A Copa do Mundo tem a capacidade de mudar a rotina de milhões de pessoas, alterar horários de trabalho e unir amigos para acompanhar os jogos, mas também se mostra um grande motor econômico. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae/SC), a competição deve injetar entre R$ 115 milhões e R$ 123 milhões na economia do Estado.

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Se a Seleção Brasileira avançar e houver maior adesão do público, a movimentação pode ultrapassar R$ 130 milhões. Estabelecimentos catarinenses apostam em promoções, cardápios temáticos e eventos para transformar o interesse gerado pelo torneio em um cenário positivo no faturamento.

— É um período de ativação econômica concentrada, mas que traz pressões operacionais. O sucesso depende de equilibrar a empolgação comercial com um controle cuidadoso da gestão, da precificação e do fluxo de caixa — destaca o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf.

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Além de impulsionar o consumo, a Copa estimula diversas iniciativas, desde bolões em empresas até ações voltadas para atrair torcedores durante os jogos.

O que os bares não podem cobrar de você durante os jogos da Copa do Mundo

Bolão da Copa aproxima colegas de trabalho

Para além das grandes cifras que circulam durante a Copa, os bolões têm capacidade de envolver as pessoas e criar um clima de competitividade extra ao longo do torneio. Mesmo que realizado de maneira independente — a iniciativa dos funcionários não é ligada à natureza ou interesse da empresa —, o bolão gera engajamento e, de certa forma, coloca à prova o conhecimento sobre o mundial.

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— O bolão cria um motivo extra para que todos acompanhem os jogos, conversem sobre os resultados e interajam mais no dia a dia. Além da competição saudável, ele gera momentos de descontração, brincadeiras e aproxima ainda mais a equipe, mesmo durante a rotina de trabalho — aponta Lorena Zabot, gerente de uma empresa de tecnologia voltada para o desenvolvimento de aplicativos.

Natural de Florianópolis, Lorena nota o engajamento dos colegas de trabalho no bolão, mesmo que não trabalhem presencialmente. Participam do bolão pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e até de outros países, como Angola. Com oito participantes, a taxa de inscrição foi definida em R$ 20. O vencedor do bolão levará, ao final da Copa, todo o valor arrecadado via Pix.

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— A ideia surgiu durante uma das nossas reuniões diárias, quando começamos a conversar sobre a Copa, palpites de placar, conversas sobre escalação e esperanças do time — detalha Lorena. 

Bolão na Copa integra funcionários, mas deve seguir recomendações para evitar problemas, alerta advogada (Foto: Banco de imagens)

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Fazer bolão entre funcionários é ilegal?

A prática do bolão pode gerar problemas dependendo da forma que é realizada. Perante a lei, jogos de azar e rifas não autorizadas são contravenções penais. Porém, a Justiça costuma entender o bolão de Copa como uma atividade cultural e de integração, desde que não tenha fins lucrativos para quem organiza.

— Funcionários apostando valores altos, discussões em ambiente de trabalho ou pessoas perdendo tempo de expediente focadas nos palpites em vez das tarefas pode gerar demissão e até justa causa se houver excesso. A dica jurídica aqui é a moderação — afirmou a advogada Mariana Gonçalves em publicação nas redes sociais.

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Mariana relata que a empresa pode proibir o bolão se considerar que vai atrapalhar a produtividade. Por outro lado, se permitir, o ideal é criar regras claras, como valores simbólicos estipulados na disputa e deixar claro que os palpites devem ser feitos fora do horário de trabalho.

— O segredo é manter a diversão sem virar bagunça — concluiu.

Copa vira oportunidade econômica em Santa Catarina

A Copa do Mundo também é vista como oportunidade para os empreendedores. Em Blumenau, o Refúgio Patagônia já percebe reflexos diretos da competição no público. Conhecido por transmitir eventos esportivos, o bar reforçou a estrutura para receber os torcedores durante os jogos e nota a diferença durante as partidas, especialmente quando a Seleção Brasileira está em campo.

