fez mal a muita gente. Vou buscá-los e prendê-los! Vocês chamam uma invasão militar gringa de "ajuda humanitária". Até quando, golpistas? O que conseguiram em 20 anos de golpismo? — desafiou.

Confrontos nas fronteiras com o Brasil e a Colômbia marcaram manifestações de opositores contra o presidente venezuelano
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Ao Brasil, mandou recado. Disse que a Venezuela está disposta a comprar toda a carne e arroz vindo de Roraima.

— Não somos mendigos. Compro agora e trago agora. Venham! Já. Mas não como esmola.

Maduro mencionou diversas vezes seu mentor e líder da "revolução bolivariana", Hugo Chávez (morto em 2013). Ele recordou que, com a morte de Chávez, chamou novas eleições.

— Poderia ter simplesmente assumido o poder. Estávamos em maioria, com confiança do povo. Não me aproveitei. Cumpri a Constituição, que mandava fazer nova eleição em 30 dias. E onde estão os defensores da Constituição agora? Por que não convocam eleições? Eu respondo: porque o povo não está com eles.

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