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Entrevista

Diretor irlandês duas vezes indicado ao Oscar participa da Mostra de Cinema Infantil nesta sexta (27)

Tomm Moore é um dos fundadores do estúdio responsável pelas animações "Uma Viagem ao Mundo das Fábulas" e "A Canção do Oceano"

26/11/2020 - 10h33

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Por Redação NSC
Em entrevista exclusiva para o NSC Total, o cineasta fala da importância dos mitos e das narrativas
Em entrevista exclusiva para o NSC Total, o cineasta fala da importância dos mitos e das narrativas
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Um dos principais nomes da animação no mundo, o irlandês Tomm Moore é convidado da Mostra de Cinema Infantil e participa nesta sexta (27), às 19h, de uma conversa no Encontros do Cinema Infantil, agenda paralela do evento.

Moore é um dos fundadores do Cartoon Saloon, estúdio sediado na Irlanda que assina Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells, no original em inglês) e A Canção do Oceano (Song of the Sea), obras aclamadas pela crítica e ambas nomeadas para o Oscar. O trabalho mais recente de Moore, Wolfwalkers, acabou de estrear em canais de streaming - e já é elogiadíssimo.

Em entrevista exclusiva para o NSC Total, o cineasta fala da importância dos mitos e das narrativas e convida à reflexão: quais histórias queremos perpetuar e ensinar para as próximas gerações?

Por que você se sente tão atraído pelo folclore e pela mitologia como temas das histórias que conta? Há muito simbolismo em seus filmes: como você os transforma em metáforas?

Acho que o folclore contém uma sabedoria que precisamos preservar e transmitir às próximas gerações. E os simbolismos são meio orgânicos: eles se encontram no processo de storyboard.

Para você, qual é o papel do mito em nossas vidas?

Vivemos em um mundo de contação de histórias e narrativas, mesmo que não tenhamos consciência. Yuval Noah Harari explica em seus livros que até nações, economias e empresas são histórias que contamos a nós mesmos. A questão é: quais histórias queremos apoiar e perpetuar? Como podemos imaginar um mito que nos tire da crise que todos vivemos hoje?

Uma Viagem ao Mundo das Fábulas é bastante audacioso na maneira como você contou a história por meio da animação. Como foi o processo, e quais desafios você enfrentou?

Foi meu primeiro longa-metragem, e aprendemos tudo ao longo do caminho: não apenas como contar a história e dirigir equipes em todo o mundo, mas como levantar fundos e lançar um filme de forma independente. Acho que foi a experiência formativa da minha carreira.

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De onde surgiu a ideia de A Canção do Oceano?

Tudo começou com a descoberta de que os pescadores estavam matando focas: senti que tínhamos perdido nossa conexão com o mundo natural. O folclore foi nossa ponte para nos vermos como parte da biosfera, em vez de ver o mundo natural como algo que poderíamos consumir e explorar comercialmente. Precisamos lembrar a próxima geração da sabedoria de nos vermos como parte do mundo, não separados dele.

Cena de "A Canção do Oceano"
Cena de "A Canção do Oceano"
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Em seus filmes, a dualidade surge frequentemente: por exemplo, selvageria x disciplina, natureza x civilização. Como você aborda esses assuntos?

Eu sinto que esses são os conflitos universais em todas as nossas vidas; eles ressaltam o drama de ser humano no mundo de hoje. Tento encontrar a humanidade e a emoção nesses temas e como eles afetam nossos personagens.

Você poderia nos contar um pouco sobre a gênese por trás dos Wolfwalkers?

Queríamos falar sobre a polarização que vemos na sociedade de hoje, e sobre a extinção de espécies, que estão acontecendo em uma escala sem precedentes. As ondas da colonização e as atitudes dos britânicos de 400 anos atrás continuam até hoje. Ainda é a visão de mundo subjacente que acredito que está matando nosso lar.

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Como você se tornou um contador de histórias?

Fui membro do Young Irish Filmmakers quando adolescente: sabia que queria desenhar e contar histórias desde cedo, e estudei muito para isso.

A 19ª edição da Mostra de Cinema Infantil vai até domingo, dia 28 de novembro. Toda a programação é online e gratuita e pode ser acompanhada pelo site do evento.

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