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— Como temos uma estrutura montada para a transmissão dos jogos ao vivo em telão e liberado ao público, temos em média 70% de acréscimo nos jogos, em relação ao movimento em dias sem jogos — pontua o proprietário do Patagônia, Jonathan Berkendoff.

Veja dicas do Sebrae para negócios durante os jogos

O Relatório de Inteligência realizado pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC estimou três cenários para vendas no estado. Se o Brasil ficar só nos jogos iniciais, o faturamento ficará entre R$ 108 milhões e R$ 114 milhões. Se ficar numa posição intermediária, pode movimentar de R$ 115 milhões a R$ 123 milhões, mas se for até os jogos finais pode superar R$ 130 milhões.

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Mesmo sem um balanço consolidado, já que a Copa ainda está na fase inicial, a expectativa é de crescimento entre 25% e 30% no faturamento ao longo do torneio. Para Jonathan, o período representa uma oportunidade de colocar em prática a proposta do estabelecimento de reunir pessoas e celebrar.

— É um momento de fazer valer a nossa missão, que é ter um espaço democrático, aberto a todos, para famílias e amigos celebrarem juntos as conquistas do nosso Brasil. A alegria que contagia a todos a cada gol, não tem mesa que não celebre, não tem grupo que não se una, todos se abraçam, curtem e comemoram juntos gol a gol! Isso é marcante demais, ver a união do brasileiro aqui — afirma o empresário.

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O que os clientes procuram ao assistir os jogos da Copa? Especialista explica

O cenário observado no Refúgio Patagônia reflete uma tendência percebida em diversos estabelecimentos durante a Copa do Mundo. Para atrair clientes e transformar os dias de jogo em momentos de maior consumo, bares e restaurantes investem em estratégias que vão além da transmissão das partidas.

Segundo o professor de gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Erik von Bülow, a experiência oferecida ao público tem peso decisivo para o sucesso dos negócios durante a competição. 

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FOTOS: Todas as camisas das seleções para a Copa do Mundo 2026

— O cliente procura um local agradável que possa ficar um longo período, com banheiros limpos e com facilidade de acesso, sem contar a necessidade de um preço justo, sem abusos. O público prioriza, em especial, a experiência coletiva, assistir aos jogos rodeados de pessoas em um ambiente com vibração e boa energia — analisa. 

Erik observa ainda que o perfil dos clientes tem se tornado mais diversificado ao longo das últimas edições da Copa, “com famílias, mulheres e crianças que buscam ambientes não exclusivamente boêmios, sem contar a busca por ambientes compartilháveis nas redes”. Ao mesmo tempo, os empresários precisam evitar erros que podem comprometer os resultados do período.

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— O abuso nos preços também é um erro nestes eventos. É necessário pensar em um bom pós-jogo, para manter o cliente e aumentar o ticket médio. A falta de divulgação pode prejudicar, assim como erros de planejamento de estoque ou de treinamento de equipe — conclui von Bülow.

O que explica o “boom” econômico durante a Copa

O movimento observado nos bares, restaurantes e empresas ajuda a explicar por que a Copa pode trazer mais de R$ 130 milhões para a economia em Santa Catarina. Além do impacto registrado nos dias de jogos, o torneio estimula compras antecipadas e amplia a circulação de pessoas em diversos segmentos da economia.

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Roupas, artigos esportivos, bebidas, eletrônicos e itens voltados para confraternizações passam a integrar a lista de produtos mais procurados durante o período. Para Paulo Vitor dos Santos Gonçalves, analista técnico do Observatório de Negócios do Sebrae-SC, a Copa funciona como um catalisador de consumo.

— As pessoas estão motivadas, emocionadas e querem socializar. Isso acaba gerando um aumento da intenção de compra, da circulação de pessoas e do consumo concentrado, principalmente nas datas dos jogos mais importantes, como os da Seleção Brasileira. O evento também gera outro gatilho, que é a antecipação das compras — explica.

