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Diego Jardel: o sheik de Águas Mornas que brilha nos Emirados Árabes

Após quatro temporadas, Diego Jardel é destaque no futebol árabe, fala do carinho pela cidade natal e sobre o desejo em voltar a vestir a camisa do Avaí quando voltar ao Brasil

19/06/2021 - 10h00

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Por Daniela Walzburiech
Por Carlos Rauen
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Diego Jardel e a família posam para fotos com roupas tradicionais da cultura árabe
(Foto: )

Nas últimas quatro temporadas, clubes dos Emirados Árabes e também do Catar viraram a casa de Diego Jardel. Aos 31 anos, o meia que brilhou com a camisa do Avaí entre 2014 e 2014 já passou por Al Arabi SC e Al Dhafra e agora busca o sucesso no Ajaman. A oportunidade de atuar na Ásia surgiu, aliás, após o último acesso conquistado pelo catarinense no Leão da Ilha.  

Antes de aceitar a proposta, o atleta conversou com dois amigos que trabalham atualmente no clube de Florianópolis.

– Era uma vitrine importante por ser a sede da próxima Copa. Peguei conselhos com Júnior Dutra e com o Evando. Eles deram informações muito positivas sobre cultura, qualidade de vida, segurança... Eu tinha a minha filha recém-nascida, e isso pesou – conta ele.

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Aos 31 anos, Diego Jardel está há quatro temporadas defendendo clubes dos Emirados Árabes e também do Catar
(Foto: )

Ele lembra que espantou-se com o idioma ao chegar no futebol árabe, em 2017, para jogar em um clube do Catar.

– Todos eram árabes. Eu já não sabia falar inglês. Nos primeiros três meses não conseguia me comunicar com as pessoas. No campo, o cara não conseguia compreender. Passei muita dificuldade. Daí comecei a estudar, aprender inglês e as coisas foram melhorando. As coisas começaram a acontecer – recorda.

Gastronomia e costumes

A gastronomia e a cultura árabe impactaram o catarinense. Ele lembra que espantou-se ao ver os colegas da equipe sentados em um tapete e comando com as mãos:

– Eles estavam ao redor de um prato gigante com várias coisas misturadas. Em cima do arroz tinha um carneiro inteiro assado. Quando eu olhei, só pensei: “Misericórdia, o que é isso aqui?”. Eles jogavam iogurte naquele prato e comiam com a mão. Meu estômago foi embrulhando e pensei em não comer, mas seria uma desfeita. Resolvi pegar pelo menos um pedaço da carne, onde ninguém tocou antes. Estava quente e queimei a mão. (...) Mas, por incrível que pareça, tu começa a gostar e passa a ser algo do teu dia a dia – conta ele.

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Jogador passou parte da pandemia em Águas Mortas, cidade onde nasceu
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Cantinho especial e o desejo de voltar a defender o Leão da Ilha

Apesar da parte financeira e das belezas dos Emirados Árabes, é a cidade de Águas Mornas, na Grande Florianópolis, que tem um espaço especial no coração do jogador. Foi lá que Diego Jardel deu os primeiros chutes na bola e onde passa as férias ao lado da família quando retorna para o Brasil.

– É o meu cantinho, é onde nasci. Fiquei uns seis meses em Águas Mornas na pandemia. Pude aproveitar bastante meus pais e amigos, que há muito tempo eu não via. Também bati uma bolinha com meu filho de dois aninhos no campo que eu joguei. Não tem coisa melhor que voltar para as tuas raízes e onde tu almejou conquistar coisas – diz o jogador.

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No momento, Diego Jardel não pensa em voltar para jogar no Brasil. Mas, quando chegar a hora, o desejo é vestir a camisa azul e branca mais uma vez. 

– Nunca escondi o carinho que tenho com o Avaí, sempre que dá, acompanho. Quando os jogos são à tarde, consigo assistir. É um clube que tenho graditão. Foram momentos marcantes, três anos, mais de 100 jogos, meu nome já está relacionado com o Avaí. Eles falam Diego Jardel do Avaí. Quando eu voltar para o Brasil, penso em continuar minha história no Avaí – projeta o atleta.

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