Quando a microbiota intestinal de pacientes com transtorno depressivo é transplantada para animais saudáveis, comportamentos do tipo depressivo são induzidos nos receptores.

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Isto é o que aponta a pesquisa Gut microbiota composition in depressive disorder: a systematic review, meta-analysis, and meta-regression (Composição da microbiota intestinal no transtorno depressivo: uma revisão sistemática, meta-análise e meta-regressão), publicada na revista científica Translational Psychiatry.

E o contrário também se provou verdadeiro, uma vez que, segundo os pesquisadores, o transplante de microbiota vinda de animais doadores saudáveis para hospedeiros com sintomas depressivos demonstrou melhorar os sintomas.

O achado foi destacado por estudos experimentais citados na publicação na revista Translational Psychiatry. Um deles é Gut microbiome remodeling induces depressive-like behaviors through a pathway mediated by the host’s metabolism (A remodelação da microbiota intestinal induz comportamentos semelhantes à depressão por meio de uma via mediada pelo metabolismo do hospedeiro), que demonstrou que o transplante de bactérias intestinais de pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM) para camundongos foi capaz de induzir sintomas da doença nos animais.

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Conforme os pesquisadores, a descoberta reforça a existência do “eixo microbiota-intestino-cérebro”, um mecanismo onde o ambiente intestinal influencia diretamente as funções cerebrais através do metabolismo do hospedeiro. Segundo os pesquisadores da Universidade Médica de Chongqing, na China, a ausência total de bactérias em camundongos criados em ambiente estéril resultou em uma redução de comportamentos ligados à ansiedade e depressão em testes laboratoriais.

Eixo intestino-cérebro

A pesquisa publicada na Translational Psychiatry, que analisou dados de 44 estudos envolvendo 4.883 participantes, incluindo a da Universidade da China, apontou que a depressão é caracterizada por um aumento de bactérias pró-inflamatórias e pela redução de gêneros produtores de butirato, que possuem propriedades anti-inflamatórias.

De acordo com o levantamento, pacientes com depressão apresentam níveis consistentemente elevados de gêneros como Eggerthella, Enterococcus e Streptococcus. Em contrapartida, houve uma redução significativa de bactérias benéficas como Faecalibacterium e Coprococcus.

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Segundo os pesquisadores, essa alteração na composição da microbiota reforça a teoria do “eixo intestino-cérebro”, que seria um canal de comunicação bidirecional onde as bactérias produzem neurotransmissores e substâncias químicas que viajam pelo sangue até o sistema nervoso central.

Apesar dessas evidências em animais, o estudo observa que as pesquisas clínicas em humanos ainda apresentam resultados “mistos” e são influenciadas por fatores como o uso de medicamentos psicotrópicos, dieta, idade e localização geográfica.