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Dependência química: “Tratar com muito amor e respeito, é o que eles merecem”

Com foco no tratamento humanizado, RADEV trabalha há nove anos com dependentes de álcool e drogas

01/06/2021 - 16h55

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Estúdio
Por Estúdio NSC
"Cada paciente que entra nessa porta é como se fosse um filho meu.", conta a vice-diretora da RADEV, Margarete Cabral
"Cada paciente que entra nessa porta é como se fosse um filho meu.", conta a vice-diretora da RADEV, Margarete Cabral
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Aproximadamente 10% dos brasileiros já utilizaram alguma substância ilícita durante a vida, de acordo com o III Levantamento Nacional sobre o uso de drogas. Durante a pandemia, a situação agravou-se ainda mais. Segundo os dados do Ministério da Saúde, nas redes credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o socorro por uso de alucinógenos cresceu 54% de março a junho de 2020 quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

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Com poucas políticas públicas de combate ao uso de drogas, milhares de famílias sofrem por amar alguém que perdeu o controle sobre a própria vida. No entanto, a dependência química é uma doença com tratamento.

As clínicas de reabilitação são uma opção para afastar o dependente do vício. Em espaços controlados, o paciente pode se desintoxicar e reaprender a viver sem as drogas. Além disso, elas podem oferecer terapias, atividades e palestras que auxiliam na ressocialização.

A RADEV é uma instituição para dependentes de álcool e drogas que preza pelo tratamento humanizado do paciente. Para o terapeuta e diretor da clínica, Mauro Dias, seu objetivo é mostrar ao adicto que existe vida sem o uso de entorpecentes.

— O dependente químico é visto pela sociedade como um marginal, mas nós não o vemos assim. A RADEV vê cada dependente químico como um doutor, como um professor, como um médico ou como um trabalhador braçal honrado — conta Mauro que, assim como seus internos, também já foi dependente das drogas.

História que se transformou em propósito

— Eu venho de uma família humilde, mas funcional. Todos são trabalhadores e eu ‘descambei’. Eu não sabia que eu tinha essa doença, como se fosse uma válvula dentro do cérebro. Quando eu usei droga pela primeira vez me deu um boom, parecia que tudo o que eu queria, eu tinha encontrado. Eu escolhi usar a droga e, depois, fui escolhido porque não conseguia mais parar — relata o diretor que à época morava em São Paulo.

Depois de alguns anos de internações mal sucedidas e recaídas, a família de Mauro, que apesar de muito afetuosa, reprovava suas atitudes, optou pela internação involuntária e, contra a sua vontade, ele foi levado a uma instituição da região.

— Tentei lutar mas não teve como. E aí, dentro da ambulância, eu pensei “Poxa, estou sempre dizendo que vou me tratar, vou aproveitar agora. Vou tentar fazer dessa, a única vez que vai dar certo”. E foi. Fui tratado com amor e com dignidade — revela Mauro.

— Admitir que tem um problema e aceitar que tem um problema são duas coisas distintas. Eu posso admitir que eu tenho a doença mas eu não aceito que eu nunca mais possa tomar uma cerveja. Quando eu admito e aceito, é o primeiro passo para eu entrar em recuperação — conta o dependente em recuperação.

Os diretores da RADEV, Margarete e Mauro
Os diretores da RADEV, Margarete Cabral e Mauro Dias
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Após o tratamento, o socorrista procurou formação e passou a integrar a equipe da clínica onde se recuperou. Ainda lá, conheceu a catarinense Margarete, sua atual esposa, que buscava na instituição de São Paulo um tratamento para um familiar porque não estava satisfeita com os oferecidos aqui no estado. Assim, Margarete e Mauro começaram a namorar e, tempo depois, decidiram vir a Santa Catarina abrir o próprio negócio, a RADEV.

Cuidando do amor da vida de alguém

Há nove anos a RADEV trabalha com dependentes químicos em Santa Catarina. Os pacientes que chegam à clínica recebem tratamento médico, psiquiátrico, psicológico e nutricional.

Veículo de remoções da RADEV
Veículo de remoções da RADEV
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— Nós somos muito realizados com o trabalho que a gente faz. Cada paciente que entra nessa porta é como se fosse um filho meu. Eu sinto a necessidade de levar para dentro e tratar com muito amor e respeito, é o que eles merecem — conta a vice-diretora Margarete Cabral.

— A gente tenta mostrar que eles têm uma doença que não tem cura, mas é tratável [...] Eu estou sempre com eles. A gente faz churrasco, noite da pizza, noite do sushi, reuniões e eventos para mostrar a eles que é possível viver sem álcool, viver sem drogas. — diz Mauro.

Conheça mais a RADEV acessando o site.

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