O South By Southwest, maior evento de inovação e criatividade do mundo, está acontecendo na cidade de Austin, Texas, nos Estados Unidos e a NSC tem presença confirmada. Gustavo Teixeira, diretor de Marketing da NSC, está participando dessa edição e compartilhando em tempo real os principais insights do evento. 

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Entre os debates sobre inteligência artificial, mídia e comportamento, o festival também  trouxe uma leitura estratégica sobre o futuro da tecnologia e dos negócios. Em uma das sessões mais aguardadas do festival, a MIT Technology Review apresentou, no sábado (14), a lista anual das principais inovações tecnológicas que devem ganhar impacto nos próximos anos.

A apresentação contou com pesquisadores e analistas do instituto, que é um dos maiores do mundo, para discutir os avanços que têm saído dos laboratórios e se aproximam da realidade do mercado.  Para o diretor de marketing da NSC o principal aprendizado da sessão é que o impacto da inovação raramente aparece onde se espera.

— A sociedade e o mercado costumam ser muito ruins em prever os efeitos colaterais das tecnologias. Uma ideia brilhante dentro de um laboratório não muda o mundo. O que realmente importa é quando ela começa a gerar impacto econômico, regulatório e cultural — afirma Gustavo Teixeira.

Segundo ele, o relatório apresentado no festival funciona como um mapa para entender onde estarão as disputas estratégicas da próxima década.

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— O documento da MIT Technology Review não é apenas um radar de tendências. Ele mostra para onde vão o dinheiro, a regulação e a atenção do consumidor. Saem de cena apostas isoladas e entram ecossistemas complexos de inovação — explica.

  • 1. Conta de luz da IA entra no radar das empresas

Uma das primeiras tendências apontadas pela MIT Technology Review envolve um problema que começa a ganhar escala global: o consumo de energia da inteligência artificial.

— Se 2024 e 2025 foram dedicados a adotar a inteligência artificial, 2026 é o ano em que começamos a descobrir como pagar essa conta de energia — diz Teixeira.

A corrida pela supremacia da IA gerou a necessidade de Data Centers em Hiperescala, que consomem eletricidade suficiente para abastecer cidades inteiras. Isso significa que o custo operacional das ferramentas de Martech e IA generativa usadas no dia a dia esbarra em gargalos físicos. A saída da indústria tech tem sido financiar Energia Nuclear de Nova Geração e investir em Baterias de Íons de Sódio.

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Para o mercado, o alerta é claro: a sustentabilidade corporativa (ESG).

— A sustentabilidade ganha uma nova dimensão. Empresas que operam grandes volumes de dados passam a ser cobradas pela pegada de carbono invisível das suas inteligências artificiais — afirma Gustavo.

  • 2. O fim do “Codificar” e a era do “Vibe-Coding”

Outra tendência apontada pelo relatório envolve uma mudança na forma como softwares são desenvolvidos. A chamada codificação generativa, impulsionada por inteligência artificial, permite que sistemas criem programas completos a partir de instruções em linguagem natural. 

Esse movimento deu origem ao conceito de “vibe-coding”: o usuário dita a intenção e a IA constrói o sistema sem que seja preciso escrever uma única linha de código complexo.

— Na prática, isso democratiza radicalmente o desenvolvimento de produtos. Departamentos de marketing se transformarão em criadores autônomos de soluções ágeis. A velocidade para testar uma nova ferramenta de engajamento com o cliente ou plugar uma nova base de dados cairá de meses para dias. O tempo para testar novas ferramentas ou integrar dados pode cair de meses para poucos dias. Isso muda completamente a velocidade da experimentação dentro das empresas — afirma Teixeira.

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  • 3. A caixa-preta da IA finalmente aberta

Atualmente, interagimos com Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) sem saber exatamente como eles chegam a uma resposta. Eles são caixas-pretas. A Interpretabilidade Mecanicista é a tentativa da ciência da computação de fazer engenharia reversa nessas redes neurais, dissecando-as para entender o fluxo da informação.

— É aqui que mora a solução para o maior pesadelo dos diretores de marketing: o Brand Safety. Entender como a IA “pensa” permitirá criar barreiras de segurança reais contra alucinações e vieses, garantindo que o bot de atendimento não prejudique a reputação da marca com respostas imprevisíveis. Para marcas e empresas, isso tem impacto direto em reputação e segurança de marca.

“Este é talvez o ponto de maior tensão social da lista”, destaca o diretor. A forma com que a IA está incluída em demandas sociais, principalmente devido ao uso de chatbots e sistemas de inteligência artificial como companheiros digitais. Em vários países, usuários já relatam vínculos emocionais profundos com esses sistemas. Essas interações evoluem para relações de amizade ou até relacionamentos românticos  em alguns casos.

— Milhões de pessoas estão criando laços emocionais profundos, amizades e até relações românticas com chatbots. Embora essas ferramentas forneçam suporte emocional, os efeitos colaterais como isolamento já são visíveis. A Califórnia, inclusive, já exige verificação de idade e protocolos de crise de saúde mental para essas plataformas. Consequentemente, a dinâmica de relacionamento entre marca e consumidor vai mudar — explica o diretor de marketing.

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Para o mercado, esse cenário também pode alterar a forma como as marcas interagem com consumidores.

— Empresas começam a explorar a criação de “companheiros de marca”, agentes de IA capazes de atuar como concierges digitais altamente personalizados. Mas a linha entre hiper-personalização e exploração emocional será cada vez mais observada pelos reguladores. 

  • 4. Relações íntimas e o consumidor sintético

A lista apresentada pela MIT Technology Review apontou avanços em biotecnologia, edição genética e novas aplicações científicas que começam a sair do campo experimental. O cenário inclui desde o primeiro bebê a receber uma edição genética personalizada para corrigir uma doença, até a pontuação de embriões para prever a inteligência. A ciência avança na ressurreição de genes para combater as mudanças climáticas, enquanto o turismo ganha espaço com as estações espaciais comerciais.

— Como impacto direto nos negócios, o conceito de nicho será redefinido. Estamos entrando em uma era onde a saúde, as viagens e as escolhas de consumo serão personalizadas a nível molecular. O marketing precisará evoluir da “segmentação demográfica” para ofertas ultra-individuais, exigindo uma arquitetura de dados e respeito à privacidade sem precedentes.

  • 5. Infraestrutura e impacto social entram no centro da inovação

Para o diretor de marketing da NSC, o principal recado da sessão da MIT Technology Review é que o debate sobre inovação tem mudado de foco.

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— A tecnologia pela tecnologia perdeu a graça. O que importa agora é infraestrutura, regulação e impacto profundo nos hábitos humanos — afirma.

Segundo ele, adotar inteligência artificial já não é suficiente para diferenciar empresas. O especialista aponta que o verdadeiro diferencial das marcas será a capacidade de entender e administrar as consequências dessas tecnologias para a sociedade, para os mercados e para o planeta.

A NSC acompanha a programação do SXSW 2026 e traz análises sobre os principais debates do festival, conectando as discussões apresentadas em Austin com tendências relevantes para os mercados de inovação, comunicação e negócios no Brasil.

A presença da NSC no evento conta com o patrocínio de Rudnik e F/BRAVE.