Relatos de alunos militares vêm tomando conta das redes sociais nos últimos meses sobre diversas saídas da Escola de Sargentos das Armas (ESA), que forma e graduar sargentos de carreira das armas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações. Segundo os relatos, os motivos para o abandono da formação militar vão desde falta de incentivo até a necessidade de complementação de renda, por exemplo, com sargentos trabalhando como motoristas de aplicativo.
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Os desabafos foram feitos a uma página chamada de Speed Militar, que fornece materiais para alunos para aprovação de alunos na ESA. Em capturas de tela, um dos alunos afirma que pediu desligamento após perceber que “a carreira de sargento deixa a desejar”.
“As duas únicas vantagens que consigo enxergar é a estabilidade e um pouco do prestígio que resta da instituição, e comparado com os contras da profissão, fica complicado querer ser sargento”, escreve.
Conforme um levantamento feito pela CNN, a Marinha e o Exército perderam, de forma conjunta, mais de 5,2 mil profissionais entre 2015 e 2024. Salários defasados, jornadas de trabalho e perdas de benefícios estão entre os motivos apontados pelos militares para o abandono da carreira.
Atualmente, o salário-base (soldo) de um soldado do Exército varia entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil, dependendo do engajamento e especialização. Ao longo da carreira militar, a renumeração aumenta conforme a ascensão para cabo, sargento ou oficial.
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Entenda os relatos
“Sargento está fazendo Uber”
Em outro relato, um aluno afirma que muitos sargentos estão saindo da Escola de Sargentos das Armas antes mesmo do período obrigatório antes da promoção. No Exército Brasileiro, o aluno que segue carreira, conclui o curso e é promovido tem um tempo de serviço obrigatório automático de 1 ano após a promoção. Depois desse período, o militar assina reengajamentos sucessivos de 1 ano, podendo permanecer na corporação até atingir o limite de idade ou optar por sair.
“Estão saindo, pois não está tendo incentivo […] Um sargento do básico aqui está fazendo Uber”, escreveu um aluno, afirmando que colegas estavam trabalhando como motoristas de aplicativo para complementar a renda.
Conforme os relatos, os alunos, ao verem esse tipo de situação, estão repensando se devem seguir carreira militar. No início do ano, por exemplo, um boletim do Exército mostrou que 13 oficiais saíram da carreira de uma só vez.
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Para além das dificuldades financeiras, outros pontos também são citados pelos alunos, como desgaste psicológico constante; transferências obrigatórias; afastamento da família; rotina disciplinar rígida; pressão contínua; e falta qualidade de vida.






