Três pessoas são investigadas em uma nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na manhã desta terça-feira (17) pela Polícia Federal. São eles a deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que teria comprado um apartamento de R$ 4,4 milhões com dinheiro desviado do INSS; Cecília Rodrigues Mora, que geria a chamada “planilha de propinas” pagas a servidores; e Natjo de Lima Pinheiro, que desenvolvia estratégia sobre a ocultação dos pagamentos indevidos. As informações são do O Globo.
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A PF pediu as prisões dos que chamou de “líderes da organização criminosa”, afirmando que havia risco em manter os investigados livres, lá que poderiam “ocultar e dilapidar” o que foi decorrente das fraudes.
Deputada Gorete Pereira está usando tornozeleira eletrônica
Apesar da Polícia Federal ter solicitado a prisão preventiva da deputada, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça impôs a ela o uso de tornozeleira eletrônica. De acordo com a PF, ela “atuava na articulação política e operacional das associações fraudulentas”. Ela teria utilizado de sua influência para viabilizar acordos com o INSS, mantendo contato direto com autoridades e, além disso, pressionando servidores.
O nome da deputada aparece na tabela de propina trocada entre Natjo e Cecília, com o registro da quantia de R$ 780.433,50. Foram encontrados comprovantes de transferência de valores para a conta de Gorete com uma empresa de fachada administrada pela sobrinha dela.
No nome dessa empresa, há a compra e venda de um imóvel de R$ 4,4 milhões, com um dos pagamentos saindo diretamente da conta da deputada. O apartamento seria de Gorete, segundo a PF, de acordo com documentos de sobras no imóvel.
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Advogada Cecília Rodrigues Mora era uma das principais articuladoras
A advogada Cecília era uma das principais articuladoras da organização, segundo a PF. De acordo com a Polícia Federal, ela agia como uma ligação entre os integrantes do grupo, agentes públicos e associações, com pagamento de propina aos servidores do INSS.
Ela controlava os pagamentos, com o dinheiro de Natjo, por meio de planilhas. Cecília também atuava como diretora de associações sob investigação e atuava na “formalização em massa de atos associativos fraudulentos” no INSS, segundo a PF. Ainda de acordo com a investigação, ela também organizava e executava a inclusão indevida de aposentados em associações, além de usar dados pessoas de beneficiários sem consentimento, por exemplo.
Cecília também recebia valores fixos pelos desvios. O companheiro de Cecília também é apontado como “beneficiário direto” da lavagem de bens do esquema, com recebimento de R$ 2 milhões entre junho de 2022 e fevereiro de 2025.
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Empresário Natjo de Lima Pinheiro era o “administrador”
O empresário Natjo de Lima Pinheiro é apontado pela PF como o “líder e administrador financeiro da organização criminosa”. Era ele que fazia a gestão de operações financeiras do grupo, definia de estratégias e, também, pagava as propinas. Segundo a PF, ele usou pelo menos cinco empresas de fachada, assim como um laboratório e uma clínica de saúde, para lavar o dinheiro desviado dos aposentados.
Natjo também chegou a orientar Cecília para que ela abrisse contas de seu escritório em quatro estados para distribuir os pagamentos de propinas, segundo a PF, com valores maiores a R$ 50 milhões em contratos e repasses.
De acordo com a PF, ele adquiria imóveis e veículos com dinheiro lavado e registrava em nome de outras pessoas, como um jato comprado por ele.
Articulação com ex-presidente do INSS
A Polícia Federal também afirmou que a deputada fazia uma articulação direta com o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e com um diretor da Dataprev. O objetivo era agilizar a ativação de entidades usadas no esquema de desvios indevidos.
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Foram encontrados comprovantes de pagamentos, reservas de hospedagem e passagens aéreas no nome do assessor de Alessandro Stefanutto. Natjo e Cecília também teriam feito pagamentos indevidos ao então Diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS e o então Procurador-Geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS
Relembre a fraude no INSS
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto no dia 23 de abril, com a revelação de um esquema que prejudicou milhões de beneficiários do INSS em todo o Brasil.
Neste momento, há uma investigação em aberto da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no Congresso Nacional.