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Entre os segmentos com maior potencial de crescimento, o Observatório do Sebrae aponta para a alimentação fora do lar, supermercados, açougues, comércio de bebidas, moda e artigos esportivos. Também se destacam atividades ligadas ao turismo, entretenimento e eventos.

— Identificamos que a Copa do Mundo também privilegia os serviços criativos e digitais. Marketing, redes sociais e produção de conteúdo ficam em alta. Então, são segmentos que, de fato, enxergamos potencial para ganhos durante esse período vinculado à experiência de consumo — finaliza Paulo.

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Bar em Florianópolis tem crescimento de 27% nas receitas durante o evento

Em Florianópolis, o Guanabara Balcão, localizado no Estação Santa Mônica, registrou crescimento de 27% nas receitas nos dias de jogos da competição em comparação com períodos sem partidas. O resultado é atribuído à maior procura por ambientes coletivos para acompanhar os confrontos e às estratégias desenvolvidas especialmente para o torneio.

Segundo a empresária Priscila Toniolo, a movimentação começou ainda nos amistosos que antecederam a Copa. Para aproveitar o interesse do público, o estabelecimento lançou pratos e combos temáticos, como a Chapa Brasil, criada para dialogar com o clima da competição.

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Confira imagens da vitória da Seleção Brasileira sobre a Escócia

A iniciativa busca não apenas ampliar as vendas nos dias de jogo, mas também atrair novos clientes e estimular o retorno ao longo do restante do ano.

— O resultado vai muito além do faturamento em dias de jogos. Estamos criando recorrência, atraindo novos públicos e fortalecendo o hábito de as pessoas frequentarem o espaço também em outros momentos — afirma.

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O movimento também é percebido nos centros de compras. A gerente de marketing do Beiramar Shopping, Juliana Ohlweiler, observa que a Copa reforça uma tendência cada vez mais presente no comportamento dos consumidores: a busca por experiências compartilhadas.

Quando reunimos compras, gastronomia, entretenimento e grandes eventos em um único ambiente, criamos uma trilha completa para o cliente e contribuímos para a movimentação da economia local — reitera.

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Torneio movimenta o Centro da Capital

No Centro da Capital, o impacto é considerado positivo nesta Copa. Segundo o coordenador do Núcleo do Centro Histórico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, David Vieira, bares e restaurantes da região têm registrado aumento no fluxo de clientes durante os jogos, especialmente nas partidas da seleção brasileira. Muitos estabelecimentos investiram em telões, decoração temática e espaços voltados à transmissão dos confrontos.

— Durante o jogo de estreia da Seleção Brasileira, que foi em um sábado, alguns comerciantes relataram crescimento na casa de 25% nas vendas em comparação a um sábado tradicional. É um exemplo de como grandes eventos esportivos também movimentam a economia local — destaca.

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Onde assistir os jogos da Copa em Santa Catarina?

O Torcida SC aposta na experiência ao vivo com seis QGs regionais, criando ambientes preparados para reunir torcedores em diferentes cidades catarinenses, durante todos os jogos do mundial. A iniciativa é da NSC e tem como proposta transformar bares, espaços gastronômicos e pontos de encontro em verdadeiros espaços de celebração coletiva — para torcer, vibrar e viver junto às emoções dos jogos, independentemente das equipes em campo. Veja quais as opções no Estado:

FLORIANÓPOLIS

  • Top Market Floripa – Rua Hoepcke, 168 – Centro

BALNEÁRIO CAMBORIÚ

  • PZ ECOMALL – Av. Brasil, 3393 – Centro,

JOINVILLE

  • Unalome Joinville – Rua XV de Novembro, 1738 – América

CRICIÚMA

  • Seu Bragança – Rua Tiradentes, 130 – Centro, Criciúma

CHAPECÓ

  • Saudoso Boteco – Av. Getúlio Dorneles Vargas, 1520N – Centro

BLUMENAU

  • Refúgio Patagônia – R. XV de Novembro, 400 – Centro

O Torcida SC conta com oferecimento de Unifique, Slice, Havan e Honda Gabivel.