A flexibilidade dos vasos sanguíneos é um parâmetro fundamental para avaliar a saúde do coração, e pode não refletir a idade que aparece na sua carteira de identidade.
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Embora pouco valorizada, essa característica é tão importante para identificar doenças cardiovasculares quanto níveis elevados de colesterol e pressão alta. Um exame simples, rápido e indolor pode medir essa elasticidade: a velocidade da onda de pulso (VOP).
O que o exame revela
“Artérias jovens são flexíveis; com o envelhecimento, tornam-se mais rígidas”, explica Ezequiel Forte, presidente do Comitê Científico do Congresso de Cardiometabolismo da Sociedade Argentina de Cardiologia (SAC), em entrevista ao jornal La Nacion.
Quando grandes vasos, como a aorta, ficam endurecidos, o coração precisa fazer mais esforço, e órgãos como rins e cérebro acabam prejudicados.
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A rigidez arterial está relacionada a maior risco de hipertensão, insuficiência cardíaca, declínio cognitivo e problemas renais. Esse sinal aparece muitos anos antes de outras alterações clínicas.
“Algumas pessoas, aos 45 anos, já acumulam lesões nas artérias, mesmo sem sintomas”, afirma Forte.
Guido Damianich, vice-presidente do comitê, destaca a importância da conscientização: “Quando alguém de 45 anos descobre que suas artérias têm a idade de 60 ou 65, geralmente se motiva a mudar hábitos”.
Fatores que aceleram o envelhecimento das artérias
Obesidade, falta de atividade física, tabagismo, dieta rica em alimentos ultraprocessados, colesterol alto e pressão alta são os principais vilões que aceleram o processo.
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Sergio Baratta, presidente eleito da SAC, explica que o envelhecimento arterial varia entre as pessoas. Algumas têm predisposição genética para um processo mais lento, enquanto outras apresentam envelhecimento precoce mesmo com exames clínicos normais.
Como é realizada a medição
Há 30 anos, a VOP era um procedimento invasivo. Atualmente, é feita de forma parecida com a medição da pressão arterial, usando um aparelho automático.
“O exame não causa dor nem incômodo. Na tela aparece uma curva e, com dados como idade, altura e peso, um algoritmo calcula a velocidade da onda. Quanto mais rígida a artéria, mais rápida é essa onda”, explica Damianich ao La Nacion.
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A pressão aórtica central, medida diretamente pelo exame, é ainda mais precisa que a pressão do braço, pois vem direto do coração.
Um avanço para a prevenção
Especialistas defendem que a VOP seja incorporada à atenção básica, podendo ser feita por médicos e enfermeiros.
“Se informarmos que as artérias estão envelhecendo e que é possível reduzir essa idade vascular, o paciente terá uma meta concreta e motivadora”, resume Stutzbach.
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Para Damianich, isso faz parte de uma transformação na medicina: sair do modelo apenas reativo para uma abordagem focada na prevenção. “Não é um exame revolucionário, mas que ajuda muito a identificar riscos e evitar danos maiores”.
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