Internada desde o dia 4 de dezembro na UTI, a influenciadora digital Isabel Veloso, de 19 anos, enfrenta um novo e delicado capítulo de sua batalha pela saúde. Segundo o pai, Joelson Veloso, a jovem foi diagnosticada com Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH), uma complicação possível após o transplante de medula óssea.

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Em um relato emocionado nas redes sociais, Joelson descreveu a angústia da família diante da espera por respostas médicas e da imprevisibilidade do quadro clínico. Ele também falou abertamente sobre o peso das decisões tomadas durante o tratamento e o arrependimento que hoje acompanha esse processo.

“A dor de ver minha filha nessa luta, esperando por respostas que demoram, nos consome. Muitas vezes, sentimos que nem mesmo os médicos sabem o que fazer. O arrependimento pelo transplante pesa, e agora lidamos com consequências duras”, escreveu.

O pai explicou que a DECH e as infecções graves que podem surgir após o transplante são riscos conhecidos, porém difíceis de prever e controlar. “A rejeição do enxerto pode surgir de forma agressiva. O corpo já fragilizado e a complexidade do tratamento tornam tudo ainda mais delicado.”

Apesar do cenário de incertezas, Joelson fez questão de reforçar a fé da família e a confiança na recuperação de Isabel Veloso. “Enquanto houver vida, haverá fé. Isabel não é um caso clínico, é uma vida. É amor, é força. Ela já venceu todos os dias em que escolheu lutar”, declarou.

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Em outubro de 2025, Isabel passou por um novo transplante de medula óssea, tendo o próprio pai como doador. O procedimento integra o tratamento oncológico iniciado ainda na adolescência, quando ela foi diagnosticada, aos 15 anos, com Linfoma de Hodgkin.

O que é a Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH)?

De acordo com a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), o transplante de medula óssea é uma das principais alternativas terapêuticas para cânceres hematológicos, como linfomas e leucemias. No transplante alogênico, quando as células vêm de um doador, existe o risco de desenvolvimento da DECH.

Essa condição ocorre quando as células de defesa do doador, chamadas linfócitos, passam a reconhecer o organismo do receptor como estranho e iniciam um ataque contra seus órgãos.

— Trata-se de uma reação imunológica em que as células do enxerto agridem tecidos do paciente — explica o onco-hematologista Celso Massumoto, coordenador do Centro de Transplante de Medula Óssea do Hospital 9 de Julho, em entrevista à revista Quem.

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A doença pode afetar diferentes partes do corpo, como pele, fígado, olhos, boca, unhas, cabelos e região genital, sendo a pele o órgão mais frequentemente comprometido. A incidência varia entre 40% e 70%, dependendo do tipo de transplante.

Em casos de doadores aparentados, o risco tende a ser menor; já em transplantes com doadores não aparentados, especialmente de bancos internacionais, a chance e a gravidade costumam ser maiores.

A DECH pode se manifestar de forma aguda, geralmente nos primeiros 100 dias após o transplante, ou evoluir para a forma crônica, que surge posteriormente. O especialista ressalta que quadros leves podem se agravar com o tempo, exigindo acompanhamento constante e tratamento especializado.

Qual o histórico de Isabel Veloso

*Sob supervisão de Pablo Brito

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